sábado, 30 de agosto de 2014

O MUNDO QUE NÃO VÊS

As flores cantam em seu imenso silêncio de abraços aracnídeos
as folhas da planta ensaiam figuras no ar e as repelem para que  novos desenhos surjam junto ao sol que cria um quadro vivo a desenhar-se, apagar-se ao sabor do vento
os grilos correm da chuva que desatada vai cair em trovoadas vingadas e repelidas pela poeira da estrada
as raízes, essas velhas senhoras de brancos cabelos longos, esperam modernas, e prendem à planta a terra garantidora do outono e da renovada primavera
uma abelha voa em jatos e mísseis, uma abelha protetora do mel e das formas físseis
as arvores doiram a estrada em cabelos imensos,
as borboletas são trevos voadores, trazem a sorte da vida e da esperança novos amores
os insetos são jatos secretos que na palma do corte da jasmim, a pensar o impensado a rir de tudo não planejado
o redemoinho qual rocambole voador levanta a raiva das favas e leva às larvas o pólen
 o grande amor
um dente de leão sorriu e abriu um leque novo e voou em pará-quedas na amplidão
a vida pulsa em um dia que não há quem o veja,  existe nele somente quem dele seja
um rouxinol canta em um canto o som mais sublime da madrugada
esse pássaro que funda o mistério da escuridão da noite que recebe com  boas vindas a alvorada
na estrada onde nada se percebe a vida é pesada, a solidão é leve com o perfume que exala
A terra a anciã que abarca todos os filhos de graça, levanta-os e ao final recebe-os como a mãe que deixa o filho lutar em outras guerras, outras esferas, para depois em seus cabelos acariciar aquele que a si voltou, morto de fome, desejoso de filial amor
a cor pinta o novo mundo que existe aqui neste quintal de fundo, nesta via, nesta praça, onde há vida, onde há sementes que ensaiam sair da terra, para explodirem em nova guerra
uma vespa crespa assiste ao passar das horas, uma lagarta exata circula números de de álgebra matéria
não ter medo do fim nem do início, ser apenas vivo e imenso em tudo isso, requerer para si o primoroso som que precedeu o fim, que do caos nasce imenso em toda a manhã
as coisas que ditas pequenas seguem a rica conhecidos esquemas que não vê o ser humano,este imenso prepotente que somente procura ser
mas como não dependem dele, as formas são novas e precárias.
encontram-se no mundo todo e neste pedaço de quase tudo, quase nada.




sexta-feira, 29 de agosto de 2014

DA FELICIDADE DE SER UMA MULHER BRASILEIRA


A cada 4 minutos uma mulher brasileira é assassinada
56 por cento dos homens já cometeram algum tipo de violência contra uma mulher
E todos riem e gritam gol , viva o país da piada! Onde discutir , abrir debate não pode, pode sim uma infeliz terrível gargalhada.
O comediante idiotizado diz que mulher feia deve ser por imbecis estuprada
O mesmo comediante é rei da noite da família brasileira americanizada
A garota vítima de bulling deve então ficar calada
se ela resolve então ir a um show com roupas menores está pedindo a violência, como se divertir em pais medieval fosse, para elas, uma imensa indecência
todos riem o tempo todo daquilo que não tem graça
e grassa em nosso cotidiano uma vida ruim da mulher pobre, negra e que ainda passa fome
isto não deveria ser poema, deveria ser discussão, mas em um lugar onde se joga tudo para escanteio, a mulher virou para o homem brasileiro, seu melhor recreio,sua assassina distração,
este então se comove e diz que ela o irritou, e assim, simplesmente matou sairá da cadeia e matará quantas mais odeia porque matar
mulher aqui é diversão
O sanguinário brasileiro ri da Maria da Penha e diz que mulher também, bate
o covarde desconhece que mulher historicamente sempre foi sua bala de canhão
muitas mulheres não conhecem o amor, vivem em plena dor a própria vida,a perda de seus filhos, vivem caladas a segurar um relação que dará em nada
E todos riem e gritam gol! viva o país da piada
e todos depois que matam suas mulheres vão jogar sinuca até conseguirem uma mais nova que lhes faça as vontades
mulher tem demais,dizem eles, e eles pegam à vontade
mulher não é massa de tomate e precisa ser respeitada
mulher não é algo que se pegue e depois jogue na rua
mulher é um ser humano que também tem direitos
mas falar em direito com quem aprendeu a matar desde o berço
parece surreal
o homem macho brasileiro ainda é dono de seu quintal
viva Maria da Penha e todas as mulheres que disseram não a este tipo de sujeito
viva o futuro com mais amor, mais respeito
viva um país que não pode ficar deste jeito

O POEMA-POEMA

o poema-esculhambação ri do poeta amigo de todos, nosso irmão
o poema-profecia, subiu aos céus, caiu da laje, quem diria
o poema-denúncia está em casa, é  renúncia
o poema-relógio manga do tempo, ri das horas contento
o poema-lição está casado com a ingratidão
o poema-estribilho corre de si, do próprio brilho
o poema-caverna está fechado eterna gruta mistério
o poema-lírio poetizava no delírio
o poema-estrada circula nas vias do nada, sofre na calada
o poema-dicionário faz do poeta um grande otário
o poema-quermesse suplica que ar lhe deem, que desça do mundo  que lhe leem
o poema-construtor já se tornou doutor
o poema-empregada ouve rádio de raiva danada
o poema-madame bebe gasolina e dá vexame
o poema-criança imita o que lhe vem
o poema-esperança não arrecadou nada de ninguém
o poema-professor gritou tanto que suou
o poema-candidato  exige para si novo trato
o poema teatro encena da vida seu retrato
o poema surdo foi ao Iraque curdo
o poema-babel está nas línguas de papel
o poema-isaura fica diante do piano, contanto tristes enganos
o poema-indecente só vira poema depois que o poeta o entende
o poema-confusão bebeu muito, brigou briga ruim, caiu no chão
o poema- escuta trava batalha futura
o poema-solução se entupiu de remédio na prisão
o poema-cantor possui voz canora, é locutor
o pema-tristeza diz de flores velhas, novas certezas
o poema-poema vive em cada um de nós, nosso, com nossos problemas.



SAMBADO DA MULHER TRAÍDA

A mulher traída  vive quando não tem vida
cria em casa falsa vida , a ilusão de que só com  outra isso acontece
desce a rua de barro gritando que é feliz
a mulher traída é tudo menos meretriz
calcula o preço da traição, duas traíras na bodega do coração
mulher traída...mulher traída
você  inveja quem ainda du vida
mulher traída, mulher traída
ainda há de ver cessarem-te a vida
esse modelo velho de mulher do perdão
 diz que  prefere não ouvir o que todo mundo já sabe
é a última a saber porque não quer saber
e se contarem o bicho pega, sem saber, ela espera, mas espera o quê?
porque mulher traída que é bem traída
usa burca nos ouvidos da delação premiada
a mulher traída agora até tem empregada
mulher na cama, piada na via, na quebrada
mulher traída quer mesmo  ser assim
não quer dignidade e diz da avançada idade
a mulher traída acredita  não presta
acredita que é velha para novamente se casar
acredita que vale menos , acredita no que lhe convém
mulher traída adora fazer neném
quer dizer de tudo menos do que desconfia
jamais vai além do triste dia
a mulher traída é a que exige fidelidade
e é traída à vontade
sabe disso mas não quer saber
gente chata quer lhe contar
gente invejosa sua paz particular
mulher traída, mulher traída
cria coragem e muda de vida
mulher traída , mulher traída
perca a calma que a vida é vida
mulher traída que se preza
vai criar um nova geração de traição
para que também nasçam dela novos traidores
novos senhores que tudo podem, novas mulheres a tomar calmante
ai destas se tiverem amantes
mulher trepida na calha
toma valium que lhe valha
ri entre os dentes e depois se cala
diz que decente, inteligente, coerente
mas sabe que mente
mulher traída, mulher traída
veja a sua raiva e muda a desdita
mulher traída, mulher caída
não viva de trapos, viva de vida.










quinta-feira, 28 de agosto de 2014

QUANDO O DIA DO QUERER VOLTAR

Se engordas te querem magro
se revoltas te querem calmo
se abacaxi te querem uvas lá
se és calor te querem chuvas cá
se és maior te querem pequeno
se és pequeno não te querem  terreno
quando o dia do querer voltar
borboletas de fogo irão cantar seus versos de descontentamento
se vais para o trabalho és nariz em pé
se és nariz em pé te querem no chulé
se és chulé te querem café
se és café te querem arroz-doce
se é arroz-doce te querem chocolate amargo
se é amargo riem de ti um bocado
Quando o dia do querer voltar
plantações de tranças irão despencar como tsunamis de aço
Se foges da gritaria te cobram silêncio
se te calas querem  que fales
se tens falo  te querem virgem
se é virgem te querem rinoceronte
se é mulher te querem prisioneiro
se é prisioneiro te querem o dia inteiro
Quando o dia do querer voltar
cordas de violão e avião em nuvens de choro hão de desejar este decoro
se curtes a chuva te querem viúva
se passeia a cavalo te querem soldado
se és classe c te querem deter
se és da classe a vão te agradar
se és gentil te querem revoltado
se és revoltado te querem alado
se es lado falam mal de ti um punhado
Quando o dia do querer voltar
poças anáguas irão suspender as saias de  novas Marylins feias nas vilezas da madrugada
bocas hortas irão rir de sua dentadura torta
esse poema foi feito para aquele que não se nota
Quando o dia do querer voltar
espero não mais aqui estar.



