quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

FORÇA

tenho medo de teu olhar a despir-me  inteiro
tenho medo de passarela  à noite te segredo
eu sou um pequeno grão diante de minha  aterradora força
que  força que força a forca
que dentes a quebrar  patentes
que pombas ao voo evidente
que  esgar que de novo é somente

eu sou fraco somente por não saber-me
eu sou um passo desajeitado
um laço em seu  sapato
uma pedra em  seu arroz
mesmo  caminhando sozinho
onde se  encontra a estradada  seta
meu laço, braço conserta
minha estreiteza dormente
cansado de ir contra-corrente
saber-se menos animal diferente
semelhança nova  em um mísero espelho
garra mesmo com  que inda há medo
com o dedo tremendo
me arrisco  e me remendo
para finalmente sair do casulo
não negligenciando o medo da noite
esse medo, meu velho companheiro
é a força que respeito
é  meu grito abafado por décadas no peito
esse sussurro abafado, pouco ouvido,  vai criar  um imenso cercado e transformar o meu brado pura em força.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

EFEITO ESTAFA

Dia de luz, festa do sol... está tudo muito lindo, mas não há santo que aguente este calor.
Pior do que o calor é a sensação térmica do calor.Parece que  estamos em um daqueles quadros de Dali,em que tudo derrete o tempo todo.Relógios de fogo.O que fazer, para onde ir, esperar a chuva que diminui este estupor ou aprender a conviver com um clima hostil ,e que,é bom lembrar que, por muito tempo não foi    assim. Pode parecer absurdo mas havia mais vento e o vento cobria o abafadouro que se formava .Costumava brincar com meus amigos de que  o clima daqui era fantástico e temperado.Era  a Europa em Minas...era.
Tenho, por outro lado, pavor daquelas pessoas que te dizem  no ponto de ônibus "no meu tempo não havia isto, aquilo, aquilo outro....a vontade é  voltar-se para a pessoa e dizer--pois é, no seu tempo havia tudo isso de ruim sim, mas você não sabia porque não deixavam que você
soubesse. Evidente que somente observo esse discurso calado,como se aquele indivíduo viesse de um tempo  melhor, e realmente  essa sua maneira reflexiva  diz-me de um equívoco de que não  participo pois vejo melhorias no presente em várias  áreas. Sim, haveria um discurso  aparentemente  falacioso. Mas,agora sou obrigado a  concordar com esse raciocínio  em relação ao  clima,pois  sim,era diferente  mesmo e  era  melhor,,podia-se sair de casa e aproveitar o aroma da brisa da tarde,sem poesia,porque assim era de fato.Eu estive  nesse tempo e    vi  isso acontecer e usufrui  deste clima ameno de verão,e    não há como não lamentar que as estações,por aqui tiveram  seus efeitos imediatos aguçados.Quado faz calor,vivenciamos o inferno de Dante, e no frio é melhor nem nascer  como dizia Cazuza.
O que fazer ? Cientistas renomados   dizem que é  mais uma das  fases da vida   e evolução de nosso  planeta, e que não existe  o tal esfeito estufa. Será que   efeito estufa  é uma  pessoa empanzinada de  tanto  comer pastéis...sei  não viu.Mas sei  que um calor imenso toma conta de tudo e fica difícil o movimento ,o deslocamento .Tudo fica quase impossível  de ser realizado,uma vez que o calor extremo ou o frio atroz produz a primavera que se atrasa e quase não mais acontece, mais  ainda, o outono despótico, que  espezinha quem  possui  problemas  respiratórios.
 Há  outra   corrente de pensamento que defende que vivemos em  um planeta lixão eque a vida fica ruim em função da falta de educação das pessoas e da ocupação irregular do solo, bem como a inexistência de Políticas Públicas de afirmação de uma consciência ambiental  que preveniria esta e as futuras gerações acerca da necessidade de se cuidar de nossa casa maior.
Diante  de versões e, visões aparentemente  díspares , há pouca ação, e o replantio, por exemplo,de árvores oriundas  de determinada área é feito  a esmo,sem quase nunca haver pesquisa prévia  da vegetação ali existente  outrora .Essa nossa" deseducação" plantou uma sauna insuportável e a céu aberto, ou então  somente teríamos  que esperar pacientemente que essa fase milenar  e já prevista da terra passasse. Há quem diga que durará milênios.Resta-nos somente saber até quado aguentaremos ou até quando tudo isso aguenta suportar nossa  indelicada presença.
Então o que  era efeito estufa se transforma-se em efeito estafa, porque vivemos e estamos muito cansados,  reclamando,e sem merecer, queremos um   tempo melhor. Mas nada fazemos para assim construí-lo.
Sim,no meu tempo o clima era mais agradável. Essa voz do ponto de embarque se mistura  à triste constatação do nosso descaso em relação à situação de  nosso planeta. A saída precisamos achar.

