terça-feira, 30 de setembro de 2014
QUANDO OFÉLIA PULOU
Os meus olhos te viram pela última vez
as partes da aérea asa espalmaram o mundo
suspiro seu do outro lado da terra
não foi visto por ninguém
abraços calorosos não aconteceram
as súplicas de amor de jamais nasceram
esse desencontra-se eterno fonte do que não se fez.
Quando Ofélia chorou sua lágrimas dispersaram-se outra vez
Esse caminhar solitário pela cidade
a vida insiste na quente tarde
sem você, sem em mim pulsar qualquer novidade
essa sucessão do tempo , novelo de pouco retrós
essa eterna dúvida do parir ideias em nós
assim o sorriso largo que desafia o embargo da horas.
Quando Ofélia pulou no rio os pássaros choraram fio a fio
buscar-me nos outros nos loucos dias na imensa via da vida
reconhecer essa inexatidão do encontro
esse badalar de sino tonto
o mistério dos desencontros, aquilo que não será porque não era nunca para ter sido
os meu olhos caminham pela árida cidade a buscar o que não vou encontrar
soluços da tarde, construções da covardia
a menos valia vale menos que o dia
o desencontro dos olhos , mãos rebeldia.
Quando Ofélia desceu no rio o mundo estremeceu de sua dor sem calafrio
em qualquer tempo ou em qualquer lugar
permanece esta vontade de mar, esta vontade de não ser mais um desencontro
de te encontrar rio que de água tonto, e é dele seus abraços sonsos
o desencontro fez de nossas vidas embaraço.
Quando Ofélia se foi partiu tão cedo que a tarde corou
quando Ofélia não há permanece em nós todos esses despejo de amar.
domingo, 28 de setembro de 2014
DA CARTAS SEM COMUNICAÇÃO
Todas as cartas endereçadas no exílio são para ti
garrafas com mensagens que nadam contentes em mim
toda a gente sabe que verso é objeto do amor
estas missivas em choro abafado em fios telegrafados
aviões que percorrem imensas nuvens de poeira alados
estradas antigas, novas, pessoas, cachoeiras
a intervenção da mensagem que corta zoeira
Para ti, que sofre em uma sala fechada esse pranto
a dor da ignorância e da brutalidade dos falsos santos
o canto é carta que explode na prisão
o grito comunicação do sofrimento
o lamento carta que de ti que sair
o melhor das coisas rastejam em si
Esse testamento deixado em uma bueira
é nossa herança primeira
código morse, telefones com frio
wat sap do abandono de teus parentes vazios
melhor teres o bolso cheio que conversar
comunicação com os outros vale tempo vale ouro
comunicação na televisão bijuteria sem tesouro
composição das imagens fotografadas andam nas paisagens cinema
O livro órfão no ponto de embarque sozinho perdido
esse perdido ser que não encontra quem o lê
fumaças de fogo a comunicar o velho continente
o e-mail a desesperar a ansiedade remetente
o facebook monólogos de alegria artificialmente
o orkur nosso velho parente
o jornal vitrina dos escândalos fatais
a palavra de um humano escorregou nas torneira em ais
em velhos desertos da fala se tornou primeira
a comunicação solilóquios da solidão da fala inteira
esses tempos de aversão ao outro são exemplos da falta
premissas em forma de velhas cartas
Esse exílio em mim, quando em ti o sol rebentar
e mostrar novos raios, fibras ótimas, dedos de prosa
novas formas óticas de dizer o que já se sabe
novos sorrisos, novos pontos de embarque
este poema sem destinatário é o mar da luz que nos invade.
garrafas com mensagens que nadam contentes em mim
toda a gente sabe que verso é objeto do amor
estas missivas em choro abafado em fios telegrafados
aviões que percorrem imensas nuvens de poeira alados
estradas antigas, novas, pessoas, cachoeiras
a intervenção da mensagem que corta zoeira
Para ti, que sofre em uma sala fechada esse pranto
a dor da ignorância e da brutalidade dos falsos santos
o canto é carta que explode na prisão
o grito comunicação do sofrimento
o lamento carta que de ti que sair
o melhor das coisas rastejam em si
Esse testamento deixado em uma bueira
é nossa herança primeira
código morse, telefones com frio
wat sap do abandono de teus parentes vazios
melhor teres o bolso cheio que conversar
comunicação com os outros vale tempo vale ouro
comunicação na televisão bijuteria sem tesouro
composição das imagens fotografadas andam nas paisagens cinema
O livro órfão no ponto de embarque sozinho perdido
esse perdido ser que não encontra quem o lê
fumaças de fogo a comunicar o velho continente
o e-mail a desesperar a ansiedade remetente
o facebook monólogos de alegria artificialmente
o orkur nosso velho parente
o jornal vitrina dos escândalos fatais
a palavra de um humano escorregou nas torneira em ais
em velhos desertos da fala se tornou primeira
a comunicação solilóquios da solidão da fala inteira
esses tempos de aversão ao outro são exemplos da falta
premissas em forma de velhas cartas
Esse exílio em mim, quando em ti o sol rebentar
e mostrar novos raios, fibras ótimas, dedos de prosa
novas formas óticas de dizer o que já se sabe
novos sorrisos, novos pontos de embarque
este poema sem destinatário é o mar da luz que nos invade.
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
DAS LÁGRIMAS DAS CHUVAS
Chovadeiramente as chuvas chuvavam
quando a primeira e mais velha aguarada diz a suas chuvas filiadas
chovam por prazer em todas as partes sem água
uma das chuvas gritou solene que chuvar já não podia
a chuva-mor quis saber o chuvisco de tanta choveria
a chuva lacrimou que por aqui não mais teria chuva ou tempestade
porque das chuvas não chuvavam do humano sem caridade
todas então em alvoroço queriam saber o porquê de não mais chuvar
a questão não resolvida em poças dagua a soluçar
a chuva do olho do lavrador era o céu que não dizia
a chuva ácida das cidades das grades regalias
a chuva chosca no chorvalho desentendia
o garoto sem chuva água para a mãe pedia
chuva nova, chuva velha chuva que a nós não não mais desabasse
chover assim queriam todas as horas, vales lares sobre telhas cantares
chover em prédios feitos de concretos de dor não merecia
a dona de casa abre a torneira e vê a falta do líquido que do amor não tinha
o gado sofre por não chover em seu pasto serventia
o povo todo a dançar a dança da chuva e mesmo assim não chovia
Todas as chuvas em chuvableia resolveram chuversar sobre o porque de não chorar
quando um chuvisco, menos notado que sereno
grita pequeno que a chuva não chovia por conta da secura dos seres
por causa da pedra nos corações,
por desejados pingos da ingratidão
por anos chovendo sem ter água escoamento
por ricas casas e barracos que choviam gritos corredores sem lenço
por todas as maldades disfarçadas sobre o vento
e todas gritaram não vamos mais chover
nunca mais uma gota de água há de se ter
quando imenso do arrebol gritou a nuvem maior
aquela que cria todas os tipos de chuva
todos os dias
chovam mais uma vez sobre a terra!
e que o ser humano, este ingrato, aprenda a nos valorizar, basta de secar e comecem a chorar
desceram todas e chuvaram meses a fio
e o mundo agradeceu e chorou com as chuvas a imensa lágrima de Deus.
quando a primeira e mais velha aguarada diz a suas chuvas filiadas
chovam por prazer em todas as partes sem água
uma das chuvas gritou solene que chuvar já não podia
a chuva-mor quis saber o chuvisco de tanta choveria
a chuva lacrimou que por aqui não mais teria chuva ou tempestade
porque das chuvas não chuvavam do humano sem caridade
todas então em alvoroço queriam saber o porquê de não mais chuvar
a questão não resolvida em poças dagua a soluçar
a chuva do olho do lavrador era o céu que não dizia
a chuva ácida das cidades das grades regalias
a chuva chosca no chorvalho desentendia
o garoto sem chuva água para a mãe pedia
chuva nova, chuva velha chuva que a nós não não mais desabasse
chover assim queriam todas as horas, vales lares sobre telhas cantares
chover em prédios feitos de concretos de dor não merecia
a dona de casa abre a torneira e vê a falta do líquido que do amor não tinha
o gado sofre por não chover em seu pasto serventia
o povo todo a dançar a dança da chuva e mesmo assim não chovia
Todas as chuvas em chuvableia resolveram chuversar sobre o porque de não chorar
quando um chuvisco, menos notado que sereno
grita pequeno que a chuva não chovia por conta da secura dos seres
por causa da pedra nos corações,
por desejados pingos da ingratidão
por anos chovendo sem ter água escoamento
por ricas casas e barracos que choviam gritos corredores sem lenço
por todas as maldades disfarçadas sobre o vento
e todas gritaram não vamos mais chover
nunca mais uma gota de água há de se ter
quando imenso do arrebol gritou a nuvem maior
aquela que cria todas os tipos de chuva
todos os dias
chovam mais uma vez sobre a terra!
e que o ser humano, este ingrato, aprenda a nos valorizar, basta de secar e comecem a chorar
desceram todas e chuvaram meses a fio
e o mundo agradeceu e chorou com as chuvas a imensa lágrima de Deus.