MEU PAI, MEU HERÓI

O filho era a graça da família, todos riam, debochavam do garoto e este se sentia feliz, achava-se  por isso importante
mas não riam com ele, mas dele e de suas respostas rápidas, de seu jeito que incomodava, incomodava?
diziam, assim, ele filho do Alceu, sei não, desatavam a caçoar, mas debochar de quê?... e o garoto não entendia  e continuava a sorrir, a declamar poesia
O menino gostava de ajudar a mãe nos afazeres do lar, diferente dos outros garotos de rua
que berravam com o pais e reclamavam uma sorte que não tinham, uma sorte sem sorte de meninos que agrediam, e assim eram premiados, por serem agressivos, por serem covardes como o pais
Ao longe, podia-se ver o garoto triste e com poucos amigos a cantar
a  mãe estava do seu lado, era o seu pilar
Se as pedras dissessem da covardia do mundo, elas nos contariam um segredo de amor
tanto foi que bêbado, naquela noite, o pai chegou
a mãe no quarto rezou, porque o garoto estava limpando as vasilhas do jantar
os olhos do menino se iluminaram..., seu pai, seu herói enfim chegava, iria um poema novo declamar
iria contar mais uma história para o pai , aquela que os filhos limitados dos idiotas vizinhos não ousariam , nem criatividade tinham para falar, sequer chilrear
Meu Pai, meu herói,meu  pai, minha coragem, meu pai, minha sorte neste mundo,meu pai, minha amizade, meu pai, eu te amo ,e assim correu ao abraço  que seria terno do progenitor, este então o repeliu com nojo , com ardor
o garoto mais uma vez não entendeu porque tudo o que fazia causava  raiva geral
o pai dizia  que preferiria ter criado filho animal a semelhante criatura
a mãe sobressaltada sai do quarto e tentar aplacar a exclusão
não encoste a mão no garoto, ela conhecia do ódio a razão
o menino, tenta abraçar mais uma vez o pai, recebe  então um tapa, um murro na cara
e cai...
as flores se vingariam se pudessem , mas não puderam e fugiram caladas da dor que ali vivia
o pai pisa na cabeça do garoto, e seu corpinho somente o chão agora vai agora querer
a mãe corre, tenta aplacar, leva também um safanão, entram em luta
mas o destino quis assim, param  a briga e no chão somente um corpinho sem vida
a vida do menino pelo pai tirada, a vida que para todos não valia nada
Correram ao hospital, tarde demais, o canto não havia, a vida não havia, o sorriso não mais teria
o pai matara o filho e este agora cantava em outros muros, outros reinos sem quintal
a televisão fez alvoroço do pai que matara o  filho ainda moço
chegam , perguntam e questionam
o pai agora sóbrio e atrás das grades, diz por fim e com seriedade, que não se arrependia pois matava no berço sua pior cria
filho bom é filho que berra, bate,bebe , grita, chuta cachorro,desespera..., mas aquele menino do Alceu, somente existia,,, era um garoto que tinha no no pai a alegria do dia
tantos pai heróis de mentira, tanta covardia em tantas casas, tanta tristeza com cara de verdade
tantos alceus,
tantas lições mal dadas com tapas na cara de filho que eu mato porque  é meu.



quarta-feira, 27 de agosto de 2014

PROFUNDA E NECESSÁRIA REFLEXÃO SOBRE A INEXISTÂNCIA SUBLIME DO OBJETO E DO SUJEITO DENOMINADOS TEMPO

a água é tempo na clepsidra moderna
o sol é tempo na pele doirada
a vida é tempo na pele rachada caverna
a ampulheta é tempo na areia esvaziada
a casa é tempo nas portas e janelas fechadas
o nome é tempo quando quando já não se diz mais nada
pássaro é tempo em eterna revoada
beijo é tempo na face  enamorada
relógio é tempo quando há uma vida marcada
tristeza é tempo para nova descoberta
cansaço é tempo de viver sobre a terra
miséria é tempo que vem de outras eras
badalar é tempo de um sino que medra
garoto é tempo em um homem em espera
flor é tempo de antiga primavera
trabalho é tempo e contrário de quase nada
momento é o tempo de intimidade
banco é tempo da memória na praça
anciã é tempo passado e pressente
cabelo é tempo de receber novo pente
dente é tempo de morder traça
movimento é tempo quando o tempo já não basta
prédio é tempo de tijolo em tijolo
carro é tempo de fumaça e de  fogo
grávida é tempo de saber de um novo ser
a vida é tempo de se ter o que se vê
esperança é tempo de eterna lembrança
esse poema é tempo de espinho e da flor que dança
essa lucidez é tempo de levantar da sua cama
esse sorriso é tempo de um tempo novo que encanta.


terça-feira, 26 de agosto de 2014

CLAUDIONOR, AMIGO DO DOTÔ

Seu Claudionor e esposa Mercês possuem cinco filhos e moram em um cômodo cedido pela arquidiocese do bairro. O homem faz um bico aqui, outro ali e , às vezes, arranja um trabalho, permanece um tempo no labor e depois de algum transcorrido ou é demitido por não ir trabalhar, ou se cansa mesmo da lida e sai. O Seu Claudionor disse que está muito feliz este ano,pois diferente do anos anteriores quando  só podia contar com a ajuda do governo federal, este ano há fartura em casa. Onde antes faltava de tudo, agora não falta mais nada.
A esposa de Seu Claudionor é um caso  a parte, mulher guerreira, sempre procura participar das reuniões do bairro e se encontra ,não raro, disposta a discutir as Políticas Públicas que podem ser implementadas na região onde moram. O homem chega da rua bêbado e pegunta as cinco bocas abertas e esfomeadas, sim esfomeadas...  mesmo com ajuda nova, onde está a mãe. Logo a Xiquita, a mais velha e bem parecida com pai responde que hoje está acontecendo uma reunião com os líderes comunitários, e que a mãe por ser a representante da comunidade vai apresentar uma nova proposta para a melhoria do aglomerado. O homem se irrita... mas eu tinha dito a Mercês... olha.Mercês...dotozinho teve aqui semana passada e disse que num precisa participá de assembreia não...mas a sua mãe não ouve fia... o dotô disse que basta  votar nele que as coisa se ajeita, mas essa muié é ordinária mesmo,.. mania de querer ser gente... ah quando ela chegá nóis resolve...
Seu Claudionor já conhece os hábitos curralescos do local,quando em toda véspera de eleição, ele, o doutorzinho bem nascido aparece e oferece toda sorte de ajuda. A esposa de  Seu Claudionor já havia dito,  e não sem razão, que isto é errado, que dinheiro público deve servir para a construção de projetos que possam melhorar a vida de todos e não está certo receber ajuda desse tal dotorzin, esse tal que traz consigo a marca do clientelismo , este mal antigo que aflora nas regiões miseráveis e remotas, bem como  nas mais bem informadas, com gente que se diz culta e tudo, destruindo assim a vontade de participação e levando a massa ignara ou aquela gente  que se acha rara a simplesmente não cobrar nada de seus representantes, a não cobrar as promessas feitas e refeitas de quatro em quatro anos, sempre promessas e sacos de batata à vontade para todos, sempre promessas  porque não  se tornam projetos e ações efetivas de mudança na vida de todos.
Dona Mercês chega da reunião exaurida e vê que a janta  ainda não estava pronta, vê -se o debate:
Hômi... nóis num tratô de ocê fazê a janta hoje pra mim ir à reunião da igreja... o homem fica quieto, ... mais cedo, homi, ocê disse...continua a mulher... ocê tava outro, o que aconteceu craudionor, faça-me o favô... Seu Claudionor vira-se raivoso para a esposa... muié, nessa reunião tá tudo errado, eu tinha prometido pro dotorzin que ocê num ia mais participá disso, mas... A mulher retruca insistente e a briga se instaura... mas, o que isso hômi?..
Neste momento, Xiquita que tinha tudo para ser igual ao pai e se encontra calada a um canto, grita... maê, num teve janta porque o pai desta vez, trocou os alimento por cachaça. e a ajuda do tal dotorzin  também acabô...
Neste noite, ninguém come na casa de Seu Claudionor e Dona Mercês , esta que havia lutado para que o bairro ganhasse uma creche, e de fato o local agora a creche teria, mas ela não mais comemora sua cidadania e a conquista de todos, pois, depois que a menina berra  a verdade de sua família, Mercês recolhe-se em seu profundo silêncio, e diz para si mesma, que, quem sabe um dia, quem sabe, seria diferente, noutro lugar...mas será que hoje é diferente?... será que amanhã vai ser diferente...  pensa..será que haverá será?

