domingo, 28 de setembro de 2014

DA CARTAS SEM COMUNICAÇÃO

Todas as cartas endereçadas no exílio são para ti
garrafas com mensagens que nadam contentes em mim
toda a gente sabe que  verso é objeto do amor
estas missivas em choro abafado em fios telegrafados
aviões que percorrem imensas nuvens de poeira alados
estradas  antigas, novas, pessoas, cachoeiras
a intervenção da mensagem que corta  zoeira
Para ti, que sofre em uma sala fechada esse pranto
a dor da ignorância e da brutalidade dos falsos santos
o canto é carta que explode na prisão
o grito comunicação do sofrimento
o lamento carta que de ti que sair
o melhor das coisas rastejam em si
Esse testamento deixado em uma bueira
é nossa herança primeira
código morse, telefones com frio
wat sap do abandono de teus parentes vazios
melhor teres o bolso cheio que conversar
comunicação com os outros vale tempo vale ouro
comunicação na televisão bijuteria sem tesouro
composição das imagens fotografadas   andam nas paisagens  cinema
O livro órfão no ponto de embarque sozinho perdido
esse perdido ser que não encontra quem o lê
fumaças de fogo a comunicar o velho continente
o e-mail a desesperar a ansiedade remetente
o facebook monólogos de alegria artificialmente
o orkur nosso velho parente
o jornal vitrina dos escândalos fatais
a palavra de um humano escorregou nas torneira em ais
em velhos desertos da fala se tornou primeira
a comunicação solilóquios da solidão da fala inteira
esses tempos de aversão ao outro são exemplos da falta
premissas em forma de velhas cartas
Esse exílio  em mim, quando em ti o sol rebentar
e mostrar novos raios, fibras ótimas,  dedos de prosa
novas formas óticas de dizer o que já se sabe
novos sorrisos, novos pontos de embarque
este poema sem destinatário é o mar da luz que nos invade.


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