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
POR QUE COLABORATIVO ?
O processo colaborativo pressupõe a construção de um produto social , artístico, estético ou cultural em quem todos os realizadores deixam a marca do autoral egóico único e centralizador e se dispõem a tornarem-se colaboradores daquele produto-processo-resultado, tanto quanto se tornam beneficiários e responsáveis por sua instalação, desenvolvimento e de seus desdobramentos sociais, e, consequentemente políticos.
Não é nada de outro planeta, muito menos uma atitude messiânica no que se refere a beneficiar a massa incauta. Não, definitivamente não. São ações corriqueiras de escambo, como a construção de uma horta comunitária e a disponibilidade de tempo de cada morador para execução e manutenção desta, e por conseguinte a divisão dos produtos obtidos entre todos os que a mantiveram e a mantém em funcionamento, Um grupo de caminhada que resolve distribuir folhetos aos motoristas de como evitar o uso abusivo do automóvel ou como usá-lo conscientemente e se beneficiam ,portanto, com ruas menos movimentadas. Uma turma de estudantes que se encontra com os limpadores ambulantes da cidade e juntos fazem uma caminhada pelo centro, a fim de recolher lixo e perceber o uso pouco calculado dos bens e serviços e a produção do resíduos, fazendo, por exemplo ,uma pirâmide de detritos no centro da principal praça . e depois limpando-a. Uma cooperativa que se dispõe a exibir filmes para a garotada aos sábados e dos pequenos cobra uma postura respeitosa aos assistir à película e um debate e produção de textos para melhoria da escrita e compreensão do mundo, E por outro lado ,os estudantes podem plantar árvores semanalmente ( depois da sessão de filmes) em suas ruas.. Um coletivo que se reúne nos finais de semana e visita hospitais, asilos e troca ajuda por histórias de vida e mostra para a comunidade tais narrativas em um blog ( construído pelos estudantes e pelos idosos), Uma associação da melhor idade que resolve participar de uma discussão sobre tecnologia e memória e os efeitos benéficos ou não destas novas mídias na construção da histórica conjunta. Um grupo de cidadãos que não mais espera o Poder Público e resolve reconstruir aquela antiga praça e cuidar de sua manutenção e segurança.
Então o processo colaborativo é realizado por todos e todos usufruem dos benefícios dele.
Um cd que ainda não foi feito com cantigas populares pode ser muito construído com a ajuda de muitos no que poderia ser denominar "vaquinha virtual", por exemplo,Mas não se torna vaquinha, porque cada colaborador terá direito a uma cópia.
São ações que criam fissuras no capitalismo e questionam a sociedade do consumo e o individualismo exacerbado.. Isso já acontece em muitos casos como a construção do processo de agricultura familiar, nas atividades coletivas que visam a difusão da cultura e arte, ainda que não passem pela remuneração imediata, mas com o reconhecimento da legitimidade da ação e do evento, piqueniques culturais, etc
As comunidades virtuais ou não estão se organizando em torno deste novo pensamento que já é fato em muito países e agora começa a ganhar nossas ruas, praças e coletividades
Hoje ainda por aqui é utopia, mas o que seria do ser humano sem o o poder do sonho? Então começar , por exemplo, a lavar a louça depois do almoço, sem que alguém precise mandar ou ajudar nos afazeres domésticos ajuda e muito. O futuro colaborativo está aí, agora só depende de nossas ações afirmativas.
Então, qual é sua sugestão de ação colaborativa?
Não é nada de outro planeta, muito menos uma atitude messiânica no que se refere a beneficiar a massa incauta. Não, definitivamente não. São ações corriqueiras de escambo, como a construção de uma horta comunitária e a disponibilidade de tempo de cada morador para execução e manutenção desta, e por conseguinte a divisão dos produtos obtidos entre todos os que a mantiveram e a mantém em funcionamento, Um grupo de caminhada que resolve distribuir folhetos aos motoristas de como evitar o uso abusivo do automóvel ou como usá-lo conscientemente e se beneficiam ,portanto, com ruas menos movimentadas. Uma turma de estudantes que se encontra com os limpadores ambulantes da cidade e juntos fazem uma caminhada pelo centro, a fim de recolher lixo e perceber o uso pouco calculado dos bens e serviços e a produção do resíduos, fazendo, por exemplo ,uma pirâmide de detritos no centro da principal praça . e depois limpando-a. Uma cooperativa que se dispõe a exibir filmes para a garotada aos sábados e dos pequenos cobra uma postura respeitosa aos assistir à película e um debate e produção de textos para melhoria da escrita e compreensão do mundo, E por outro lado ,os estudantes podem plantar árvores semanalmente ( depois da sessão de filmes) em suas ruas.. Um coletivo que se reúne nos finais de semana e visita hospitais, asilos e troca ajuda por histórias de vida e mostra para a comunidade tais narrativas em um blog ( construído pelos estudantes e pelos idosos), Uma associação da melhor idade que resolve participar de uma discussão sobre tecnologia e memória e os efeitos benéficos ou não destas novas mídias na construção da histórica conjunta. Um grupo de cidadãos que não mais espera o Poder Público e resolve reconstruir aquela antiga praça e cuidar de sua manutenção e segurança.
Então o processo colaborativo é realizado por todos e todos usufruem dos benefícios dele.
Um cd que ainda não foi feito com cantigas populares pode ser muito construído com a ajuda de muitos no que poderia ser denominar "vaquinha virtual", por exemplo,Mas não se torna vaquinha, porque cada colaborador terá direito a uma cópia.
São ações que criam fissuras no capitalismo e questionam a sociedade do consumo e o individualismo exacerbado.. Isso já acontece em muitos casos como a construção do processo de agricultura familiar, nas atividades coletivas que visam a difusão da cultura e arte, ainda que não passem pela remuneração imediata, mas com o reconhecimento da legitimidade da ação e do evento, piqueniques culturais, etc
As comunidades virtuais ou não estão se organizando em torno deste novo pensamento que já é fato em muito países e agora começa a ganhar nossas ruas, praças e coletividades
Hoje ainda por aqui é utopia, mas o que seria do ser humano sem o o poder do sonho? Então começar , por exemplo, a lavar a louça depois do almoço, sem que alguém precise mandar ou ajudar nos afazeres domésticos ajuda e muito. O futuro colaborativo está aí, agora só depende de nossas ações afirmativas.
Então, qual é sua sugestão de ação colaborativa?
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
O CIRCO
Uma tarde de lama que beirava céu
dois garotos pobres corriam ao circo outros tempos
tanto ar, maçã do amor, tormentos, algodão-doce não podiam comprar
fétidas jaulas expostas à visitação dos racionais
apontavam a tristeza dos seres animais
então barulhavam zoológicos, gritavam horas no relógio
não havia comida há semanas
a leoa enjaulada o monte observava parada
os garotos olhavam os olhos da rainha coitada
a felina molhava a língua, e sua íris deslocava-se devagar ao longe gado a pastar
o circo desastre de miséria
parecia afundar debaixo de uma covarde chuva etérea
a pobreza revelava-se na fome que rugia nas jaulas
tudo melhor que aquele horrendo lugar
pobres palhaços a matar-burros nas madrugadas
para saciar o dano, para evitar o pior dos urros do dono
à noite havia espetáculo, Sim Senhor!
mesmo sem tudo, nada podia parar
come-se e bebe-se taças de azar
vive-se o direito da corda bamba
Os olhos infantis observavam a multidão entrar
O globo da morte era a salvação, a sorte
e esperavam os meninos um milagre para participar, não iriam entrar
esperavam um deus que não tardasse e que não lhes trouxesse ingressos
Pedir a mãe não deixava, tinham dignidade mesmo que não assistissem, mesmo que não existissem
mesmo que não vissem motocicletas em fogo virar
Qual não foi a surpresa quando o louco da cidade sorriu para os garotos
e em frases que só criança entende
lhes mostrou duas entradas sem troco, era o deus que chegava para lhes salvar
os garotos estavam dentro da lona, a lona rasgada por onde viam as estrelas que precediam a madrugada
começava espetáculo, artistas malabaristas, sombrinhas furadas
moça que se enrosca em panos, bailarinas sem nome
animais com olhos tristes venciam a dor do chicote da fome
e ao final o globo fatal, luzes no chão da escuridão
medo do mistério de outra civilização
Surpresa motocicletas se queimam
gritos, sussurros tudo tratado alívio da pena
termina a sessão, flores de papelão
passos ágeis , correria, olhares poucos afundam na lama
os garotos felizes a casa , a mãe os espera,
então agradecidos
de um dia pobre , de um mendigo louco
verdadeiro artista de uma estrada de terra..