domingo, 24 de agosto de 2014

O SORRISO DO DOUTORZINHO, PAI DOS POBRES, ÀS VÉSPERAS DA ELEIÇÃO

Passou álcool nas mãos e abriu um cínico sorriso de falsidade e autodeclarou-se amigo do povão daquela cidade
Uma pena de pavão lhe cobria a cauda de velha raposa, sua doença por dinheiro, sua postiça esposa
Olhou em redor mais uma vez, o vômito principiava, o suor à testa encharcava, um assessor cheirara a peido veio em seu encalço, limpou-lhe a cara, a deslavada cara dele, ensaiou mais uma vez seu teatro amador, olhou firme para seu anel de doutor, profissão que nunca exerceu, o pai, tanto quanto o avô nunca trabalhou
Mas o doutorzinho infame que montava a cavalo, dava vexame no bar, que estuprava a empregada, que odiava por odiar, que namorava moças burras que nunca levaria ao altar, que não sabia nada de saúde, educação, disse mais uma vez com sua máscara indecente, vamos lá pessoa penitente,vamos mostrar o quanto gosto de caviar, o quanto gosto dessa gente.
Um rapaz adolescente com a boca banguela ,do outro lado da linha à espera, quando avistou a comitiva empavonada, gritou a toda a criançada que soltasse foguete poque o pai dos pobres  chegava, a felicidade era aquela ilusão de uma insuportável certeza  que aquele sujeito levaria água, escola e segurança para um lugar descrente de esperança, de delicadeza, esquecido por Deus, mas lembrado pela família do famigerado desgraçado, dono da ignorância alheia, alheio ao sofrimento que campeia nas cobertas ruas de miséria
O carro oficial trazendo o vagabundo oficial subiu o morro sem asfalto, puro buraco adentro e os gritos de louvor começavam, foguetes no céu brilhavam e todos queriam pegar na mão do doutorzinho pai dos pobres, naquele momento então sentia-se um santo, porque era alvo de adoração, as pessoas adoravam seu carro, sua imagem de vencedor, sua cor limpinha , sua vida vazia como se melhor vida fosse a vida de doutor
E riu um riso que nunca riria, beijou criança feia, fez foto com a lavadeira, distribuiu santinho a todos
subiu no palanque e gritou  que o progresso ali finalmente chegou, o riso então era geral o cara tornou-se dono do quintal, e disse ao povo esfomeado que naquele momento precisava fazer bondade, e um caminhão  com cara de gigante presente se aproximou todo enfeitado com sacos de cimento, alimento, promessas de exames feito às pressas, um novo mundo era aquela festa
e gritou mais uma vez que a amargura acabava ali, quando atrás de si seu espumante assessor recolhia assinatura e títulos de eleitor
Abriu um saco de batata e a correira foi geral, ergueu uma santa de que nada entendia e diz-se penitente, fiel ao deus dos inocentes e era a figura de uma caricatura divina, indecente, e assim fez por outras vilas onde escola jamais chegava, onde posto de saúde nunca se via, e conseguiu o que queria
Elegeu-se e garantiu o seu bistrô, seu parapente, dua droga de rico,sua maldita semente
Mas os dias se passaram e o povo faminto foi a sua porta bater, seu assessor disse que ele trabalhava muito, não tinha mais tempo, não mais podia mais atender, era da jogatina o dono e o jogador, era o que queria ser
Do outro lado as pessoas esfarrapadas pediam, mas ele nunca mais suas imediatas suas vontades atendia, trabalhava demais, muito, era um fantasma enxuto, um fantasma que dava duro no campo de golfe da família
, que roubava sonhos,esperanças, queria apenas viver em Miame com amantes caras, joias raras, Rio de janeiro... e a vila pobre então dela se esqueceu
E assim aconteceu e acontecerá por muito tempo, aqui , ali e em qualquer lugar onde o povo deixar
para que assim daqui a quatro anos volte a caravana dos enganos, com seus doutorezinhos novos a distribuir caridade entre os pobres, a sorrir um riso de máscara de cinema, a prometer o que não se promete
a investir somente nos seus, pai do pobres era um grande riso, um grande problema que  em toda eleição acontece, um safardana que nos entristece



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sábado, 23 de agosto de 2014

FECHE AS PORTAS E ABRA AS JANELAS PARA O AMOR

Abriu a porta para que todos saíssem um a um, e assim se foram
A raiva, esta coitada, insistia em permanecer ali parada, mas depois do susto no vácuo, despediu-sem recado de seu antigo autor.,caiu em um bote , tem novo tutor
O medo ainda o quera aterrorizar, mas vendo que o espírito crescia na vontade e perdia o medo de amar, saiu correndo, fez cooper de revés, o medo não apavora mais os pés;
O cansaço vivia a dar desculpas estapafúrdias, o cansaço lhe cansava o dia, o cansaço cansado o queria
Mas vendo que seu antigo dono agora ria, o cansaço cansado deu-se linha, saiu pela porta da cozinha
A mentira vestiu-se de bela rainha, imensos abraços que  vespertina tinha, foi vista pela última vez a catar latinha na latrina da vizinha
A inveja perseverou enquanto pôde, fez-lhe de ódio o que podia ter-lhe feito de amores
a inveja, essa imensa cabra cega voou pela aberta janela, foi vista embriagada em um posto na madrugada
A paranoia já não inventava histórias, já não via o que não existia, está agora deitada em uma praça fazendo pirraça em uma mente repleta de cachaça, de injúrias gratuitas, de inexistentes piadas
A desconfiança que a tudo presidia  foi-se rápido, mas jurou vingança de onde agora havia
esta ficou parada na calçada, boba queria, sem entender nada
A ignorância à tv assitia, ao computador vivia, esta pulou pela janela ao primeiro grito de liberdade vindo do coração do cara que agora sabe, a bobeira dançou quando a vida invade com suas cruéis verdades
queria esta dançar e gritar como que corrente e natural, a bobeira é só coisa de gente, vivia não nele agora sorria na boca de outros dentes, na esquina, no quintal
O tédio tentou se esconder, mas para ser tédio deveria aparecer de qualquer maneira, foi então defenestrado em uma segunda-feira revistada na sessão da tarde, o tédio foi aprender a tocar guitarra, ter outra namorada
A ironia, quem diria, se esquivou, fico tonta no canto da sala e nunca mais ironizou, acabada a festa, saiu de fininho e hoje vive nós lábios de quem é frustrado e vive de risinhos
a baixa estima se escondeu debaixo do cobertor, por mais que a procurasse não a a entendia só a sentia, então em ponto de fuga a pegou e a trouxe novamente até a porta da casa e de lá despediu-se dela, essa está agora nos lábios de quem tem dó de si, de quem nunca trocou seu chassi
Libertou-se de tudo o que incomodava e chorou dias seguidos, agora já pleno de si, abriu  ainda a pouco a janela para o outro, um amor novo, um amor rouco, um amor que não é pouco, um amor que não é flor roxa, que não é discípulo de trouxa, uma amor que o quer para sempre seguir.


sexta-feira, 22 de agosto de 2014

RECEITA PARA SER CONTENTE E JAMAIS FELIZ

Para ser contente não precisa ser feliz,basta parecer que há felicidade na cara, na sua aberta cicatriz
Grite gol quando a vontade maior é a de chorar no escuro
convide seus amigos para um festa, chegue atrasado com cara de preocupado, dance e não beba, nunca dê vexame, seja o exemplo do homem feliz, não discuta com quem você acha que pode, que grita e diz...
Abaixe a cabeça àquele chefe mal educado, ria para as crianças dele um bocado, compre balas, doces para elas com seu salário miserável
Ser contente é uma arte que aprendemos desde cedo na família,na escola, no bazar, no copo fundo de pinga do bar, nas noites passadas ouvindo besteiras e dizendo,ah, eles são assim mesmo, temos que levar na brincadeira,
ser feliz é uma coisa de outro mundo, prefira ser contente porque assim te deixam em paz, mas há paz em ser contente? Quando ser feliz poderia ser urgente?
Crie filhos mal educados e diga a todos que esta geração é assim mesmo, crescem e se esquecem  de tudo, de dizer bom dia, de conversar, de ter um amigos,de não ser pouco virtual, dê-lhes um sap sap de natal
Fale mal da religião que não seja a sua, vá embonecado para a rua, ouça o pior lixo de música e diga que a dor de cabeça é coisa pouca, que sua voz de gritar ficou rouca, foi contente demais, sua esperança é ingênua, pequena, mas diga que é enorme, bata no peito gritando que na vida venceu, não se esqueça de chutar o cachorro e berrar que é feliz e macho, não lave a louça, raspe o prato, mate o rato e sua infinda miséria, faça de conta que ama aqueles parentes, ofereça-lhes presentes, roupas de final de ano, seja você o caricato papai noel, faça todo ano este papel, mate em você a vontade de liberdade, sorria amarelo e diga que já não há idade, faça então de seus dias justificativa, berre com quem pode menos que você
nunca leia, se entupa de churrasco, vá e fique  prostrado em ser o primeiro da fila do supermercado
fale mal do seu vizinho e depois o cumprimente como velhos amigos adolescentes
Diga que venceu na vida quando isso pouco importa, dê um susto em quem te ouve atrás da porta
vocifere que Inês é morta, que o coitado do rapaz da esquina sabe mais porque parece que sabe mais
Ser contente é uma inundação de barulho e aparência, casa da quase impossível essência
mistura de tédio e artificial decência, correira de sábado,  um estranho namorado, desde que seja para os outros namorado
faça filhos como quem bebe aspirina, e vá cavando devagar sua sepultura em vida, sua sina
visite os pobres  dê-lhes esmolas para ratificar sua superioridade, cante o hino seu, de seu pai, de sua cidade
seja contente até explodir de repente, e seus amados descendentes chorarão também de contentes, e na semana seguinte de ti se esquecerão de repente, porque esquecer também é não sofrer, esquecer não dói no coração, seja sempre a lembrança de um sorriso, um eterno sorriso de infelicidade, uma grande boca de lobo do que fizeram contigo, ser contente é ter muitos amigos, ser contente é ser popular, até que findem o mundo com um supremo golpe de ar.






