terça-feira, 30 de setembro de 2014

QUANDO OFÉLIA PULOU


Os meus olhos te viram pela última vez
as partes da aérea  asa espalmaram o mundo
suspiro  seu do outro lado da terra
não foi visto por ninguém
abraços calorosos não aconteceram
as súplicas de amor de jamais nasceram
esse desencontra-se eterno fonte do que não se fez.
Quando Ofélia chorou sua lágrimas dispersaram-se outra vez
Esse caminhar solitário pela cidade
a vida insiste na quente tarde
sem você, sem em mim pulsar qualquer novidade
essa sucessão do tempo , novelo de pouco retrós
essa eterna dúvida  do parir ideias em nós
assim o sorriso largo que desafia o embargo da horas.
Quando Ofélia pulou no rio os pássaros choraram fio a fio
buscar-me nos outros nos loucos dias na imensa via da vida
reconhecer essa inexatidão do encontro
esse badalar de sino tonto
o mistério dos desencontros, aquilo que não será porque não era nunca para ter sido
os meu olhos caminham pela árida cidade a buscar o que não vou encontrar
soluços da tarde, construções da covardia
a menos valia vale menos que o dia
o desencontro dos olhos , mãos rebeldia.
Quando Ofélia desceu no rio o mundo estremeceu de sua dor sem calafrio
em qualquer tempo ou em qualquer lugar
permanece esta vontade de mar, esta vontade de não ser mais um desencontro
de te encontrar rio que de água tonto, e é dele seus abraços sonsos
o desencontro fez de nossas vidas embaraço.
Quando Ofélia se foi partiu tão cedo que a tarde corou
quando Ofélia não há permanece em nós todos esses despejo de amar.


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