dois garotos pobres corriam ao circo outros tempos
tanto ar, maçã do amor, tormentos, algodão-doce não podiam comprar
fétidas jaulas expostas à visitação dos racionais
apontavam a tristeza dos seres animais
então barulhavam zoológicos, gritavam horas no relógio
não havia comida há semanas
a leoa enjaulada o monte observava parada
os garotos olhavam os olhos da rainha coitada
a felina molhava a língua, e sua íris deslocava-se devagar ao longe gado a pastar
o circo desastre de miséria
parecia afundar debaixo de uma covarde chuva etérea
a pobreza revelava-se na fome que rugia nas jaulas
tudo melhor que aquele horrendo lugar
pobres palhaços a matar-burros nas madrugadas
para saciar o dano, para evitar o pior dos urros do dono
à noite havia espetáculo, Sim Senhor!
mesmo sem tudo, nada podia parar
come-se e bebe-se taças de azar
vive-se o direito da corda bamba
Os olhos infantis observavam a multidão entrar
O globo da morte era a salvação, a sorte
e esperavam os meninos um milagre para participar, não iriam entrar
esperavam um deus que não tardasse e que não lhes trouxesse ingressos
Pedir a mãe não deixava, tinham dignidade mesmo que não assistissem, mesmo que não existissem
mesmo que não vissem motocicletas em fogo virar
Qual não foi a surpresa quando o louco da cidade sorriu para os garotos
e em frases que só criança entende
lhes mostrou duas entradas sem troco, era o deus que chegava para lhes salvar
os garotos estavam dentro da lona, a lona rasgada por onde viam as estrelas que precediam a madrugada
começava espetáculo, artistas malabaristas, sombrinhas furadas
moça que se enrosca em panos, bailarinas sem nome
animais com olhos tristes venciam a dor do chicote da fome
e ao final o globo fatal, luzes no chão da escuridão
medo do mistério de outra civilização
Surpresa motocicletas se queimam
gritos, sussurros tudo tratado alívio da pena
termina a sessão, flores de papelão
passos ágeis , correria, olhares poucos afundam na lama
os garotos felizes a casa , a mãe os espera,
então agradecidos
de um dia pobre , de um mendigo louco
verdadeiro artista de uma estrada de terra..
terça-feira, 23 de setembro de 2014
A EDUCAÇÃO BRASILEIRA E O FAZ-DE-CONTA DAS ESCOLAS
Que já faz um tempo que quase ninguém consegue ensinar ou aprender em nosso país é uma obviedade. Mas o que assusta no momento é a alienação crescente dos jovens estudantes, o descaso de muitos professores e um sistema excludente que privilegia as relações covardes de imposição do poder do mais forte. leia-se do que tem mais dinheiro. A escola vive um faz-de conta em que o professor finge que ensina, o aluno que aprende e todos acabam vítimas de uma apartheid social que durará décadas se nenhuma ação efetiva for realizada agora.
O número de alunos evadidos logo no final do nono ano, tanto quanto no final do terceiro médio é assustador.A sedução por bens eletrônicos em uma sociedade da falsa novidade os leva a abandonarem um espaço ruim, sim péssimo, porque a escola é vista como o lugar da obrigatoriedade, o lugar da lição e o professor como uma pessoa que definitivamente não venceu na vida, porque se tivesse vencido não seria lente, não lecionaria. A evasão ocorre porque a imagem da sedução do consumismo imediato se impõe, então é mais fácil ter o Tênis da moda, ouvir o funk da moda, do que entrar em um local anacrônico, caindo aos pedações, com gente que diz a mesma velha história há muito.
Não são em todos os lugares e nem em todos os casos, mas via de regra, o lugar idílico, platonizado,cinderelizado, este definitivamente está na mente do professor demodê, aquele que ainda acredita que salvará a humanidade, nem salvando a própria pele, e do aluno relapso, parafrástico, que não quer pensar quando provocado e que considera estranho quando outro raciocina sobre um determinado assunto.
Outra questão relevante diz respeito ao ensino nas escolas particulares, que muitos consideram melhor do que o da escola pública. Pesquisas e apontamentos já provaram que não é bem assim, pois a educação e o seu inevitável colapso estão presentes tanto em uma esfera quanto na outra. Todos fingem e ai de quem se aventura a errar, o erro é coisa de gente fraca.A história do erro na educação também é a história da exclusão.
Ademais, percebe-se que este teatro da maldade sempre foi o decodificador das relações sociais de imposição do medo ao mais fraco e, portanto diferente ,bem como da reafirmação da lógica perversa de quem sempre esteve, e provavelmente sempre estará no poder.
Logo, uma escola renovada deve caminhar não pelo caminho da repetição burra (paráfrase) nem pelo estereótipo da salvação de ninguém. Por outro lado deve defenestrar disciplinas dogmáticas e incluir no currículo o ensino da arte-educação via música, teatro, dança em diálogo permanente com o conteúdo ministrado. Outro diferencial pode acontecer se a aula se tornar mais interessante com o ingresso eficiente das novas mídias e democratização da informação. Mas,para que tudo isso aconteça, é importante estar aberto à novidade, e, principalmente, deixar de analisar o erro como defeito, mas vê-lo como possibilidade real de acerto. Enquanto isso não acontece, vale eternamente o perverso faz-de conta.
Que já faz um tempo que quase ninguém consegue ensinar ou aprender em nosso país é uma obviedade. Mas o que assusta no momento é a alienação crescente dos jovens estudantes, o descaso de muitos professores e um sistema excludente que privilegia as relações covardes de imposição do poder do mais forte. leia-se do que tem mais dinheiro. A escola vive um faz-de conta em que o professor finge que ensina, o aluno que aprende e todos acabam vítimas de uma apartheid social que durará décadas se nenhuma ação efetiva for realizada agora.
O número de alunos evadidos logo no final do nono ano, tanto quanto no final do terceiro médio é assustador.A sedução por bens eletrônicos em uma sociedade da falsa novidade os leva a abandonarem um espaço ruim, sim péssimo, porque a escola é vista como o lugar da obrigatoriedade, o lugar da lição e o professor como uma pessoa que definitivamente não venceu na vida, porque se tivesse vencido não seria lente, não lecionaria. A evasão ocorre porque a imagem da sedução do consumismo imediato se impõe, então é mais fácil ter o Tênis da moda, ouvir o funk da moda, do que entrar em um local anacrônico, caindo aos pedações, com gente que diz a mesma velha história há muito.
Não são em todos os lugares e nem em todos os casos, mas via de regra, o lugar idílico, platonizado,cinderelizado, este definitivamente está na mente do professor demodê, aquele que ainda acredita que salvará a humanidade, nem salvando a própria pele, e do aluno relapso, parafrástico, que não quer pensar quando provocado e que considera estranho quando outro raciocina sobre um determinado assunto.
Outra questão relevante diz respeito ao ensino nas escolas particulares, que muitos consideram melhor do que o da escola pública. Pesquisas e apontamentos já provaram que não é bem assim, pois a educação e o seu inevitável colapso estão presentes tanto em uma esfera quanto na outra. Todos fingem e ai de quem se aventura a errar, o erro é coisa de gente fraca.A história do erro na educação também é a história da exclusão.
Ademais, percebe-se que este teatro da maldade sempre foi o decodificador das relações sociais de imposição do medo ao mais fraco e, portanto diferente ,bem como da reafirmação da lógica perversa de quem sempre esteve, e provavelmente sempre estará no poder.