quinta-feira, 21 de agosto de 2014

A RAINHA DA PIPOCA

Vivia calada no fundo da sala, era de uma beleza diferente,
via-se ao espelho e cuidava de si, queria o mundo mas não a borracha dos dias
A  professora desenhava equações que só ela mesma entendia
a menina recendia beleza, ela ,fruto da natureza, irmã de todas as coisas do dia
a princesa de brinco de etíope residia naquela sala, havia grande espelho, mas todos  não a viam
viam-se somente e egoisticamente desejam o que jamais teriam
Um rapaz loiro, ela o queria, ela o olhava diferente ,e quando ele a via, sorria
ela encantada que fosse por ele, abria seu sorriso mais bonito ainda e assim seguiam os dias
se o mármore seco e frio nos dissesse daqueles dias diria que ela era a mais interessante
mas assim não se sentia, quando na esquina de sua casa passava, as abelhas em torno se si giravam
a lhe contar de outros zumbidos, a revelar-lhe o que jamais saberia
Sua infância de bonecas de pano seguiu tranquila, o pai bondoso, a mãe companhia, as irmãs não tinha
A parvoíce da mestra era tão tão grande que gritava que a primeira  menina da frente filha de empresário, seria a rainha da pipoca, a rainha de todas as pipocas que existiam,
grande alarido, ela em um canto queria e sabia ser verdadeiramente rainha, ou assim pensava em sua solidão de equações erradas, de risos dos  colegas, mas riam de si quando nada de mal fazia, nada, apenas lá estava
O rei do amendoim era o garoto loiro e rico, a rainha sairia então de uma rifa que venderiam
Ela com os pés doídos percorreu a noite e o dia, o vento e sua fantasia, pois ia de porta em porta e venderia, ah se não venderia cada bilhete daquela rifa e rainha de todas as pipocas explodiria
e mostraria à escola inteira que também tinha beleza, era pobre, mas de tão pobre bela, que a beleza a fazia
as borboletas as imploravam que desistisse da empreitada, os vaga-lumes para ela acendiam o dia a lhe contar que o prêmio maior ela já conseguia, pois viva estava e criaria para si um nome, uma estada neste mundo de covardia, uma vontade de alegria que em si não existia, um novo acordo com as pedras e com as flores do dia, cantos da aurora de sua adolescente vida, vida na marra, vida maria
vendeu todas as rifas, era então a tal rainha... a escola não acreditou quando as rifas zeradas nas mãos da benevolente professora pousou... a grande educadora pensou, quando pensava e disse sorrindo, que bonito garota,  tu és esforçada, assim teria o mundo a seu pés, muito mais que velhas flores de estrada
naquele dia, a rainha nova diferente , a rainha da pipoca sonhou com seu loiro príncipe e disse a si mesma que venceria todos os obstáculos que a impediria
mas as voltas do mundo são maiores que a inocência tardia, e no dia seguinte, a professora à porta da a esperava sorrindo, riso cínico de quem era infeliz e a garota triste nem ninguém sabia
esperou  todo o espetáculo, esperou a plateia toda reunir-se
e disse em alto brado, que lindo o que a menina fazia, mas a filha do empresário da esquina tinha comprado dois lotes da mesma rifa, o capital vencia a poesia
assim ela, a menina rica e branca seria a rainha da pioca sem nunca ter sido por não ter lutado por aquilo
a menina lutadora  e pobre todo o céu em compaixão  a via, toda a terra tremia com sua tristeza, rainha de pipoca só pode ser filha de rico com certeza
e que casal bonito, para eles, feito com o dinheiro deles existia, subiu ao palco e a escola aplaudia
a rainha da pipoca do ano e o rei do amendoim eram bem parecidos com os do ano passado e de todos os anos que naquele havia
e ela em um canto calada , nem segundo lugar, nem nada, ficava a contar para si de que quase não existia
foi embora para casa, os grilos cantavam, a consolavam, e chorou o mais triste choro sentido no mundo
e dormiu sem sonho, porque sonhar é coisa de rico.


quarta-feira, 20 de agosto de 2014

TRAJETÓRIA DO VEXAME DA BOA MENINA E DO BOM MENINO DE BEM

Quando nasceram ele disse buá, ela disse bué e todos aplaudiram de pé
e as duas famílias famintas, as duas crianças esperanças que os pais juraram que cresceriam unidos,os parentes, aqueles dos hospitais nunca mais se viram... mas os dois assim mesmo existiram
aos dois anos, ele já sabia de cor todos os palavrões, ela via no cretino pai um herói,  e era  o coitado um idiota sem noção
aos 5 anos ele gritava, berrava com sua mãe, ela a todo momento era repreendida pelo pai, pelos irmãos
ele sabia como matar em mundo de mentira, ela sabia como ignorar todos que não fosse de sua linha
aos sete anos ele fazia pirraça e gritava gol suado com os amigos sem entender o que era, ela fazia desenhos nas nuvens do céu, na fumaça do seu pai a bradar pela casa
aos quinze anos ele já não era virgem, tinha um casa de amor com uma cabrita, ela nem sabia o que era ser gente, mas falava mal das roupas da empregada negra,  a presença da garota lhe trazia vertigem
ele fazia luta de chinês, japonês ou coreano, ela não conseguia entender porque ele saia de madrugada e ela só podia ficar  em casa calada
aos dezoito ele mal sabia ler mas era um cara respeitado porque tinha carro, ela ficava horas no espelho a ver a própria imagem, separava as amigas entre decentes e vagabundas
ele falava mal de viado e andava com machos no campo de futebol abraçados, ela toda bonita parecia uma pata, versão idiota da bárbie fraca, todos riam dela, mas ela não sabia o que ninguém também sabia
Aos 21 ,ele se casou com uma submissa loira turbinada, feita para ele sob medida, todos riam e diziam que o casal era lindo e , sem saber escrever,o idiota vencia a vida, ela, não podia ainda namorar, seu amor era pobre, um rapaz que não condizia com suas rendas, mas a família vivia no carnê,e ele cria que possuía grandes direitos, grandes projetos a realizar, chacotas a fazer
aos 30, um ataque cardíaco levou-lhe o pai, ele chorou, porque homem não chora, fizeram uma selfie desta hora de fraqueza, ela em  segredo comemorava tanta ruína em sua vida, sua única certeza
Aos 45, ele já estava separado, vivia bêbado,danado, não cortava o cabelo e ficava no escuro da rua a conseguir  prazer à força e de graça, era o famoso tarado da cidade, ela então já havia se mudado, estudava agora de verdade, como reprimida que era,agora via ao celular a chamada de sua família, corria, desviava, não queria mais com eles conversar,. era sozinha , feliz, mas não teria mais contato com quem só pensava em roubar-lhe o sorriso, com quem só sabia comer e arrotar no prato
Aos cinquenta, ele só dizia palavrão, jogava sinuca e falava mal do seu irmão, subia na mesa do bar e ninguém mais o ouvia, o cursinho de inglês mal pago de nada lhe adiantou, sabia de tudo, só não sabia conversar ainda, era uma espantalho quase defunto, idiota imenso deste mundo
era um adolescente velho nas ruas a perambular, seu sonho de cristal agora  é a vergonha da família
ela estava em Miame comprando a loja toda, no avião , na volta, dando vexame
aos 80, ele em um cadeira de rodas estava,. não reconhecia ninguém, vivia das esmolas dos filhos do dono da padaria, lembrava que não se lembrava de quem era, todos imploram que sumisse de vez desta terra
mas o tratavam bem porque não conseguiam viver sem caridade,ela dizia toda a sua verdade em livros e aproveita para fazer o bem, mas sempre olhava  a quem
Para alívio geral,, aos 80 a morte o pegou, foi visto no corredor a gritar com o vento,  a esclerose antes o confundiu, ele que era o varão da família, ele o dono de todas as teorias,ficaram feliz porque ele sumiu, e  era enterrado em uma cova sem número, a vida justiça lhe fazia
Ela já tinha feito todas as plasticas, renunciado à passagem do tempo, não morria e não morrerá jamais , porque pegou um garota branca e loira para criar e lhe passar  toda sorte de preconceito, todo desrespeito aprendido em casa, nos quintais
ele foi um cara feliz porque aprendeu nesta vida a assoar o nariz, ela foi constante porque num lapso de instante grito,eu sou decente, não sou infame, não sou igual aos outros, nunca dei vexame..



