PARA MIM E PARATI
Para todos os porcos soltos em derrubadas mandíbulas suíças
a sujeira da linguagem a desmistificar a falsa lealdade da gramática boliça
para todas as cenas súbitas: alcatrão mel com limão e desditosa paciência
para mim, imagens de nosso tempo
para-ti, das cidades uma linda e literária essência
Para todo não na hora da resignação
para o sim essa dúvida imensa que há em mim
para toda guitarra dos mais belos sons de cigarras
para essa cabeça baixa o dia que termina, o amanhã que não tarda.
para todo corpo ruído de costas
as chamas imensas das palavras façanhas postas
para que o medo não mais as demonstrassem novas
em seu olhar no chão ou no mirante
a beleza da captação breve do instante
esse ínterim em mim
esse mistério todo feito de ti
sábado, 28 de março de 2015
sobre o sábado
Um homem sem caráter é como uma vaca sem mugido
uma vaca sem mugido é como uma pedra sem silêncio
uma pedra sem silêncio é como uma faca sem sua lâmina
uma faca sem sua lâmina é como uma fofoqueira desdentada.
Uma fofoqueira desdentada é a eterna notícia atrasada
uma notícia atrasada é um cavalo empacado
um cavalo empacado somos nós em tamanho natural
ser em tamanho todas as falsas virtudes desse mundo desigual
ser apenas mais um número nessa imensa representação que nos leva à caríssima invenção do nada.
ser generoso por aqui é coisa de bobo, tolo mesmo piada
daqueles que se sentiram retraídos quando o mundo todo aplaudiu a burrice que sai dos tubos de imagem ou nas gargalhadas sem coragem
de tão ridículas cômicas, de tão sórdidas pouco econômicas.
Um homem sem dignidade é como um piada desagradável que invade o dia e toma conta de toda a luz desse dia divino de sábado...
uma vaca sem mugido é como uma pedra sem silêncio
uma pedra sem silêncio é como uma faca sem sua lâmina
uma faca sem sua lâmina é como uma fofoqueira desdentada.
Uma fofoqueira desdentada é a eterna notícia atrasada
uma notícia atrasada é um cavalo empacado
um cavalo empacado somos nós em tamanho natural
ser em tamanho todas as falsas virtudes desse mundo desigual
ser apenas mais um número nessa imensa representação que nos leva à caríssima invenção do nada.
ser generoso por aqui é coisa de bobo, tolo mesmo piada
daqueles que se sentiram retraídos quando o mundo todo aplaudiu a burrice que sai dos tubos de imagem ou nas gargalhadas sem coragem
de tão ridículas cômicas, de tão sórdidas pouco econômicas.
Um homem sem dignidade é como um piada desagradável que invade o dia e toma conta de toda a luz desse dia divino de sábado...
quinta-feira, 19 de março de 2015
DA ÁGUA
DA ÁGUA
Traz quando corre imensos seios amontanhais
a nascente jorrada toda em forma de aquosa progenitora
doirando o mundo , sorriso espelho refletido que nos tostou muito a toda hora, tão quente a mente de forma criadora.
Traz quando corre imensos seios amontanhais
a nascente jorrada toda em forma de aquosa progenitora
doirando o mundo , sorriso espelho refletido que nos tostou muito a toda hora, tão quente a mente de forma criadora.
domingo, 8 de março de 2015
A TUA VIDA É UMA FARSA
A tua vida é uma farsa
brincas de boneca com tua própria desgraça
tua risada amarga,esse teu café de graça
esse seu olhar de quem tem sobrenome
quando de ti a cidade inteira ri, berra calada
A tua vida é uma farsa
desde que nasceste para servir a um asqueroso ingrato
quando seus filhos gritam contigo no fogo do que assas
quando preferes subir a pé a montanha do machismo enxovalhada
A tua vida é uma farsa porque sabes que és enganada
e dizes absurda, não raro, que isso é coisa de homem
e que homem foi criado para mandar em tua raça
Para teu macho tua vida não existe
ele faz de ti uma nova moderna eletrônica escrava
carro, pulseiras coloridas, filhos na escola particular
esse seu nojo dos mais fracos é uma nódoa colocada em teu olhar
A tua vida é uma farsa
e teu martírio é tua sede, quando és a mais enganada,
Quando sabes o que acontece
debaixo de tuas pálpebras
Quando debochas do ouro das mulheres que encontraram a liberdade
A tua vida é uma farsa, porque a de tua mãe também assim foi
a de tua vó de tua bisavó e repetes, estúpida, sua terrível manada
A tua vida é uma farsa, então acorde, corrija sua terrível estrada.