Logo, uma escola renovada deve caminhar não pelo caminho da repetição burra (paráfrase) nem pelo estereótipo da salvação de ninguém. Por outro lado deve defenestrar disciplinas dogmáticas e incluir no currículo o ensino da arte-educação via música, teatro, dança em diálogo permanente com o conteúdo ministrado. Outro diferencial pode acontecer se a aula se tornar mais interessante com o ingresso eficiente das novas mídias e democratização da informação. Mas,para que tudo isso aconteça, é importante estar aberto à novidade, e, principalmente, deixar de analisar o erro como defeito, mas vê-lo como possibilidade real de acerto. Enquanto isso não acontece, vale eternamente o perverso faz-de conta.
domingo, 21 de setembro de 2014
ANTIPOESIA
Quando eu nasci, um anjo debochado
vindo boate, disse: és o antipoeta!
atleta do susto não gritado, pétalas punhos fechados
Eu sou movimento verdes folhas
das páginas amareladas, violão, notas do fogo
O tigre ruge por justiça,
o corpo caído cravado de balas
o riso despudorado inocência ultrajada
Olhos pasmados cheios nos ônibus
olhos de frio, olhos sem brio, olhos cascos dos irmãos vazios
Para que tantos olhos famintos pergunta minha razão
porém meu coração já não pensa
vive o suspiro das injustiças pequenas
como o dia que nasce e ninguém vê
como o leão que ruge no deserto metais
o dia bandeira de quem contesta
segurar o sol em suada testa
como sina por dias melhores
por textos melhores
uma antipoesia de tudo
uma lágrima na pele
Um amor que este falso colar expele
todos que se foram antes da festa sem chão
aqueles que no mundo não se demoraram
todos os dias não vividos calados
todos os caminhos não trilhados
todas as visões construídas
em um impensável bazar
eu nasci, eu beleza nova, logo soul
até quando não mais sou o anti-tudo que me faz mal
vive comigo uma gota da cal
senhor anjo, não preciso de teu fel!
podes virar outras voracidades
poetizar estou belezas estranhas
ser o bélico ser, não morto no ninho
fortaleza do amor.
a antipoesia é minha sina
a sede minha melhor companhia.
vindo boate, disse: és o antipoeta!
atleta do susto não gritado, pétalas punhos fechados
Eu sou movimento verdes folhas
das páginas amareladas, violão, notas do fogo
O tigre ruge por justiça,
o corpo caído cravado de balas
o riso despudorado inocência ultrajada
Olhos pasmados cheios nos ônibus
olhos de frio, olhos sem brio, olhos cascos dos irmãos vazios
Para que tantos olhos famintos pergunta minha razão
porém meu coração já não pensa
vive o suspiro das injustiças pequenas
como o dia que nasce e ninguém vê
como o leão que ruge no deserto metais
o dia bandeira de quem contesta
segurar o sol em suada testa
como sina por dias melhores
por textos melhores
uma antipoesia de tudo
uma lágrima na pele
Um amor que este falso colar expele
todos que se foram antes da festa sem chão
aqueles que no mundo não se demoraram
todos os dias não vividos calados
todos os caminhos não trilhados
todas as visões construídas
em um impensável bazar
eu nasci, eu beleza nova, logo soul
até quando não mais sou o anti-tudo que me faz mal
vive comigo uma gota da cal
senhor anjo, não preciso de teu fel!
podes virar outras voracidades
poetizar estou belezas estranhas
ser o bélico ser, não morto no ninho
fortaleza do amor.
a antipoesia é minha sina
a sede minha melhor companhia.
domingo, 14 de setembro de 2014
O CASO DA PANELA DE ANGU
Contrataram-na
ela, todos sabiam, estava sozinha sete filhos
sete panelinhas teria que encher todos os dias
a patroa, a madama branca não pensou em lhe fazer a alma sofrer
Dizia a princesa loira ,como pode essa gente fazer filho tal qual animal presa ?
ela,a décima nova empregada negra, mulher guerreira, permanecia calada na sala sem canto, sem pranto, sem lagosta
vendo todos os impropérios de sua chefe, sua dona provisória rica de carnês e sabores
coitada da etíope mulher, não sabia ainda o que era a vitória, o que de justo trabalho seria sua verdadeira história.
Recebia uma miséria e comprava angu, sua história, seu prato cru.
Batia em seus filhos de desespero para que dormissem
fazia o alimento sem rima pois fome não dá liga.
acordavam então eles por angu sedentos
ela os alimentava com lágrimas nos olhos, lamento
e depois batia novamente para dormissem e ela esquecesse quem era
o que passavam não entendiam por pouca idade sonhavam guloseimas de verdade
Ela era a panela vazia sem vaidade, de ninguém
o marido havia conseguido na rua um namorada outrem
não ajudava mesmo nada em casa
Um dia, sumira, para alívio dela e dos filhos pequenos
uma dia a justiça chegaria, mas há justiça para quem nada valia?
E ela valia muito, porque angu era seu arsenal de guerra
sua forma de comprar, seu modo de não surtar, suportar
As humilhações, e estas cresciam a cada dia
A madama gostava de máscara de berinjela
fazia sua pele singela
e, naquele mês, de propósito, atrasou o salário
os gritos aumentaram.
Um dia, ela fazia polenta
a madame de raiva não aguenta
e a chama esfomeada, fedida, coitada
qual não foi a surpresa das duas, quando um panela de angu
voou em direção da cara da mulher rica
e fez uma nova máscara, coisa que doía
uma máscara de angu para quem dela carecia
Ela dali sumiu em um golpe de vento
mas a policia sempre acha pobre, intento
seja angu ou ali.
E acharam-na chorando ao pé de sua cama com fome
prenderam-na, bateram em seu corpo
tiraram dela os filhos.
Saiu alquebrada da cadeia,
hoje os filhos lhe são devotos
E sorri sozinha quando se lembra que a justiçam de um pobre nu
muito bem pode ser uma panela de angu.
ela, todos sabiam, estava sozinha sete filhos
sete panelinhas teria que encher todos os dias
a patroa, a madama branca não pensou em lhe fazer a alma sofrer
Dizia a princesa loira ,como pode essa gente fazer filho tal qual animal presa ?
ela,a décima nova empregada negra, mulher guerreira, permanecia calada na sala sem canto, sem pranto, sem lagosta
vendo todos os impropérios de sua chefe, sua dona provisória rica de carnês e sabores
coitada da etíope mulher, não sabia ainda o que era a vitória, o que de justo trabalho seria sua verdadeira história.
Recebia uma miséria e comprava angu, sua história, seu prato cru.
Batia em seus filhos de desespero para que dormissem
fazia o alimento sem rima pois fome não dá liga.
acordavam então eles por angu sedentos
ela os alimentava com lágrimas nos olhos, lamento
e depois batia novamente para dormissem e ela esquecesse quem era
o que passavam não entendiam por pouca idade sonhavam guloseimas de verdade
Ela era a panela vazia sem vaidade, de ninguém
o marido havia conseguido na rua um namorada outrem
não ajudava mesmo nada em casa
Um dia, sumira, para alívio dela e dos filhos pequenos
uma dia a justiça chegaria, mas há justiça para quem nada valia?
E ela valia muito, porque angu era seu arsenal de guerra
sua forma de comprar, seu modo de não surtar, suportar
As humilhações, e estas cresciam a cada dia
A madama gostava de máscara de berinjela
fazia sua pele singela
e, naquele mês, de propósito, atrasou o salário
os gritos aumentaram.
Um dia, ela fazia polenta
a madame de raiva não aguenta
e a chama esfomeada, fedida, coitada
qual não foi a surpresa das duas, quando um panela de angu
voou em direção da cara da mulher rica
e fez uma nova máscara, coisa que doía
uma máscara de angu para quem dela carecia
Ela dali sumiu em um golpe de vento
mas a policia sempre acha pobre, intento
seja angu ou ali.
E acharam-na chorando ao pé de sua cama com fome
prenderam-na, bateram em seu corpo
tiraram dela os filhos.
Saiu alquebrada da cadeia,
hoje os filhos lhe são devotos
E sorri sozinha quando se lembra que a justiçam de um pobre nu
muito bem pode ser uma panela de angu.
sábado, 13 de setembro de 2014
O NOVO ADOLESCENTE QUE NUNCA MENTE
Diz-se religioso
malha na academia da esquina e odeia seu povo
detesta sua mãe, tiraniza seu pai
vive o dia inteiro no vídeo-game e tem certeza de que é capaz
Acha-se melhor que todo mundo
Possui namorada submissa, machista que aprova tudo o que o idiota diz
faz teatro de que aprende algo na escola feliz
é sempre cortês, quase não cola
adora gays, desde que mortos ou despedaçados
negros ama desde que idiotizados
diz hoje frango para não dizer viado
e acha que ninguém entende seu imbecil recado
não sabe nem comer como gente
é parente da maldade , critica quem o ama
faz covardia com sua mina na cama.
Não pensa, porque se pensasse seria pior, uma pena
é zoomorfizado pelo sistema.
Adora sistema de todas as informações
é um idiota ambulante
vende uma imagem de confiante
é pa-pular na região, papo beligerante
fala o que não sabe, palavras desconexas
acha-se o bom da festa
bebe todas, ri do que não se ri
faz ainda na cama xixi
sabe todas as formas de agradar
mentir, dissimular, jogar
mente perversa com cara de adolescente
sua casa cai quando de ti sabemos
seu mundo se esvai porque limitado pequeno
sua tela, sua cor, sua falta de amor
a escravidão de sua família
sua passagem garantida
sua infâmia, sua calúnia
sua falta de compostura te revelarão
falso varão, filho da maldade, pior de todos os irmãos.