terça-feira, 19 de agosto de 2014

NOSSA SENHORA DOS CAMINHONEIROS

O dia virá, demorará, mas virá como uma avalanche de perdão para toda nossa humanidade
A história que conto pede para ser contada, pede para existir como uma nova mensagem, uma nova enseada onde anda a ode de meus passos, meus sofridos passos hão de encontrar a felicidade eterna
Nossa senhora, Rogai por nós simples mortais!
Naquela manhã, o rapaz esperava por carona, acenava e todos os carros passavam e ninguém o atendia
o rapaz iria desistir, precisava chegar à capital, precisava participar de um concurso que lhe mudaria a vida
Um caminhão passava e o rapaz mais um a vez acenava, dedos em riste procuravam fática resposta
mais uma vez o caminhão por ele passou e nada, somente mais uma vez a poeira da estrada, os olhos imensos do rapaz a contemplar a vazia estrada,
Lá, bem a frente, na estrada, o caminhão então parou, o rapaz nem acreditou que ganharia a chance da viagem e correu..em sua velocidade,
Meus passos, como doem à luz desta história, desta estrada,como preciso contar o que é necessário ser contado, como preciso livra-me desta narrativa que me pede ansiosa que dela diga, que reconte-a , até o ultimo dia de minha vida
O caminhão parou e o rapaz para lá se dirigiu, um senhor se uns sessenta e poucos anos lhe acenou que entrasse, então os dois se cumprimentaram e a viagem seguiu
quase em silêncio podia-se ver o movimento do vento, a canção das pedras, a vida que em tudo se encerra, a vida enfim gritava,o diálogo começava
--O senhor, então como se chama?- Disse o jovem
-- Luiz, venho de vitória e preciso chegar ainda hoje a este destino aqui no papel, já fiz esta vigem muitas vezes, agora me deu, o chefe, este papel, pode? E riu, pela primeira vez sorria. O rapaz, então pega o papel e estupefacto vê que nada nele estava escrito, engole seco e mais uma vez repara naquele senhor,, então percebe o que a maioria não perceberia, o senhor, olha fixamente a estrada e quase nada via na via. Mais uma vez, diz o rapaz:
-- Seu Luiz, o senhor me desculpe, mas não existe nada escrito aqui, o papel está em branco
Os olhos do senhor marejam, os olhos de Luiz da vitória são agora os olhos que choram, o senhor vira-se para o mancebo e diz:
-- Foi o que pensei, meu Filho quem não me escreveu este bilhete, é  meu chefe, foi ele quem me deu este papel. Ele desconfia de que não enxergo mais, e tem razão, não mais vejo quase nada, por isso te dei a carona, para que você fosse meus olhos e para que me guiasse na estrada
Como em meu coração dói  dizer da velocidade do caminhão,. como em minhas veias pulsa esta verdade ou ilusão de estrada. O rapaz então , chocado que estava, não sabe o que fazer, seria melhor então descer ali mesmo:
-- Seu Luiz, o senhor está quase cego , é isto?
-- Meu filho, cego é aquele que vê e não enxerga a própria enxerga, a verdade que o cerca
O rapaz está com medo da situação, ônibus vem, caminhão vai de raspão, o que seria então desgovernado vai deslizando tranquilo, rapidamente pela terrível estrada.Mas como poderia, um senhor quase cego guiar com tanta maestria, como pode ele, o futuro concursado, estar aqui neste mundo e quase em outro plano por segundos. Apenas os olhos olhavam atônitos,e Luiz diz;
-- Vamos rapaz, agora o que passa por nós é um posto com uma santa de concreto à porta?
--- Sim, seu Luiz, mas como sabe se ... os olhos agora já´secos olham para o nada e o rapaz entende como Luiz agora é a própria luz da estrada
-- Rapaz, eu , por quarenta anos fiz este caminho, sei de cada palmo desta estrada, cada curva, mesmo se nada enxergasse, eu conseguiria sozinho fazer boa parte do via porque vejo o que me acontece, mas me  diga, mudando de assunto, passamos pela santa  que se se encontra na frente do tal posto?
-- Sim, Seu Luiz, estamos agora por ela passando.
Nossa senhora de todos os caminhoneiros, nossa mãe dos aflitos, de minha  cegueira e dos cegos que enxergam e que seguem o seu caminho de luz
Olhava o rapaz a santa de pedra e pedia, somente pedia que a viagem seguisse tranquila e que ele então fosse de Seu Luiz o guia, e assim aconteceu depois que pediu à santa de pedra que os olhos a tudo e todos enxerga, a viagem, última de um dos dois, finalmente aconteceu.
A viagem continuava e minha cabeça agora quase explode de emoção, parecia algo simples, trivial, quem os visse veria pai e filho reinventados pela necessidade da existência. Luiz o pai que precisava de luz, o rapaz, o cão que lhe conduz. Então o senhor perguntava ao jovem:-- Aquela barreira, já passamos, a igrejinha já chegamos, e assim, o senhor Luiz adivinhando o que já de décadas conhecia. quando então chegam à capital. o rapaz lhe e pergunta sobre o filho chefe.
-- Seu Luiz, seu filho está a  esperar?
--  Rapaz, filho a gente tem  e não há como adivinhar, ele já tem sua família, não possui tempo pra mim, e eu o entendo.
Silêncio fez todas as aves do mundo quando o caminhão a estrada invadiu e desceu em seu destino. O rapaz então se sentiu privilegiado por ter um pai que ama, por ser amado de verdade. mas ali, aquele senhor era seu  novo pai, nem que voltasse a pé a seu destino não deixaria o caminhoneiro sozinho.
--  Seu Luiz-- diz o rapaz. chegou minha parada ,ali depois daquele novo shopping, O caminhoneiro entende e diz:
-- Vou ali estacionar,
-- Mas Seu Luiz onde fica o destino da carga?
-- Fica em um bairro, meu filho, do outro lado da cidade, vai demorar... eu me viro com o que restou de minhas retinas e sorri.
-- Seu Luiz,-diz o moço, eu me enganei de lugar, irei para onde o senhor vai, irei , se o senhor me permitir
-- mas como sabe onde vou? Diz o  homem ao volante, seu lugar já chegou.
-- o lugar que vou, seu Luiz, o senhor me ajuda a chegar, pois assim que descarregar sua carga, o senhor  me empresta um vale-transporte e eu me viro e chego onde devo então estar
 E assim fizeram, fizeram acordo novo que não mais se vê em família  quase alguma , acordo de estrada, acordo de quem os olhos acordam, veem tudo e veem o nada
Agora estou cansado de tanto digitar, me sinto  com pecado por escrever tanto de quem nunca existiu mas pede para estar.Nossa Senhora guiava os dois e  passaram pela nova cidade , transpuseram em silêncio o grande muro urbano. Mais uma vez o rapaz do filho iria perguntar, mas que como adivinhasse , o senhor caminhoneiro, fez-lhe um aceno e pediu-lhe silêncio.
Chegaram ao tal bairro afastado, um sorriso de Seu Luiz  menino tomou conta de rosto antigo, novo por fazer sua viagem, por cumprir com do filho falsa caligrafia de nada.Ele venceu o filho por fazer sua provável última viagem:
-- Muito obrigado, seu moço, que Nossa Senhora o proteja em seu caminho...
E feliz entrou para descarregar. o rapaz foi a um ponto de ônibus e , inda chocado do que presenciara parecia estar então na Idade Média, ou noutras eras, mas aqui estava e seguiu em sua também escura caminhada.
nunca mais ouviu falar do homem que vê sem enxergar,e toda vez que vê a santa de pedra, quado agora é também senhor formado, toda vez, roga à santa que o proteja, que o cubra de sua infinita esperança.
Eu peço a Nossa Senhora, mãe de todos nós, eu peço perdão por contar esta história, a linda e triste história deste senhor Luiz, Luiz de todas as memórias, luz de todas as vitórias.




segunda-feira, 18 de agosto de 2014

A NOITE ENSINA A UMA CABRITA ARTISTA

A noite escura perseverou entre os galhos da loucura do medo e das raízes da decepção
as trevas com suas daninhas ervas encontraram nas sombras sua morada sua gratidão
a cabeça doía, não era mais possível parar de pensar ou parar para estar na cama,
A lua requereria cuidados e quando nãos os viu quando cobrou de mim esta posição vil
Infinda  noite que bate em mim seu acoite e faz de toda eternidade um minuto de pálpebras que se cerram e que dormem, a insônia eterna não dura, mas perdura na mente
O vale maior que está para além de nós também treme quando do meu rosto uma lágrima de sono espreme, cai feito bomba na face morena, imensa bomba feita de transparência pouco serena
E fica a rodear a cama insana a perturbar os sentidos, faz de nós todos sonâmbulos sentidos
A moça da tarde anterior diz que fazia arte quando só filho faz, nisso uma profissional, faz burros filhos para não só ter com quem falar porque é a insuportável que há.
é uma especialista em fazer maldades para o mundo sob forma de ímpios descentes,descrentes do que é ser brasileiro, descrentes da ideia maior de respeito, faz brancos ocos em seu ventre roto, mas cheio de adoração porque possui a covardia de quem está sob o conforto precário de fazer um filho por dia
Para ela, a noite também cai e não perdoa, neste momento sua vontade de fazer ignotos também acontece
é uma cabrita que faz filhos quando deveria fazer arte, tipo de cabrita que se vê em toda parte
Mas a noite perturbadora questiona a todos, vai do coxa até o pescoço em todos os nãos , incluso nela
e dói no estômago cabritóide, dói na goela, queima a paz, faz de nosso instantes pesadelos irmãos
A noite  nos ensina a viver para além de fazer filhos feios e ver o tempo correr, para além de ser mais um no meio da manada, a noite com seu pérfido manto e´tudo e  é toda madrugada
pois não exite quando quero vê-la, somente sua sombra na janela impera e nos dizer sua obviedade, sua vontade de cobrir tudo e todos para todo o sempre, a noite já não é semente e avança como cavalos sem aliança, como festa ruim, como casaco de mandarim , como sobretudo que há, a noite imensa a nos ensinar a sofrer, cada qual sofre a seu modo, eu de pesadelos enormes,  a artista a fazer mais um imbecil, e o vale a revelar sua claridade, sua flor infeliz
lá a noite é imperatriz, e sobe em altares, e canta e  não se cala, e recebe o dia como a um irmão
para além de um ego caipira a noite é toda menina, e se entrega ao dia, sua paixão, entrega-lhe o bastão das horas
e a insônia nos deixa, o filho limitado agora já é e o vale recebe o sol que o cobrirá de sentimentos aéreos
a noite é a melhor amiga mas muito inimiga quando se é pequeno, quando só se destila veneno, quando o vale diz de sua irracional razão, a noite é também da cabrita que agora grita que mais um cabritinho tonto nasceu, que agora que dançar, quando nem sabe conversar,
 idiota criatura, filha do dia e das mesmices repetidas há séculos
a noite há de ensinar-lhe que viver é melhor que parir filhos, que viver é uma ato de abraço
entre a dança da noite e o riso franco do dia que nasce


domingo, 17 de agosto de 2014

AS MÃOS DA PRIMEIRA MÃE DO MUNDO

A mão que pega na panela de pressão em brasas de tão quente
 me diz sorridente que o tempo muito lhe ensinou
Essas mãos são as mãos de um tempo antigo e as mãos que venceram o medo e revieram naquele dia em que retornei o segredo da força de existir
Minha infância, imensa e repleta de esperanças desapareceu no meu egoismo por reconhecimento
saí por uma porta menino e voltei por outra homem feito dono da verdades, das teorias, análises sociais
Fiz da palavra e o gesto meu ganha-pão, esqueci-me então daquelas mãos, daquela força que não precisava prever, analisar para ser, apenas era, e em sua simplicidade bastava estar na cozinha, no quintal, porque eram dona de todos os sóis., de todos os limpos lençóis
Eu canto o canto maior de todas as mães que pacientemente suportam a lição covarde da vida,em compreensíveis gratidões, em cantos de louvor, espalhar amor por décadas o seu amor profundo que por ninguém foi amada.
diziam apenas das mãos das mães, das mãos de nossa estada, da mãos estrada a nos indicar o futuro de nossas doces moradas
Esquecemos do que éramos e por esquecer a casa instante, esquecemos também dos exemplos bons sem fala, daqueles exemplos de doce bravura que inunda a sala, que ouve berros bêbados e se cala
que também se revolta, mas conhece algo além do que vou conhecer, que sabe viver e se esquece de sobreviver
Não há grandes elogios, não há imensos rios de lágrimas na porta vazia de sua casa, não há mais esta força que vence os metais, mesmo que quentes e revela ao mundo que outro mundo de generosos sente, para mim inconscientes, mãos que desafiam o mundo em silêncio, mãos que me indicam que há força também em mim
por mais absurdo que agora já não me vejo, essas mãos da pressão são as mãos do verdadeiro segredo
Idealizei o mundo, fui fundo em ignotas reflexões, logo esqueci de quem eu era, um menino a aprender  com estas mãos de outras eras, outros segredos de então
a casa toda é pintada para o domingo,  o sal da esperança me funda o fundo de minhas reflexões
desde a primeira mãe do mundo em suas mãos que acalentam a revolta infinda, a revolta dos seres ainda sementes, a gritar-lhe minha mão, minha mãe que tudo suporta chorando atrás da porta
como se não tivesse sua revolta e  abrisse as mãos generosas, como que se cuidasse durante muito tempo também de sua  já inexistente mãe.
as mães, as mãos macias das mães,o grito que por muito foi abafado por vozes covardes
o grito da primeira mãe  aquela que nos abraça em casa , na praça, aquela que nos revela a nossa ingratidão
a primeira mão do nascituro é também a mão calejada pelo tempo futuro, e
 que não tem medo da dor, porque com sua força de mãe renunciou ao seu destino outro, e criou filhos bons, filhos tortos e transformou toda maldade na expressão verdadeira do amor.