Então grite forte com quem te oprime, passe a ter opinião
és mulher e vieste em uma só encarnação
então transforma em liberdade essa tua triste alegre, fantasiosa prisão..
brincas de boneca com tua própria desgraça
tua risada amarga,esse teu café de graça
esse seu olhar de quem tem sobrenome
quando de ti a cidade inteira ri, berra calada
A tua vida é uma farsa
desde que nasceste para servir a um asqueroso ingrato
quando seus filhos gritam contigo no fogo do que assas
quando preferes subir a pé a montanha do machismo enxovalhada
A tua vida é uma farsa porque sabes que és enganada
e dizes absurda, não raro, que isso é coisa de homem
e que homem foi criado para mandar em tua raça
Para teu macho tua vida não existe
ele faz de ti uma nova moderna eletrônica escrava
carro, pulseiras coloridas, filhos na escola particular
esse seu nojo dos mais fracos é uma nódoa colocada em teu olhar
A tua vida é uma farsa
e teu martírio é tua sede, quando és a mais enganada,
Quando sabes o que acontece
debaixo de tuas pálpebras
Quando debochas do ouro das mulheres que encontraram a liberdade
A tua vida é uma farsa, porque a de tua mãe também assim foi
a de tua vó de tua bisavó e repetes, estúpida, sua terrível manada
A tua vida é uma farsa, então acorde, corrija sua terrível estrada.
Então grite forte com quem te oprime, passe a ter opinião
és mulher e vieste em uma só encarnação
então transforma em liberdade essa tua triste alegre, fantasiosa prisão..
sábado, 7 de março de 2015
A BREVE INTERRUPÇÃO DO FIM
O suspiro último que darias cessa interrompido
o silêncio que fazes agora esmiúça teus segredos
A breve interrupção do fim é a palavra que se perde no desejo
a mosca reviravoltada sobe as escadas do teu tríplice degredo
as hienas mortas de tanto sorrirem sobre o papel conteudista do medo
a vida pouco vivida e vívida de tanto esquecida nos irrealizados meneios
A breve pausa que rola escada abaixo tártara
a pouca flor que da vida nova se cala
O tempo que está na pele da folha ou no filtro de Deus.
lençóis de nuvens a criar em teus dias os sonhos teus
de outros assim pequenos toscos nos desditosos carnavais.
Ser o fim interrompido por decreto
ser o amor misteriosamente incompleto.
Ser um ser que clama por justiça
em um dia em que matas a fala da covardia
O segundo há na plenitude do silêncio
como carne nova, assada com coentro
Não dura porque a vida é dura
não cala porque pouco a pouco de ti fala.
então vives por um átimo da cal imensamente no átomo do sal
em pequenas convulsões seus medos, seus contraditórios pejos
sua via incompleta por um tempo que criaste para ti e em si
a pequena morte diária do que existe e insiste por segundos em não ser
a continuidade morta do inexplicável dever
a vida que vive e morre ti e nos outros
a essência desses versos poucos
a caminhada sob as lamparinas quebradas
a corrida das bicicletas famintas por tigres carregadas
a vida em um segundo para e repara que o tempo jamais se extinguirá
em tua cor, teu amor e na infinita potência de tua dor.
o silêncio que fazes agora esmiúça teus segredos
A breve interrupção do fim é a palavra que se perde no desejo
a mosca reviravoltada sobe as escadas do teu tríplice degredo
as hienas mortas de tanto sorrirem sobre o papel conteudista do medo
a vida pouco vivida e vívida de tanto esquecida nos irrealizados meneios
A breve pausa que rola escada abaixo tártara
a pouca flor que da vida nova se cala
O tempo que está na pele da folha ou no filtro de Deus.
lençóis de nuvens a criar em teus dias os sonhos teus
de outros assim pequenos toscos nos desditosos carnavais.
Ser o fim interrompido por decreto
ser o amor misteriosamente incompleto.
Ser um ser que clama por justiça
em um dia em que matas a fala da covardia
O segundo há na plenitude do silêncio
como carne nova, assada com coentro
Não dura porque a vida é dura
não cala porque pouco a pouco de ti fala.
então vives por um átimo da cal imensamente no átomo do sal
em pequenas convulsões seus medos, seus contraditórios pejos
sua via incompleta por um tempo que criaste para ti e em si
a pequena morte diária do que existe e insiste por segundos em não ser
a continuidade morta do inexplicável dever
a vida que vive e morre ti e nos outros
a essência desses versos poucos
a caminhada sob as lamparinas quebradas
a corrida das bicicletas famintas por tigres carregadas
a vida em um segundo para e repara que o tempo jamais se extinguirá
em tua cor, teu amor e na infinita potência de tua dor.
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