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
AURORA DE TODAS AS AURORAS
A enfermeira entra na sala e troca o soro
pin...pin.. pin.. de tanta dor em mim, enjoo
a nonagenária abre o olho e observa a sala
as pálpebras quase cerradas do rosto inchado
de um sentimento vago que vive em quem vai partir
a lembrança do marido gritos cavalos
dos invasivos filhos não queria ter tido
de uma vida não sua por outros vivida
nem por ela ali...assim..,devastação próxima do fim.
Os parentes finalmente se vão, alívio que desce do corredor ao chão.
E ao som do soro vitrola um outro tempo festança
volta ao baile de sua Aurora, menina, pouco mais que criança
um baile diáfano, um dia que em sua vida existiu
um rapaz de muito longe a lhe pedir para gentil
suas faces rubras, suas irmãs risinhos a caçoar
seu pai na viola, era o festeiro, diz que poderia com o moço bailar
e bailam ao som de uma guarânia..(.lá,raláralárárárá., ai que saudades eu tenho dos tempos de aurora....) todos riam lembrança
sua felicidade aos passos de sua primeira dança
infinitos minutos...momentos revisitados
separaram-se olhares então desviados
os olhos dos dois apaixonados
ele a um canto, ela sentindo-se amada
eram então namorados.
Quando dia seguinte, o rapaz vai a sua casa
e pede-lhe a mão...
o pai bonachão
diz sorridente que em sua casa aceitava o varão
desde que desposasse a filha mais velha
costume de outras eras de então
o moço se indignou,olhou nos olhos dela ,
montou no cavalo e se foi
Ele ao longe, dela apenas lagrimas de corrimão
o tempo passou, ela se casou- com os tristes olhos sem esperança
casamento antigo mineiro
havia um tropeiro que gritava o dia inteiro
Uma família que só pensava em terra, dinheiro ...
pin.. pin..pin. lembranças em mim
Ao quarto está de volta
olha mais uma vez o soro,a enfermeira amiga deve voltar
lembra então que ainda está viva e a lembrança deste dia é sua maior forma de amar.
pin...pin.. pin.. de tanta dor em mim, enjoo
a nonagenária abre o olho e observa a sala
as pálpebras quase cerradas do rosto inchado
de um sentimento vago que vive em quem vai partir
a lembrança do marido gritos cavalos
dos invasivos filhos não queria ter tido
de uma vida não sua por outros vivida
nem por ela ali...assim..,devastação próxima do fim.
Os parentes finalmente se vão, alívio que desce do corredor ao chão.
E ao som do soro vitrola um outro tempo festança
volta ao baile de sua Aurora, menina, pouco mais que criança
um baile diáfano, um dia que em sua vida existiu
um rapaz de muito longe a lhe pedir para gentil
suas faces rubras, suas irmãs risinhos a caçoar
seu pai na viola, era o festeiro, diz que poderia com o moço bailar
e bailam ao som de uma guarânia..(.lá,raláralárárárá., ai que saudades eu tenho dos tempos de aurora....) todos riam lembrança
sua felicidade aos passos de sua primeira dança
infinitos minutos...momentos revisitados
separaram-se olhares então desviados
os olhos dos dois apaixonados
ele a um canto, ela sentindo-se amada
eram então namorados.
Quando dia seguinte, o rapaz vai a sua casa
e pede-lhe a mão...
o pai bonachão
diz sorridente que em sua casa aceitava o varão
desde que desposasse a filha mais velha
costume de outras eras de então
o moço se indignou,olhou nos olhos dela ,
montou no cavalo e se foi
Ele ao longe, dela apenas lagrimas de corrimão
o tempo passou, ela se casou- com os tristes olhos sem esperança
casamento antigo mineiro
havia um tropeiro que gritava o dia inteiro
Uma família que só pensava em terra, dinheiro ...
pin.. pin..pin. lembranças em mim
Ao quarto está de volta
olha mais uma vez o soro,a enfermeira amiga deve voltar
lembra então que ainda está viva e a lembrança deste dia é sua maior forma de amar.
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
OS PEQUENOS PODERES
O porteiro barra
a cozinheira joga sal
o embalador embrulha estômago
o gerente berra cal
o açougueiro esparra
o estoquista artista
a atendente valente
Cobra ganha asas e banguelo rir com todos os dentes
manobrista grita
segurança longe
o caixa baronesa
papelada na mesa
falso brilho da copia da cópia
de quem nada lê
mas tem raiva de quem é sem precisar ser
os Pequenos Poderes vida de tristeza
de quem não tem, mas quereria ter.
Look de dançarino de segunda
bala de canhão
a dizer-te não
Cascavel analfabeto não percebe que é caricato
berra a barra de tudo o que pode barrar
para se sentir senhor daquele lugar
para se sentir importante sem nunca estudar
música alta e muito riso da própria miséria
aqui não pode
ali também não
por acaso tens o cartão
lamento senhor
a ficha acabou
e voltam para a casa felizes pela negativa
por terem tratado mal um dos seus
por terem naquela tarde mais uma vez imitarem Deus.
a cozinheira joga sal
o embalador embrulha estômago
o gerente berra cal
o açougueiro esparra
o estoquista artista
a atendente valente
Cobra ganha asas e banguelo rir com todos os dentes
manobrista grita
segurança longe
o caixa baronesa
papelada na mesa
falso brilho da copia da cópia
de quem nada lê
mas tem raiva de quem é sem precisar ser
os Pequenos Poderes vida de tristeza
de quem não tem, mas quereria ter.
Look de dançarino de segunda
bala de canhão
a dizer-te não
Cascavel analfabeto não percebe que é caricato
berra a barra de tudo o que pode barrar
para se sentir senhor daquele lugar
para se sentir importante sem nunca estudar
música alta e muito riso da própria miséria
aqui não pode
ali também não
por acaso tens o cartão
lamento senhor
a ficha acabou
e voltam para a casa felizes pela negativa
por terem tratado mal um dos seus
por terem naquela tarde mais uma vez imitarem Deus.
terça-feira, 9 de setembro de 2014
A GAROTA ADOTADA
Chegaram esbaforidos ao orfanato
não olharam nos olhos da garota e expressaram eterno amor
o marido à esposa eram novamente namorados
A assistente social concluiu o acertado
A papelada chegou pronta para a adoção
Os olhos da garota pela primeira vez brilharam
teria um quarto, um pai, uma mãe, irmãos, televisão
o casal de feliz sorria, abraçaram a menina
diziam nossa nova filha, nosso novo amor.
Qual não foi a surpresa da garota
quando dobraram a esquina expressão do casal era outra
tanto sorriso, tanta festa, agora somente silêncio na rodas
nas falhas do mundo movimento voltas
Sua verdadeira mãe perdida no tempo, não habitava em seus íntimos segredos
nunca existiu, somente a freira que conversava com ela
e os dois irmãos que tanto choraram quando separados na porta do orfanato
Chegaram a casa e já para ela mostraram o quanto dos fundos
frio, triste,pior que o outro da prisão da casa de passagem
calculado exatamente para ela, não era quarto, era de tão frio garagem
E os novos irmãos, onde estavam?
o homem chegou e disse que pela manhã ela os conheceria
e assim foi; ela sorridente se apresentou, todos a olharam e frios mostraram os afazeres do lar
ela não tinha irmão, tinha chefe, trabalhava o tempo todo, e e à tarde,, os irmãos montavam nela como se monta em jegue
gostavam desta brincadeira, ela a mula, ele os que a arreavam, eles donos, ela nula
a garota sem família, agora era doméstica das vezes, cavalo de pau para burgueses
tristeza no escuro de sua fantasia
o casal a exibia como um troféu de misericórdia, como eram bons, fervorosos devotos
Somente quando havia festa podia brincar, tudo maquiado, para que ninguém desconfiasse do que havia.
aqueles não eram irmãos, aqueles não eram pais, tinha todos os dias patrões
e os dias se seguiram tristes, cinzas e pesados
Um dia , pela manha, a mulher gritou, cadê a filha para lhe trazer o café?
Por que ainda não estava de pé?
foi ao quarto e viu lá um corpinho sem vida
a garota agora voava por outras enseadas
tinha família, nuvens,, nos céus de baunilha
agora se sentia gente como parte da natureza que não cobra favores
subiu ao céu em louvores um anjo a recebeu
em seu novo lar sincero,verdadeiro que o mundo daqui daqui jamais lhe deu.