sábado, 16 de agosto de 2014

INVENTÁRIO DAS IDIOTICES DO PLAYBOI

O playboi gostava muito de acelerar seu carro feroz quando então bate no chapisco rrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrRr
,bummmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmlá se foi o playboi que bateu no muro, e o mendigo ri, porque não vai  nunca mais apanhar, tomar murro...de drogadito
 Qua, quá, quá,quá, quá...a agressão finalmente voou.Eis então seu inventário como se fosse passado, como se fosse perdão, herança de quem não estudou, não fez a lição.por isso vou cantar no presente, esse maldito indecente que de velho inda se diz adolescente.
Possui uma namorada que lhe faz as vontades todo dia, ele feliz, ela sem nunca gozar
O  playboi adora fazer de sua namorada inseminador de vaca para depois que a deixa em casa sair à procura de outras acostumadas burras em um improvável pasto, seu antigo lastro de vergonha e rastro
O Play 4 do playboi 0, aquele que  não se quebrou, porque  já nasceu quebrado,
 mas quem paga a conta é sua mãe, desde ontem só grita com ela, porque deixou de ser homem para virar macho, porque o achar do playboi é maior que seu caso de amor às mães, submissas, machistas mães...
O playboi pode tudo, pois é dono do mundo, então fala de futebol, fala mal de quem não conhece
vai à rua e se abastece de mentiras e ofensas e acelera, pois virou mais carro que gente.
 A mãe machista diz que que a sociedade já não o entende, seu filhinho é decente, um pobre inocente
O playboi não gosta de ler e diz que é coisa de viado, mas com seus amigos não menos bichos compra a prova do vestibular e  depois diz sorrindo que é esperto, homem de verdade,e que nada em  seu imenso mundo carregado de mentiras, nada em toda sua covardia, nada em sua imitação de seu pai de fachada lustrada, nada vai mudar
Nada vai mudar?
O Palyboi se esquece que a  maioria dos viados leem e crescem e deixam de ser animais  e se tornam gente , apesar de muito gay  ainda defender o tal do incoerente, porque se tornam também depositários de seu escroto esperma, em sua fétida perna quando o danado suado nenhuma mulher pega,
e o o gay machista aceita seu bafo , então o playboi vai espancar outro macho que lhe espreme a terceira perna, que lhe  entrega tudo, incluso a dignidade e diz o otário sorrindo a outros viados sem autoestima, noutro dia ,que transou  com um homem branco de verdade,
O playboi não sabe amar,sabe fazer sexo e sabe gritar e muito bem, como também bate em índio, surra empregada doméstica, dá lampadada em quem acha que não presta, colocar gel no cabelo, seu sebo da imbecilidade que lhe resta
o playboi se sente à vontade para ser cruel com quem menos pode , e pode,  toda sexta à noite juntar seu cartel de idiotas e saem pela cidade repetindo as lorotas que aprendeu com seu pai
o playboi chorará e muito a morte do seu touro progenitor
e será então o  novo algoz da família, a mãe calada em um canto faz-lhe os encantos,
a irmã esperta, passou no concurso e sumiu, e a namorada usada usa remédio tarja preta para ser aceita no meio da mulherada
palyboi gosta muito de mulher, anda de mãos dadas  com a sua e dá-lhe porrada na rua escura, ela diz que é amor o ódio do  rapaz e ainda o justifica dizendo de um a infortunada vida, a vida que o ventre traz
Ouvir música cafona, chutar quem o questiona, sair de carro \às tontas da madrugada, o palyboi pensa ter mais direitos que o resto da humanidade e, assim faz de seu filho um novo carrasco social, para depois ter em seus netos também carrascos novos e assim até que sua maldita linhagem possa ser qualificada de a mais nobre do quintal
O playboi acredita que nada o seguraria, até  depois de cheirar o pó de helicóphetero bate de frente em um poste e todos se sentem aliviados, ainda que chorem e digam coitado do rapaz que virou santo e se foi
o playboi não se foi porque aqui sempre esteve, mas há quem o defenda em nome de um falsa família tradicional
O playboi manda em seu curral, o playboi acorrenta inocentes, enfim, o, playboi é o famoso cara decente.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

SE O MUNDO ACABAR...

O mundo não vai acabar se eu disser bom-dia a meu inimigo
o mundo não vai acabar se eu não desistir de amar
o mundo não vai acabar se eu cuidar mais de nim
o mundo não vai acabar se eu desistir de chorar e resolver ter amigos
o mundo não vai acabar se eu te confessar  minha fraqueza, se me ver novo sem tristeza
o mundo não vai acabar se eu me acabar de tanto chorar, são quinze horas de novo sono que perturbam as lágrimas e as transformam em sonho
o mundo não vai acabar se eu ficar sem trabalhar, cuidar de minha casa maior,secar as cicatrizes tão recentes
o mundo não vai acabar se eu confessar minha decepção diante de minha covardia,, frente a uma tarde sem mistérios entre notas de violão
o mundo não vai acabar se eu te disser meu novo irmão,minha nova cidade, meu riso, minha grande paixão
o mundo não vai acabar se eu não mais me acabar, se eu me convidar para um banquete novo, um banquete de simplicidade, em ver que o outro traz o ouro de sua verdade
o mundo não vai acabar se no final da novela eu sozinho terminar
o mundo não vai acabar se eu não mais me criticar,se eu ver valor também em mim e sair cantando e sentir alegria sem motivo
o mundo não vai acabar se eu aprender a amar, aprender a não julgar, aprender a apenas estar, aprender a respirar o ar puro do dia que nasce, a ficar olhando o nada como  se de ouro fosse uma grande carruagem
o mundo não vai acabar se meus dias se acabarem e eu nada mais forque uma flor na estrada
o mundo não vai acaba se eu aprender novamente a me expressar,aprender novamente a ter confiança, desistir das más lembranças que me cansam de raiva e desânimo, desistir de não estar
o mundo não vai acabar se eu mais uma vez tropeçar e cair ,e novamente me levantar
o mundo não vai acabar se cessar este pensar ruim, essa dúvida,esse mistério  que inventei para me auto-mutilar, esse veneno que bebo todo dia e ainda justifico como o que tem de mais bonito em mim
o mundo acaba a toda hora e renasce em cinzas novas sob nossos apressados sapatos, sob  um cão que dorme e que sonha mundos de ossos para degustar
o mundo acaba, renasce em sonho e novamente acaba para me dar uma chance de alegria
desistir deste ego, construir sólida vivência, saber que também tenho direitos e que o mundo não é perfeito
tanto quanto eu em minha imperfeição construo um novo dia agora com o riso da vida  com meu riso em construção
e se o mundo acabar, me avisem,porque vou sambar com os que amo e odeio até o dia clarear....







quinta-feira, 14 de agosto de 2014

DO VOO AO PULO...

Era apenas um barranco mal acabado e definido como um montanha, um aterro
e os garotos pobres, dentre eles eu, pulávamos de lá até o final de quase pedras
Era uma maravilha, pois sentíamos no ar a despencar a todo momento tudo, inclusive nós
o mundo visto da infância era um  mundo bom repleto de esperanças e desejos de vida longa
O chão haveria de ser nosso limite, o chão que hoje em concreto insiste em nos deprimir
saíamos da escola com a mentes doídas de tantos gritos em nossa cabeças
e íamos para o barranco, nossa montanha russa suja, nossa pouca brincadeira, m
as importante
porque nos fazia gente, inda que pequeninos que éramos
As meninas não nos seguiam, porque não podiam, então resolvi contar um balela para todos
Inventei, para além de minha criatividade que naquele morro, num dado momento do pulo podia-se voar
e a vila inteira ouviu-me, queriam voar, queriam ser mais do que simples viventes
Minha mente de menino roto fez com que todos os garotos resolvessem voar
e de fato voavam, e o primeiro depois do voo, dera mais pulo
disse sorrindo que pela primeira vez voara verdadeiramente
eu pulava e dizia contente, que voar era diferente do pulo
logo, logo o boato se espalhou por toda a vizinhança
os garotos que voam  em uma montanha de terra em bairro de granfino, terreno de herança
Evidente que para o garoto que eu era aquilo era verdade, pois queria algo maior que minha triste realidade
de pobreza, em que no canal da televisão generais ditavam o que deveria  fazer a nação
meus pés saíam do chão e eu agora era o avião de meus encantos
poder ser você e ser outro, poder voar no coração e no sonho dos outros era uma tarefa impossível
mas eu voaria até onde meus pés poderiam, até onde um barranco deixaria de ser barranco e canção viraria
para além dos gritos da professora, ficávamos felizes porque em nossa pobreza éramos aviadores
e subíamos a montanha, pulávamos, caíamos na terra fofa e de lá gritávamos que também voávamos como filho de rico, como todos que merecem voar
um dia, um rapaz de dezessete anos, dono já das maldades foi ao nosso campo de aviação de terra
e disse, vou voar  também
ficamos calados ,pois com gente bruta não se mexe, e o rapagão voou qual nada,pulou, caiu no meio das pedras
e todos olharam para mim, os olhos de fogo do rapaz assim disse
que não havia voo nenhum ali e que era mentira do menino feio, bateram-me os pequenos
Comecei a chorar porque voava acreditar , mas fiquei calado com medo de apanhar de um grandalhão
que não tinha imaginação... ele decretou: não há voo algum, existe um barranco que todos pulam apenas
todos caçoaram de mim, e senti-me menor do que era, pois num campo de terra via um mundo maior
e acreditava que voava quando apenas pulava
Nossa brincadeira acabou ali, e todos me diziam mentiroso quando a imaginação era meu maior voo
voltei ao lugar e nunca mais pulei
Construíram lá uma mansão que mata a criatividade do coração
hoje não há nem  voo nem pulo de menino pobre, há ambição de ouro e cobre
Resolvi que na vida não iria pular, mas voar
e agora estou no meio do meu voo, sem gritos de professor, sem garoto mal opressor, sem barranco
sem quase nada voo em minhas histórias de infância que ensinaram-me a voar para além do voo triste de uma pobre criança.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

