segunda-feira, 1 de setembro de 2014

A PRAÇA

Aquela praça não é somente esta  praça
aquela pracinha são todos os amores e dissabores que por ela ora passam e passaram tortos ou que rancores deixaram
e passaram imensos fatídicos de sua marca
todas as cores , fatos, enxergas  em seus bancos sentados
todas as flores por muitos pisadas
todas as gramas  de separação choradas
infindo registro da memória do mundo, sua arquitetura
com seus assentos descascados, com meus monumentos pichados imundos
ali um grande amor nasceu e voou como os pássaros
 retrato novo de nossos antepassados
o senhor que ali se casou, a menina que viu seu futuro nos olhares
do mancebo
este desejo que percorre décadas, como a velocidade  dos carros  da espera
 o manjar do tempo esconde segredos  contratempos
se pudesse falar como as vizinhas falam, falaria de segredos
essa praça seria a maior delatora das melhores e respeitáveis senhôras
O mesmo, banco, a mesma praça
e a tristeza que sorri de graça
a melancolia em versos, cultos, protestos
um palhaço alegre é o morador sublime de seus mistéros
um cão faminto a correr entre antigos jacintos
uma senhora amarga perde a conta de tantas contas rezadas
uma menina agora ensaia para sorrir ao  encontrar suas amigas caminhada
um carro novo rasga o vento, o terreno de outros lamentos, e fotos antigas
a praça ali está, mas não há quem a veja
sua presença está para que apenas concreto seja
sua vida de outras eras, gerações inteiras
sua praça de coração, minha praça de emoção
nossa praça que de graça faz o mundo girar, a vida renovar,contar piada
a memória de todos os tempos, a lembrança de áureos bailes
a praça que parece ingrata por ser tumulto, por ser  silêncio
por ser de nós todos a expressão do tempo que fica , do tempo que passa

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