.
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
O NOVO CAPITÃO DO MATO
Íamos já ao terceiro dia para o Quilombo sonho
sabíamos que estava perto, mas não o víamos
subíamos montanhas, descíamos rios
ríamos de pouca liberdade
Sorridente então apareceu um fajuto irmão
gritávamos para que entrasse em nosso grupo
Ele sorriu o sorriso contente, demente
e desceu,
um de nós então nosso gritava que aquele era o capitão-do mato
mas como podia então ser de nossa cor, parecia de nosso lado
tudo de nós tinha, mas os olhos cheios de ódio de nós mesmos não era
corríamos, mas de nada adiantava, não havia espera para usado covarde
Atrás dele bala, cachorro, canhão, a sinhazinha que apontava o leque
estávamos capturados, voltaríamos à senzala
traídos por um irmão bastardo
tempo passa e hoje o capitão do mato anda de carro com os que o odeiam de graça
possui i fone, fala inglês e detesta o próprio nome
é o mais sorridente entre os que na coluna aparece
o mesmo sorriso de outrora, a mesma falta de brio
o mesmo judas que nos traía no rio
nós que ainda andamos a pé, nós não frequentamos salões
nós que sofremos a nova escravidão, nós sabemos quem é você
que nunca foi nosso irmão
você, novo antigo capitão do mato , inimigo das cotas
inimigo das rotas que levam à liberdade
possui um desafinado instrumento e toca para que os te mandam... vamos rapaz, toca!
Sai da toca eletrônico pensa que embranqueceu, vive no meio de uma classe que acredita ser a sua
nós que nos misturamos negros,índios, brancos, não somos tão infames
te mandamos um novo recado
és usado!
anda no meio dos que te suportam, nunca serás um deles, porque és usado por eles
desafina mais uma vez a nota e o ódio do próprio nome
capitão do mato nunca dá vexame,ele é o vexame pois foi embranquecido pelo sistema
nós que não nos vemos em ti, sabemos que logo será substituído por um capitão novo destemido
e quando não tiveres mais ninguém, virás pra nosso lado esmolando vintém
Em nome de nossos ancestrais e de nosso respeito te receberemos como mais um por eles adestrado
mas de cá te avisamos que nunca será um de nós, pois lutamos
enquanto você sempre sobra solitário nas festas, ai de você se passar a linha da velha orquestra
furar o apartheid cínico dos que te oferecem rícino em forma de festa
nós somos os novos donos de nós mesmos
e não mais temos medo de nossa cor, não precisamos rir sem graça e abaixar as pálpebras para seu senhor
te recebemos
e lá no fundo de nossas casas, agradecerás por estares entre nós, por teres no sangue a coragem dos novos guerreiros
para você capitão desafinado, odiento gritamos; basta! O dia da liberdade não tarda,
Por ora lutamos!
sabíamos que estava perto, mas não o víamos
subíamos montanhas, descíamos rios
ríamos de pouca liberdade
Sorridente então apareceu um fajuto irmão
gritávamos para que entrasse em nosso grupo
Ele sorriu o sorriso contente, demente
e desceu,
um de nós então nosso gritava que aquele era o capitão-do mato
mas como podia então ser de nossa cor, parecia de nosso lado
tudo de nós tinha, mas os olhos cheios de ódio de nós mesmos não era
corríamos, mas de nada adiantava, não havia espera para usado covarde
Atrás dele bala, cachorro, canhão, a sinhazinha que apontava o leque
estávamos capturados, voltaríamos à senzala
traídos por um irmão bastardo
tempo passa e hoje o capitão do mato anda de carro com os que o odeiam de graça
possui i fone, fala inglês e detesta o próprio nome
é o mais sorridente entre os que na coluna aparece
o mesmo sorriso de outrora, a mesma falta de brio
o mesmo judas que nos traía no rio
nós que ainda andamos a pé, nós não frequentamos salões
nós que sofremos a nova escravidão, nós sabemos quem é você
que nunca foi nosso irmão
você, novo antigo capitão do mato , inimigo das cotas
inimigo das rotas que levam à liberdade
possui um desafinado instrumento e toca para que os te mandam... vamos rapaz, toca!
Sai da toca eletrônico pensa que embranqueceu, vive no meio de uma classe que acredita ser a sua
nós que nos misturamos negros,índios, brancos, não somos tão infames
te mandamos um novo recado
és usado!
anda no meio dos que te suportam, nunca serás um deles, porque és usado por eles
desafina mais uma vez a nota e o ódio do próprio nome
capitão do mato nunca dá vexame,ele é o vexame pois foi embranquecido pelo sistema
nós que não nos vemos em ti, sabemos que logo será substituído por um capitão novo destemido
e quando não tiveres mais ninguém, virás pra nosso lado esmolando vintém
Em nome de nossos ancestrais e de nosso respeito te receberemos como mais um por eles adestrado
mas de cá te avisamos que nunca será um de nós, pois lutamos
enquanto você sempre sobra solitário nas festas, ai de você se passar a linha da velha orquestra
furar o apartheid cínico dos que te oferecem rícino em forma de festa
nós somos os novos donos de nós mesmos
e não mais temos medo de nossa cor, não precisamos rir sem graça e abaixar as pálpebras para seu senhor
te recebemos
e lá no fundo de nossas casas, agradecerás por estares entre nós, por teres no sangue a coragem dos novos guerreiros
para você capitão desafinado, odiento gritamos; basta! O dia da liberdade não tarda,
Por ora lutamos!
domingo, 7 de setembro de 2014
ORAÇÃO PARA O DIA 7 DE SETEMBRO, DIA DA PÁTRIA.
Ó Pátria amada desfigurada, Ó Pátria de filhos órfãos abandonada
Ó Partia, velho navio fantasma
Ó Pátria, barca imensa des-governada
Ó Pátria que humilha seus filhos, seus rebentos
Ó Pátria, espectro de outros tempos, memória pilhada
Ouvi-nos em nome do pais, dos filhos e de nossas esperanças pequenas
garota solteira deu à luz no terreiro largou os filhos serenos
Espacialidade etérea, acabai de vez com nossa miséria
fazei deste povo guerreiro, seu filho primeiro
Ó Pátria, dos bravos brasileiros combatentes
que labutam valentes na lógica dos juros crescentes
que pagam dívidas sem terem contraído
seu corpo de pátria por todos nós nutrido.
Ó mãe gentil com cara de madrasta
nos valei, sem fazer pirraça
sem escolher este ou outro filho canalha
Sem fazer deste dia de nossa garganta um nó
sem dar em todos nós bofetadas sem dó
nos valei agora, sempre, mais que nada
para que de ti tenhamos sementes
para que de ti sejamos seguros
para que de ti conservemos as mentes
para que de ti tenhamos futuro
para que de ti não sejamos mais uma vez esperança
para que de ti não mais lembrança.
Rogai por nós, simples mortais
quando, mortos em seus punhais
quando baleados, quando maltratados
quando estudados injustiçados, desfigurados
quando ser feliz é um pecado
quando de ti queremos e amamos
O seu nome Brasil
com cara de fuzil
assim te amamos mesmo sem ser amados
não sejas futuro e não sejas passado
Nos faça justiça, Pátria amada
Em favor de seus filhos que te amam que te querem ,coitados.
Ó Partia, velho navio fantasma
Ó Pátria, barca imensa des-governada
Ó Pátria que humilha seus filhos, seus rebentos
Ó Pátria, espectro de outros tempos, memória pilhada
Ouvi-nos em nome do pais, dos filhos e de nossas esperanças pequenas
garota solteira deu à luz no terreiro largou os filhos serenos
Espacialidade etérea, acabai de vez com nossa miséria
fazei deste povo guerreiro, seu filho primeiro
Ó Pátria, dos bravos brasileiros combatentes
que labutam valentes na lógica dos juros crescentes
que pagam dívidas sem terem contraído
seu corpo de pátria por todos nós nutrido.
Ó mãe gentil com cara de madrasta
nos valei, sem fazer pirraça
sem escolher este ou outro filho canalha
Sem fazer deste dia de nossa garganta um nó
sem dar em todos nós bofetadas sem dó
nos valei agora, sempre, mais que nada
para que de ti tenhamos sementes
para que de ti sejamos seguros
para que de ti conservemos as mentes
para que de ti tenhamos futuro
para que de ti não sejamos mais uma vez esperança
para que de ti não mais lembrança.