HOMENAGEM A UMA DESCONHECIDA QUE ME ENSINOU A VER FLORES DE POESIA

Vivia com Flores na mão e a cantar  o que ninguém entendia sua alegria sem motivos
Era uma senhora que passava por nós todos os dias, oferecia-nos flores e depois que seguia
despedaçávamos as pétalas e dela sorríamos
Dizíamos louca, porque não era igual a ninguém que conhecíamos
Dizíamos coitada pelas flores que oferecia e pela gentileza que nós não tínhamos
Amanhecia o dia  ela dormia a porta de um roseiral
Era então a roseira maior de nosso medíocre quintal
Quando a víamos mofávamos e sorríamos sempre daquela celeste
incrível criatura, eu pensava que algo errado estava, mas como todos só ríamos, um rio de piada encurtava sua estrada
eu via a figura em forma de idosa mulher a oferecer flores a crianças maltrapilhas, a mim entre as tais crianças
mal sabia que eu era um escolhido, um privilegiado, não um idiota que recebia de um alouca flores durante o dia
e assim seguia em sua solidão, cantando a beleza da lua e a força do sol
e nós a seguíamos, nem nos dava atenção,  a maldade de uma cidade pequena queria fazê-la pequena também
mas em sua loucura resistia, e não sabia que suas flores eram  amor em forma de poesia, ação que irradia
o dia, reinventa a vida a cada instante, a cada movimento despercebido
Eu sabia dela, mas não queria, eu queria ser respeitado, ter uma turma
hoje sou muito mais ela em sua simples loucura, em seu sorriso desdentado de quem não tem nada
mas tem tudo o que todos não têm. ela tinha o segredo do dia, o formigas das formas, o que não se exprime porque de se si só fala
E ela falava  em uma sintaxe nova, que quem só pensa em ter não acreditava ou não queria saber
dizima que era minha mãe por sua voz fina e eu chorava ´pore ver-me a ela comparado
Um dia, seu ramalhete maior subiu ao céu, e esperamos mais uma risada, mas não veio
E um moleque gritou do moleque gritava que a louca mais surrada por esgares já não exixitia
uma bicicleta a atropelara, um povo ruim sempre a atropelou
chegamos perto ao corpo e só um sorriso em seus lábios, um sorriso de quem cantava
mesma na penúria e solidão ainda achava alegria
eu me sinto agora como Lázaro da tumba saído, rejuvenescido po contar de alguém que viveu em um mundo paralelo, mas que era gentil, e minha educação burra insistia que dela deveria caçoar
onde estiveres espírito celeste, guardes uma flor para mim, e aqui te peço desculpas por ser um garoto mal
sem educação, sem nada, mas hoje restituo esta vontade
somos loucos em rosas imensas e de braços dados, abraços abertos espero que no céu das flores me receba
e vamos rir do que não entende, vamos ser crianças de verdade, sem bicicletas da maldade
me perdoe, minha mada louca decente.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

IDEÁRIO DOS "NOVOS" PEQUENOS BURGUESES


-Prende sua cabra que meu bode está solto....
-isso são horas de chegar em casa
-Ele é homem, ele pode
-ela é mulher, não deve andar com essa zinhas
-gay bom é o filho do vizinho
-se fizeres o dever, podes matar no play para aprenderes a matar de verdade
-o que os vizinhos vão pensar desta conduta, toma jeito
-olhe, seu filho, ele não quer pegar todas do bairro. Será que... deixa pra lá
-. só de pensar
-no que foi que eu errei, meu deus.
-Ele é um homem de deus, um homem que tem carro, casa e que vai te bater na primeira ocasião
-no primeiro dia do ano, cuidado, não olhes para ninguém de cor
-aqui em casa nós não temos preconceito, aceitamos todos, desde que sejam de nossa cor
-A empregada agora diz que tem direitos... ah, essa gente perdeu o caminho da cozinha
-converse com o pedinte, mas lá fora
-estas cercas e esse carro blindado são somente uma questão de estética, somos inclusivos, inclusive, agora mesmo eu denunciei aquele rapaz negro que possui um carro do ano, isso é coisa que se faça
-Nossa filha será eleita a miss qualquer coisa, desde que apareça muito e mate o vizinho de inveja
-Minha mãe me prendia, eu não entendia, ficava raivosa, agora entendo, era para o meu bem, e  eu me tornei esta pessoa maravilhosa que sou hoje,faço o mesmo com minha filha, você aceita um rivotril?
-Os maconheiros do bairro não prestam, mas não sabemos por que não prestam. O olho vermelho do meu filho é Glaucoma
-Aqui em casa todo mundo vai fazer medicina, até nosso cachorro vai fazer veterinária, somos felizes viu
somos felizes, escutou? , somos felizes, somos muito felizes, ai de quem disser quer não somos felizes
-Papai é bravo, não conversa com ninguém ,ele some, de repente aparece, mas sai e só volta na semana seguinte com os olhos cheios d"água e grita com mamãe
acho que são felizes,
- eu fiz Direito, mas como sou meu marido me "pediu", fico em casa calada direito
-Isso são coisas de homem, menina, deixa pra lá
-Isso são coisas de mulher, vai pegar mal em você
-casei todos meus filhos, até joaquinzinho, apesar de quase nunca me ligar,
-uma familia de respeito é formada, por esta dor no peito
uma vontade de...
-ah, deixa pra lá, me conta o capítulo da novela
-ah, deixa pra lá, me fala do jogo do campeonato a tabela
-prefiro ter um filho ladrão a
-prefiro ser infeliz a ter que ouvir o que o vizinho diz
E assim, seguem infelizes, moralistas,,, para sempre.. sempre, ouviu bem , sem... pre  sem......................................... pre.








segunda-feira, 11 de agosto de 2014

PALMAS PARA O HOMOFÓBICO

O homofóbico reza e se ajoelha no altar
faz o nome do pai, do filho e grita que possui machos filhos em casa, sabedor de sua zoológica mansão
o homofóbico grita viado como quem dá um recado de que nada vai mudar
o homofóbico vai a Miame com  dinheiro do povo, lava dinheiro como quem dorme em um berço junto com seus capangas, o homofóbico diz que tudo é  boiola e manga do outro como se esse não tivesse valor
o homofóbico usa Cristo como mercadoria e inventa uma bíblia toda sua
repleta de suas ideias estapafúrdias, mesquinhas, absurdas e repetitivas
o homofóbico faz go gay bala de canhão, porque sabe que nada  lhe acontece depois da agressão
a homofobia é um fábula em terras de bíblia sagrada, em notas mal interpretadas e que,
Embebida toda no ódio de quem só representa, o homofóbico se ausenta da compaixão
prefere antes um maldito torneio leiteiro, onde se  corta orelha de pai e filho
onde se paga por um bocado de alívio surrando quem tem menos dim  dim
o homofóbico até late , grita e debate como que assim sua maldade lhe fizesse superior
o homofóbico é homem de bem, homem de um deus que maltrata e que ri de seu viodeogame na faixa de Gaza
O homofóbico não se cansa e põe no filho toda a lembrança de suas maldades e ri e possui esperança da perpétua homofobia que as gerações horrendas invade
Mas quando desconfia sinistro o que são os trejeitos do  garoto, ou lhe manda para bem  longe
ou diz  que morreu em um acidente, ou num abate... prefiro filho ladrão a filho viado , diz o covarde
para o homofóbico quem não é de sua turma não é decente, para o homofóbico só exite o seu tipo de gente
O homofóbico ama sua família heterossexual e penitente, diz entre os dentes que vai fazer justiça divina
somente a que lhe interessa, o homofóbico pensa que presta
De madrugada, deixa a esposa dormindo e vai a um clube de homens sarados, donde se esconde em seu ódio infindo, dá  sorridente o que condena, e volta quando  amanhece o dia e grita viado para quem não conhece a tenda, porque a sua é de vidro.
Palmas para toda a tristeza do mundo, palmas para este dono de latifúndio
Palmas em uma quermesse que merece toda a sua atenção
Palmas para toda covardia de sua homossexualidade enrustida e em ódio transformada. Ele é mais trans que o trans viver, o homofóbico não suporta ver o gay ser
Palmas para quem reza mas não perdoa
Pamas para quem quem possui uma triste e amarga vida e não sabe do alvo, mais que se diz salvo
Palmas para o pior homofóbico: o homofóbico da religião
nosso tempo invadido e invalidado por estes  cruéis moribundos ideológicos falsos religiosos
daqui do passado há um grande recado:
Esta covardia vai acabar. Pode ser que demore décadas, mas os filhos de seus bisnetos hão ter uma vida digna, completa, sem rótulos, ou melhor, sem divinas muletas, sem tretas, sem traições, sem gritos inúteis, sem você, sem seus palavrões
Palmas para o inumerável inútil, palmas para o que é dono de toda a verdade fútil
palmas para seu maldito chute, palmas para o presente que lhe recebe de braços em cruz
palmas para todas as chagas de jesus em nosso irmãos mortos representadas
palmas para este nada que se diz dono do mundo
palmas para um futuro sem ele verdadeiramente justo
palmas para o homofóbico inútil!