minha alma coração

Meu coração acorda do lodo da mansidão
meu  ogã do  peito
bate  satisfeito  sem saber que nem tanto mereço

Os dias passam e nenhuma causa me perturba
nem mesmo o artificial  grito da turba, ais
por melhores sais mensais
Nem mesmo o  sol amarelo a doirar a pele
o grito de um copo  que cai.
bate no chão como na minha alma coração
e despetalar-se.
morre-se mais de amor do que se fala
e esse meu  amigo me avisado perigo
perde o compasso quando debaixo da janela é amor
há amor e  dor
sabe-se  então ventrículo de bagatela
costurar o mundo  em um beijo novo de novela
romântico amor
quem crê cegamente em ti morre de inocência parda
quem decodifica-te sofre menos e se torna o negrume dos seus
segredos quando apreende-te
se for a representação dos dias amorosos
é melhor que desates como irmão
não sou doador de dor , então descerá
comigo,calado, assim como eu agora território de formigas-tatus
faço de ti coração terra e traço
da imensidão do chão este agora que é seu
 e de capins nasço.



segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

mundo.

O mundo é pura escuridão a todo momento
ficar preso à falta de luz e cimento
é bobeira para uma alma livre de tormento

O mundo é paisagem que o homem desenha no breu
e assim entre paisagens fantásticas criadas pelo seu próprio eu
perpetua a espécie
na maior claridade não se sabendo escravo das aparências
desta faca-se  luz
mesmo que a luz seja de brinquedo e quebre
mesmo que a aparência se sobreponha à essência
mesmo que seu irmão já não te peça atenção.

cidadão.
livre-se então da escuridão mais nítida
essa a que tens acesso
dessa que te dizem sucesso
procura em ti o verdadeiro mundo
e acharás talvez do teu lado
a criatura que sente e sofre pois se acha acanhado
joelho que é brado vale
por ter sido convencido de que nada há que Vale

o seu mundo é essa escuridão da estrada
é essa alma atormentada
e é esse pastel sem recheio e do qual  não se diz nada

o nosso mundo é o coração aos gritos de gol
e sair por aí tentando encontra-se
na parte aparente não há de achar-se
A parte mormente e triste porque real
deverá ser eu itinerário
deverá ser sua dança
renovação da vida, eterno riso de carnaval.

o mundo supra-aparente é maior do que o beco do qual ressenttes.
maior que a folha despetalada
maior que uma pedalada
é você nu no escuro com frio e sem saber  onde ir
é a corda bamba  que tens de seguir.