Rogai por nós, simples mortais
quando, mortos em seus punhais
quando baleados, quando maltratados
quando estudados injustiçados, desfigurados
quando ser feliz é um pecado
quando de ti queremos e amamos
O seu nome Brasil
com cara de fuzil
assim te amamos mesmo sem ser amados
não sejas futuro e não sejas passado
Nos faça justiça, Pátria amada
Em favor de seus filhos que te amam que te querem ,coitados.
sexta-feira, 5 de setembro de 2014
O BAILE DA CIGARRA
Segurava as bolsas na madrugada
de amigas que namoravam
era a tal moça feia calada
os moços não lhe davam três, dois nenhum beijinho
pegavam na mão dela sem carinho
a suportavam é verdade
e ela seguia em sociais migalhas
sorria, cantava e todas cortejadas, exceto ela,
feiura não beijava
os rapazes corriam de sua figura seu nome
era a inexistência que tinha
nas baladas nada,
sozinha
em sala de aula rainha, ajudava as colegas daninhas
porque conhecimento tinha
depois que da professora todas as notas lançava
voltava a ser de todas fiel empregada
quando, à noite, chegava a casa
se calava e no escuro do quarto
sonhava impossíveis companheiros
sapos em príncipes ligeiros
também solteiros
para lhe beijar, lhe entregar a maçã do amor, lhe chamar de meu bem como for
seu Romeu em espelho
então chorava e queria ter respeito por segundos admirada, antes também amada
assim seguia.
Qual não foi então o espanto
quando um dia apareceu na discoteca
de mãos dadas com o mais bonito da festa
desmaios por todas parte, caretas feito lambretas
como podia, ele, o mais bacana da escola
beijar na boca o canhão
na frente de todas e de seu incrédulo irmão
Aquela noite foi dela
namorou o mais bonito que ali estivera
o mesmo que antes nem a via
as colegas quase sem acreditar
o rapaz a sorrir, a lhe beijar
e dançaram a valsa dos amores
em tortas, cambotas flores
grande estilo final de festa
saíram ligeiro do lugar
ela se vingara era de todas a maior cigarra
na rua de baixo,para a motocicleta
o rapaz diz logo, me passa o dinheiro,
ligeiro
ela abre sua bolsa
e lhe entrega as notas
ele limpa o rosto
acelera e vai embora
ela agora tinha um segredo
terminava ali seu degredo
comprara por horas um falso amor como se compra um brinquedo.
de amigas que namoravam
era a tal moça feia calada
os moços não lhe davam três, dois nenhum beijinho
pegavam na mão dela sem carinho
a suportavam é verdade
e ela seguia em sociais migalhas
sorria, cantava e todas cortejadas, exceto ela,
feiura não beijava
os rapazes corriam de sua figura seu nome
era a inexistência que tinha
nas baladas nada,
sozinha
em sala de aula rainha, ajudava as colegas daninhas
porque conhecimento tinha
depois que da professora todas as notas lançava
voltava a ser de todas fiel empregada
quando, à noite, chegava a casa
se calava e no escuro do quarto
sonhava impossíveis companheiros
sapos em príncipes ligeiros
também solteiros
para lhe beijar, lhe entregar a maçã do amor, lhe chamar de meu bem como for
seu Romeu em espelho
então chorava e queria ter respeito por segundos admirada, antes também amada
assim seguia.
Qual não foi então o espanto
quando um dia apareceu na discoteca
de mãos dadas com o mais bonito da festa
desmaios por todas parte, caretas feito lambretas
como podia, ele, o mais bacana da escola
beijar na boca o canhão
na frente de todas e de seu incrédulo irmão
Aquela noite foi dela
namorou o mais bonito que ali estivera
o mesmo que antes nem a via
as colegas quase sem acreditar
o rapaz a sorrir, a lhe beijar
e dançaram a valsa dos amores
em tortas, cambotas flores
grande estilo final de festa
saíram ligeiro do lugar
ela se vingara era de todas a maior cigarra
na rua de baixo,para a motocicleta
o rapaz diz logo, me passa o dinheiro,
ligeiro
ela abre sua bolsa
e lhe entrega as notas
ele limpa o rosto
acelera e vai embora
ela agora tinha um segredo
terminava ali seu degredo
comprara por horas um falso amor como se compra um brinquedo.
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
POSSESSIVAMENTE EU
Minha gargalhada tamanha
meu prato, minha sanha
meu amor de tigre
minha certeza façanha
meu choro coluna
meu sorriso igual
meus passo ligeiro
meu olho casal
minha camisa suada
a palma de minha mão marcada
pelo tempo, pela sombra
por tudo que se vê,
por nada que se quer
meu ouvidos biônicos
meus cabelos pranteados
meu peito que te quer
meu cavanhaque de homem
o meu grito silêncio
o meu silêncio que fala
minha fala que cala
meu navio meu quarto
meu porto meu trato
minha crença descrente
pinha pasta de dente
meu leão marinho
minha cidade caminho
minha fala embargada
meu violão minha cachaça
minha poesia feita de nada
minha sorte, minha piada.
o meu ser feito de ar
minha matéria acabar
minha sala de jantar
meu bom dia, minha noite
meu desejo,meu açoite.
minha poesia feita de nada
minha sorte, minha piada.
o meu ser feito de ar
minha matéria acabar
minha sala de jantar
meu bom dia, minha noite
meu desejo,meu açoite.
PRIMA VERA DE TÃO QUENTE
As mais lindas flores povoam o mundo com dores, odores, amores
a rosa não está prosa porque de vermelha todo mês sente dores
o jacinto sentiu-se só e foi para a terra fofa espirar-se em dó
A dália revoltada virou punk e subiu em barrancos flancos
O crisântemo abriu-se todo para todo polinizado
das bulbilárias suas derradeiras namoradas
o narciso se matou na barra fria e veio contar lorota da vida que não se nota
A margarida toda iludida sorridente é crente neste este mundo indecente
As mais potentes flores povoam o mundo com suas frases de vento, com seus despetalares em cores
A gardênia não sabe falar e quer lecionar para os matutos matos
A tulipas são remendadas em cantos de novas enseadas, transfiguradas caminhadas
o ipê caipira apostou no que queria, ria quando paisagem feia vencia
o jasmim celeste criou novos amores, novas fases de convenção dos açores
lótus que te queremos , lótus de nenhum veneno
a flor-polar se derrete de tanto chorar
a flor-de liz caiu na flora meretriz
a flor da rocha ganha todas as rinhas aposta
a flore sereno seja como flor seja como terreno
As mais sórdidas flores são máscaras suadas de calados calores
A orquídea está em uma cama nágua agonizante
fez o testamento de seus dias, suas fracas rebeldias
o cravo brigou com a rosa e foi tocar música barroca em uma esquina louca
o dente de leão queria tanto se flor que explodiu em inveja
suas partes voaram todas em vapores mas nunca será pétala quem nasceu para ser tétana
as mais frias flores ressuscitam ódio asqueroso sódio
o copo de leite virou de vez vaca e nos brinda com imagem forte em tão fina capa
o beijo de moça agora virou senhora encardida na poeria das amigas daninhas
o coração de flor grita que está só quando é dor, quando é flor, quando no escuro
tece a manhã em primaveras quentes, de repente sementes, amantes novas de um fundo florido fossa
as flores caras são de tão raras espécimes que não se calam
primavera nos dentes, nos pés, nas sementes, primaveras intensas que de primas veras doentes
todas as flores em procissão descem do céu e caem no chão
dos olhos que não as vê, surge um novo pasto chamado jardim em carmins,vermelhos desejos
a primavera está desabafa em vento e no chão derrubada é bala de canhão para a construção de um
shopping novo, estéria estrada de ferro velho nova semente doente..
a rosa não está prosa porque de vermelha todo mês sente dores
o jacinto sentiu-se só e foi para a terra fofa espirar-se em dó
A dália revoltada virou punk e subiu em barrancos flancos
O crisântemo abriu-se todo para todo polinizado
das bulbilárias suas derradeiras namoradas
o narciso se matou na barra fria e veio contar lorota da vida que não se nota
A margarida toda iludida sorridente é crente neste este mundo indecente
As mais potentes flores povoam o mundo com suas frases de vento, com seus despetalares em cores
A gardênia não sabe falar e quer lecionar para os matutos matos
A tulipas são remendadas em cantos de novas enseadas, transfiguradas caminhadas
o ipê caipira apostou no que queria, ria quando paisagem feia vencia
o jasmim celeste criou novos amores, novas fases de convenção dos açores
lótus que te queremos , lótus de nenhum veneno
a flor-polar se derrete de tanto chorar
a flor-de liz caiu na flora meretriz
a flor da rocha ganha todas as rinhas aposta
a flore sereno seja como flor seja como terreno
As mais sórdidas flores são máscaras suadas de calados calores
A orquídea está em uma cama nágua agonizante
fez o testamento de seus dias, suas fracas rebeldias
o cravo brigou com a rosa e foi tocar música barroca em uma esquina louca
o dente de leão queria tanto se flor que explodiu em inveja
suas partes voaram todas em vapores mas nunca será pétala quem nasceu para ser tétana
as mais frias flores ressuscitam ódio asqueroso sódio
o copo de leite virou de vez vaca e nos brinda com imagem forte em tão fina capa
o beijo de moça agora virou senhora encardida na poeria das amigas daninhas
o coração de flor grita que está só quando é dor, quando é flor, quando no escuro
tece a manhã em primaveras quentes, de repente sementes, amantes novas de um fundo florido fossa
as flores caras são de tão raras espécimes que não se calam
primavera nos dentes, nos pés, nas sementes, primaveras intensas que de primas veras doentes
todas as flores em procissão descem do céu e caem no chão
dos olhos que não as vê, surge um novo pasto chamado jardim em carmins,vermelhos desejos
a primavera está desabafa em vento e no chão derrubada é bala de canhão para a construção de um
shopping novo, estéria estrada de ferro velho nova semente doente..
