segunda-feira, 8 de setembro de 2014

O NOVO CAPITÃO DO MATO

Íamos já ao terceiro dia para o Quilombo sonho
sabíamos que   estava perto, mas não o víamos
subíamos montanhas, descíamos rios
ríamos de pouca liberdade
 Sorridente então apareceu um fajuto irmão
gritávamos para que entrasse em nosso grupo
Ele sorriu o sorriso contente,  demente
e desceu,
um  de nós então nosso gritava que aquele era o capitão-do mato
mas como podia então ser de nossa cor, parecia de nosso lado
tudo de nós tinha, mas os olhos cheios de ódio de nós mesmos não era
corríamos, mas de nada adiantava, não havia espera para usado covarde
Atrás dele bala, cachorro, canhão, a sinhazinha que apontava o leque
estávamos capturados, voltaríamos à senzala
traídos por um irmão bastardo
tempo passa e hoje o capitão do mato anda de carro com os que o odeiam de graça
possui i fone, fala inglês e detesta o próprio nome
é o mais sorridente entre os que na coluna aparece
o mesmo sorriso de outrora, a mesma falta de brio
o mesmo judas que nos traía no rio
nós que ainda andamos a pé, nós não frequentamos salões
nós que sofremos a nova escravidão, nós sabemos quem é você
que nunca foi nosso irmão
você, novo antigo capitão do mato , inimigo das cotas
inimigo das rotas que levam à liberdade
possui um desafinado instrumento e toca para que os te mandam... vamos rapaz, toca!
Sai da toca eletrônico pensa que embranqueceu, vive no meio de uma classe que acredita ser a sua
nós que nos misturamos negros,índios, brancos, não somos tão infames
te mandamos um novo recado
és usado!
 anda no meio dos que te suportam, nunca serás um deles, porque és usado por eles
desafina mais uma vez a nota e o ódio do próprio nome
capitão do mato nunca dá vexame,ele é o vexame pois foi embranquecido pelo sistema
nós que não nos vemos em ti, sabemos que logo será substituído por um capitão novo destemido
e quando não tiveres mais ninguém, virás pra nosso lado esmolando vintém
Em nome de nossos ancestrais e de nosso respeito  te receberemos como mais um por eles adestrado
mas de cá te avisamos que nunca será um de nós, pois lutamos
enquanto você sempre sobra solitário nas festas, ai de você se passar a linha da velha orquestra
furar o apartheid cínico dos que te oferecem rícino em forma de festa
nós somos os  novos donos de nós mesmos
e não mais temos medo de nossa cor, não precisamos rir sem graça e abaixar as pálpebras para seu senhor
te recebemos
e lá no fundo de nossas casas, agradecerás por estares entre nós, por teres no sangue a coragem dos novos guerreiros
para você capitão desafinado, odiento gritamos; basta! O dia  da liberdade não tarda,
 Por ora lutamos!



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