sábado, 18 de janeiro de 2014

casamento

casaram-se
ele a ler jornal
ela com vômitos no hospital
ele sozinho no apartamento
ela recebendo tratamento
ele aos beijos com uma amiga
ela recebe alta com dores de partida
já conhecia o companheiro
chegando a casa grita
pula da minha cama ,prostituta,!
e para ela diz alumbrada: seu filho aqui rapaz, sangrando e se sangra na minha mão  como também sangra na sua paz rapaz. capataz da própria prole.
sai a delirar de loura e vento
o casamento mais uma figura na parede
um equívoco, mais somente ornamento social
belos na fotografia como casal
partida para outros lugares, olhares que lares farão
dormiram-se os tempos e consumidos
hoje só lavam os dentes e creem no que é de se crer
e vive-se na solidão acompanhada por penas  se casarem, apenas pelo mesmo  nada.

loucura

Quando for de mente dono
não serei de  mente fraca
não há faca ou nota rasgada
que reverta o mundo

quando for o carinho presente
esse mágico presente pessoal ou de sua imensa impessoalidade
quando o mágico não for idiotamente tido como o errado
fora dos padrões portanto errado,tão somente assim.
mente humana é vasta  não pode ser gado
revira-se em si, liberto ou preso
para dizer nada de desprezo
sozinho e si preso
detento de detentor de si próprio
cadeia em seu corpo e mente
sente que a brisa  na cara caia
que irrita, noutros lados o tempo
que dá vida ao riso, à morte ao animal
vida solta de roupas de varal, vida comum, surreal

quando for de mente preso
mergulha na vibração com peso
de doutora Nise da Silveira o exemplo, seja mergulho e emergir novo
você de si dono de novo
de tão novo enlouquece porque esquece por hora de regras
mesmo as renega
mas vive sábio contador de lugares sublimes e jamais vistos por ninguém
bem como jamais existido.

revira o mundo e as dentaduras mal colocadas
para e dormir ,acordar de novo para nada.
loucura sua, minha que em nós esbarra.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

solidao 2

neste momento em que a noite fascinante doira o dia
vem aos meus braços alegria de viver
o peso enorme da solidão
desde os limítrofes da mente
que a vida enruga
que a casaca nega
aquilo que correio leva
sons, passos, alma nova nas trevas
a noite é bem vinda porque cria o lusco-fusco
enamorada do dia
e faz da minha solidão sorriso e bom-dia
ter a si é ter o mundo
já dizia meu avô
ficar só e consigo ... consigo ficar consigo?
presente das incertezas de um longo futuro
delicia de doce de leite na madrugada escura
ser sozinho e desacompanhado
tenho outros amores a meu lado
grandes vitórias sobre mim, abalos sísmicos dalma
minha noite, minha calma.



homofobia

Eu te vi e você fingiu não me ver
o tempo
passou, a rosa brotou, a memória tua esqueceu

você me ouviu cantar e  lembrou-se de que ali não era lugar pra mim
mas como assim?
assim, assim, simplesmente assim
porque foi assim com meu pai, meu avô.porque então  comigo não seria assim?
assim, assim assim...assim...
e não cansava de repetir

ainda nos vimos numa terceira
olhou-me nos olhos e eu vi
sim, eu vi o ódio daquilo que ofende somente porque existe
o que de mim livre é repelido em ti
sou livre, não sei ser assim, assim, assim...assim...

hoje você  me vê não te vejo
abraço o livro, o pão, meu irmão
de você escarneço.



sei lá, pirei no drummond.

sem dor , sem dó no pobre coração
sem flor que se abra e acabe com toda timidez
cabeça baixa pela sala já não se diz nada
calado, parado, estático, mudo, somente as mãos
as mães, os sofimento e o mundo

ganhar a cidade sem jamis tê-la tido
sofrer a dor do próprio latido na travesseiro
saber-se pequeno na pretensão divina
suspira a vida de cercas postas
nas tigelas ligeiramente paradas mortas
e o cansaço de minhas botas
apagarão um futuro incerto
já não choro porque não há desertos
já sorrio só rio
e percorro os dias e  as horas em mim frio
assim desolado, ermo do ermo
assim solidão, acompanhar-me tão somente
para que dá consciência nasça a semente
que transformará minha alma
restituirá minha calma
que clama para também ser alma.