sábado, 7 de março de 2015

A BREVE INTERRUPÇÃO DO FIM

O suspiro último que darias cessa interrompido
o silêncio que fazes agora esmiúça teus segredos
A breve interrupção do fim é a palavra que se perde no desejo
a mosca  reviravoltada sobe as escadas do teu tríplice degredo
as hienas mortas de tanto sorrirem sobre o papel conteudista do medo
a vida pouco vivida e vívida de tanto esquecida nos irrealizados meneios
A breve pausa que rola escada abaixo tártara
a pouca flor que da vida nova se cala
O tempo que está na pele da folha ou no filtro de Deus.
lençóis de nuvens a criar em teus dias os sonhos teus
de outros assim pequenos toscos nos desditosos carnavais.
Ser o fim interrompido por decreto
ser o amor misteriosamente incompleto.
Ser um ser que clama por justiça
em um dia em que matas a fala da covardia
O segundo  há na plenitude do silêncio
como carne nova, assada com coentro
Não dura porque a vida é dura
não cala porque pouco a pouco de ti fala.
então  vives por um átimo da cal imensamente no átomo do sal
em pequenas convulsões seus medos, seus contraditórios pejos
sua via incompleta por um tempo que criaste para ti e em si
a pequena morte diária do que existe e insiste por segundos em não ser
a continuidade morta do inexplicável dever
a vida que vive e morre ti e nos outros
a essência desses versos poucos
a caminhada sob as lamparinas quebradas
a corrida das bicicletas famintas por tigres carregadas
a vida em um segundo para e repara que o tempo jamais se extinguirá
em tua cor, teu amor e na infinita potência de tua dor.


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