terça-feira, 2 de setembro de 2014
PARA GASTON BACHELARD
O Alpendre imenso alegria da garotada
o telhado quebradiço parque do beija-for
imensa arquitetura desafiava o vento
sua cozinha pequena era o segredo dos que ali viviam
a correria das crianças, aquele sobrinho a gritar na sala de jantar
a vida acontecia em sua paredes iluminadas retratos do sonho
pintados em um teatro de sombras dos momentos vividos
dos dragões em chamas em mãos divertidos
a casa é a arquitetura do sonho e das imensas alegrias e dos nós passados em seus corredores
o quarto reclamava o gozo dos noivos perdidos de amores
No escuro podia-se observar o silêncio que tomava conta das sombras e do feixe de luz deste bendito lugar que entrava na fresta da porta a cantar, nossos olhares incomodados, precisos pouco sonhados
o banheiro menestrel cantava desafinados rouxinóis loucos
o canto no canto saía de casa e voltava rouco
a copa das copas ficava torta de tanta gente que ao mesmo tempo sorria
a dispensa com roedores enfileirados criava o clima que o sábado queria
o barulho das sacolas que abrem e se fecham no ardor do sol de sua passagem sobre a a terra
a casa é a imagem em ouro de outro museu outro mausoléu do passo surdo cordéis
pela manhã, o primo chato, pela tarde esvaziado por todo o tempo calado
a casa com seus velhos retratos pendurados onde não mais se lia a face do não mais existia
a garagem era a saudade dos finais de festa dos que eliticamente se suportavam,
nos muros de uma casa torta de novas mentes, velhas senhoras,fechaduras descrentes que fecham o mundo e guardavam a usura que recriam o quarto em velhas rachaduras
o choro do bebê, o soluçar dos olhos velhos que não se cansaram
o brilho de outros passos nas escadas, a mente do que nos aguardava
dentro da casa havia o ser casa que formado por microbiológicos soldados de esperança e destruição
vivia tal qual caixa chinesa, suas dores, suas certezas de que casa que a casa fica e casa vai
dos tempo em todas mãos e nas paredes de cal.
em seu imenso corpo
em seu devoto triangular rosto pintado de sal.
o telhado quebradiço parque do beija-for
imensa arquitetura desafiava o vento
sua cozinha pequena era o segredo dos que ali viviam
a correria das crianças, aquele sobrinho a gritar na sala de jantar
a vida acontecia em sua paredes iluminadas retratos do sonho
pintados em um teatro de sombras dos momentos vividos
dos dragões em chamas em mãos divertidos
a casa é a arquitetura do sonho e das imensas alegrias e dos nós passados em seus corredores
o quarto reclamava o gozo dos noivos perdidos de amores
No escuro podia-se observar o silêncio que tomava conta das sombras e do feixe de luz deste bendito lugar que entrava na fresta da porta a cantar, nossos olhares incomodados, precisos pouco sonhados
o banheiro menestrel cantava desafinados rouxinóis loucos
o canto no canto saía de casa e voltava rouco
a copa das copas ficava torta de tanta gente que ao mesmo tempo sorria
a dispensa com roedores enfileirados criava o clima que o sábado queria
o barulho das sacolas que abrem e se fecham no ardor do sol de sua passagem sobre a a terra
a casa é a imagem em ouro de outro museu outro mausoléu do passo surdo cordéis
pela manhã, o primo chato, pela tarde esvaziado por todo o tempo calado
a casa com seus velhos retratos pendurados onde não mais se lia a face do não mais existia
a garagem era a saudade dos finais de festa dos que eliticamente se suportavam,
nos muros de uma casa torta de novas mentes, velhas senhoras,fechaduras descrentes que fecham o mundo e guardavam a usura que recriam o quarto em velhas rachaduras
o choro do bebê, o soluçar dos olhos velhos que não se cansaram
o brilho de outros passos nas escadas, a mente do que nos aguardava
dentro da casa havia o ser casa que formado por microbiológicos soldados de esperança e destruição
vivia tal qual caixa chinesa, suas dores, suas certezas de que casa que a casa fica e casa vai
dos tempo em todas mãos e nas paredes de cal.
em seu imenso corpo
em seu devoto triangular rosto pintado de sal.
segunda-feira, 1 de setembro de 2014
A PRAÇA
Aquela praça não é somente esta praça
aquela pracinha são todos os amores e dissabores que por ela ora passam e passaram tortos ou que rancores deixaram
e passaram imensos fatídicos de sua marca
todas as cores , fatos, enxergas em seus bancos sentados
todas as flores por muitos pisadas
todas as gramas de separação choradas
infindo registro da memória do mundo, sua arquitetura
com seus assentos descascados, com meus monumentos pichados imundos
ali um grande amor nasceu e voou como os pássaros
retrato novo de nossos antepassados
o senhor que ali se casou, a menina que viu seu futuro nos olhares
do mancebo
este desejo que percorre décadas, como a velocidade dos carros da espera
o manjar do tempo esconde segredos contratempos
se pudesse falar como as vizinhas falam, falaria de segredos
essa praça seria a maior delatora das melhores e respeitáveis senhôras
O mesmo, banco, a mesma praça
e a tristeza que sorri de graça
a melancolia em versos, cultos, protestos
um palhaço alegre é o morador sublime de seus mistéros
um cão faminto a correr entre antigos jacintos
uma senhora amarga perde a conta de tantas contas rezadas
uma menina agora ensaia para sorrir ao encontrar suas amigas caminhada
um carro novo rasga o vento, o terreno de outros lamentos, e fotos antigas
a praça ali está, mas não há quem a veja
sua presença está para que apenas concreto seja
sua vida de outras eras, gerações inteiras
sua praça de coração, minha praça de emoção
nossa praça que de graça faz o mundo girar, a vida renovar,contar piada
a memória de todos os tempos, a lembrança de áureos bailes
a praça que parece ingrata por ser tumulto, por ser silêncio
por ser de nós todos a expressão do tempo que fica , do tempo que passa
aquela pracinha são todos os amores e dissabores que por ela ora passam e passaram tortos ou que rancores deixaram
e passaram imensos fatídicos de sua marca
todas as cores , fatos, enxergas em seus bancos sentados
todas as flores por muitos pisadas
todas as gramas de separação choradas
infindo registro da memória do mundo, sua arquitetura
com seus assentos descascados, com meus monumentos pichados imundos
ali um grande amor nasceu e voou como os pássaros
retrato novo de nossos antepassados
o senhor que ali se casou, a menina que viu seu futuro nos olhares
do mancebo
este desejo que percorre décadas, como a velocidade dos carros da espera
o manjar do tempo esconde segredos contratempos
se pudesse falar como as vizinhas falam, falaria de segredos
essa praça seria a maior delatora das melhores e respeitáveis senhôras
O mesmo, banco, a mesma praça
e a tristeza que sorri de graça
a melancolia em versos, cultos, protestos
um palhaço alegre é o morador sublime de seus mistéros
um cão faminto a correr entre antigos jacintos
uma senhora amarga perde a conta de tantas contas rezadas
uma menina agora ensaia para sorrir ao encontrar suas amigas caminhada
um carro novo rasga o vento, o terreno de outros lamentos, e fotos antigas
a praça ali está, mas não há quem a veja
sua presença está para que apenas concreto seja
sua vida de outras eras, gerações inteiras
sua praça de coração, minha praça de emoção
nossa praça que de graça faz o mundo girar, a vida renovar,contar piada
a memória de todos os tempos, a lembrança de áureos bailes
a praça que parece ingrata por ser tumulto, por ser silêncio
por ser de nós todos a expressão do tempo que fica , do tempo que passa
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