domingo, 10 de agosto de 2014

A LUA ME TRAIU


Ontem eu saí para ver a lua e senti uma saudade em mim , da adorada por ratos, você na rua , nos matos, minha , saudade sua de fato
ela pretensa imensa pairava sobre nossa finitas cabeças e a noite a doirava-lhe imensa
a lua e eu, num improvável romance disse eu tudo que sabia no meu silêncio cortante
A lua mais que tua dizia de novas danças etéreas,e banhava meu corpo, eu meu  corpo  matéria
À lua , naquela noite, disse tudo que sabia e  os pássaros que luzes acendem em vaga-lumes irradiava o veneno doce de  uma plena madrugada, a lua é sua, meu céu, alma branca me dizia, a lua sorria com minha improvável companhia
sou seu para sempre lhe jurei em um baixinho segredo que se houvesse anjos até ti voaria
se houvesse amor de verdade, como joia lhe daria minha cansada vida, labuta infinda, medo que termina
quando o céu nos ilumina
lua, não me traia em tamanho, seja de seu jeito e lugar, lua nova a nos instigar, versos antigos como páginas mofadas
sem o brilho da lua a vida é nada, é rasa e cada palavra dita ao acaso é o resultado de nossa escuridão
A lua fica a  nossa espreita, para sozinha brilhar perfeita, tal qual bola de golfe, tal qual o frio do acoite
acordei e vi, e me deparei com minha antiga amiga de ontem, anteontem e sempre
não havia super-lua, não havia claridade maior que a do poste da rua
talvez este sim falasse do maior dos queijos plantados  no teto do céu
a lua de sempre, não essa imensa,brilhava no céu
E lembrei de minha infância, de todas as
redonda na bacia d'água, me recolhas namorada imensa a pendurar-se no céu
minha amiga de papel, meu coração japonês, minha ilha de estupidez, minha agulha redonda que me diz donde anda minha inocência, minha eterna incoerência em tradução de tudo,
a lua de me diz  e detrás traz nela outros mundos
ruídos galáticos, imensas estrelas, novos planetas, pequenos cometas
do oceano fantástico da terra despregado
não adianta cantar a lua, se o alvoroço foi maior que a figura,
acordei na madrugada por ser traído por uma visão fantasma, encorajada pela tv, internet, mas sem a ver, sem ter, conforto, contorno, a lua a meu encontro
prefiro esta de todos os dias,pequena, nova, sua, minha.


quarta-feira, 6 de agosto de 2014

RECEITA CONTRA A MEDIOCRIDADE

Marca tua marca no mundo e diz gritando  bem alto e fundo que não passaste por aqui em vão
Diz que tua pele acalora o sol e sobe a rua com decência universal de quem não tem a improbidade
seja sua lei,. sua verdade, não se deixe levar por modismos, por falsas impressões de cascas e palavras
ontem mesmo, inda sorriste e disseste à beira do poço que este novo mundo insiste em abrir suas asas e pular do ninho, inda que sem forças para voar, inda que temeroso das águias imensas que por aqui há
Então voe alto, mesmo com asas de plástico e fumaça que sai do asfalto
grite fundo e não aceite o que os outros por medo aceitaram, não se deixe levar por janelas de vidros em sala fechadas a nos contar mentiras precisas de nossos antepassados e de nosso triste presente
faça de conta que não é da sua conta aquela historinha de faz-de-conta
abra uma conta e despeje seu conhecimento em números, algarismos de tua honestidade
dê um rolê pela cidade, dê um Rolex para sua idade natal, faça de sua vida organizada carnaval inda que por minutos
Não seja diminuto de minuto deste mundo, seja infindo inda que pequeno, inda que sujeito sem predicado
suba no palanque e dê seu recado como uma careta berrada ao vento, como a vida sem documento
como um mendigo sem jumento, seja a própria verdade que vê nos outros, seja a sua verdade nos outros
Desista de desistir, afinal só há esta vida então mais uma vez insista, inda que doa no coração
convide seus amigos, vá a um bar de quinta e dance ao som da maquina colorida sob fichas
seja racional, deseje o bem a seu inimigo, mesmo que o ódio o oprima, mesmo que sua raiva seja sua obra-prima, mesmo que todos digam que perdoar está no clima,mesmo que não mais haja clima,
só evite o demasiado calor das horas, evite conversa de desforra, evite soadouro a toda hora
converse com teu patrão, mesmo, como se não fossem mais pequenos ou sempre irmãos
faça-lhe um agrado sem puxar seu saco, sem ser obra de servidão
Seja o que não esperam de você, seja sempre o que nunca esperaram de você
imite seus sonhos todos os dias, imite a construção de sua agonia
seja vivo, mesmo que doa, seja você  em sua própria primeira pessoa
tenha convicção, não tenha medo do grito de um louco irmão
não tenha risinhos de sermão
seja você sua verdade, e quando não mais por aqui estiver, deixe em seu túmulo trêmulas flores de saudades das pessoas que  não tiveram a mesma coragem,.


terça-feira, 5 de agosto de 2014

SOLIDÃO 1

Todos os dias dormia fatigada pelo trabalho, acordava e via nada
nada via porque ali não havia nada para servisse ver
mas sobressaltada que estava dizia a  si mesma que se tratava de algures, outros olhares
corria ao,portão, na rua, no chão, não  tinha  nada que lhe restituísse a calma
trabalhava dia após dia numa semiescravidão
-eu sou a lua  da noite eu sou a rosa do dia, dizia isso em pleno meio-dia
e só assim podia ser, seus fantasmas do passado, suas angústias do presente
o pressentimento de que algo maior a requeria, o portão batia mas na rua nada via
seu quintal agora imenso pedia sua proteção, as folhas a queriam, o muro era dela e ela não sabia
Assim, passados anos de valentia frente ao que não conhecia, assim vivia, não distinguia realidade de ficção
seus imensos olhos de ternura na noite escura procurava por barulhos, mas só se ouvia ao longe o ruído de carros, risos em outras freguesias, festas pobres e caras com cara de gente rica, gente mal vestida fingindo ser feliz
cada vestido que vestiam assoavam-lhe o nariz
a solidão carrega flores de plástico para novas eras, novos mundos que  tanto quis e já não era
de muito só que estava não fazia comentários com as sombras que riam, não procurava ir ao sol
porque  já o desconhecia
as paredes de concreto armado era seu favorito braço em um barracão pequeno, virado, armado  de traça
em uma favela de prédios imensos, feitos de ossos que tagarelavam e nada, de muitas mágoas, e dinheiro que só se gasta quando se espera  o fim de um sórdida piada
O marido desaparecera na compra  do cigarro, os filhos só diziam olá uma vez por ano
o bichano, ela não sabia se era verdade que existia, mas ali estava e sumia ela ou o bichano
só se viam a toda hora em todo engano dado por falsas impressões
não sabia mais quem era, isso já não tinha importância, separada pelo tempo dos que amava
sozinha no quarto onde estava, era o seu mundo, se tudo, sua capa de riso e fúria, sua passagem sem volta pela loucura
quando o dia amanhecia, saía de um lado, revirava o corpo e saia mais uma vez para ver quem de fato existia
Uma dia escuro de nuvens frias a levou, e sua alma junto com o bichano para o céu voou
em sua casa agora de lua, em sua nova madrugada fez de vez da solidão sua nova namorada.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

A RAIZ

A raiz perfura a terra em busca de segurança, a raiz da planta é semente de tentáculos partitura ainda criança
e na palma do chão realiza seu modelo de fórmula da invenção
a raiz dança em um movimento  que não se percebe, quase imóvel sabe que o seu tempo é imenso, enorme
a raiz inaugura a terra fofa, dá a desforra dos vegetais, silencia o mundo quando viva está no fundo deste quintal
As pedras se apresentam inimigas, mas as contorna como água de dique que lentamente explode
não há liberdade debaixo da terra, nem felicidade que se encontre em qualquer era sem nome
estrela da terra, o contrário do sol, mãos subterrâneas a criar grandes antenas de esperança caracóis
vieste do pó e ao pó voltarás- a raiz nem sabe disso, a raiz da planta é um guizo a rir em árvore nova
trata de assuntos correlatos com minhocas, conhece o tatu e por isso não o toca

a raiz é a própria toca do tatu, ela sabe de outros túneis de terras, outros tabus
a raiz agora já atinge seu ápice, a raiz traz em si o nome que lhe cabe, que lhe compete a arde
o mundo voltas dá em torno do olhar humano, grandes construções de concreto criam raízes
em seus pérfidos narizes, em sua boca matizes, em seu entorno me dizes que o prédio copia a planta
A raiz pretende a china , calcula o tempo que lhe cura a sina
a raiz ri da gente pois gera em nós o descontente porque de fato não nos contentamos em ser donos do mundo; tão humanos, e quando perecemos, dormimos ao lado dela, a razão humana no ponto de vista da raiz não presta, não lhe serve para nada, raízes debaixo da escada
pensa consigo a raiz em sua razão desconhecida, pensa no que haverá de nova vida, vê então os dias passar e em suas pernas pelos verdes que desatarão o mundo
olha a raiz adolesceu,sofreu de desesperança, chorou qual se cansa e vê que não é mais a que procura o mundo vermelho, saem-lhe verdes gotas dos joelhos.
do lado de cá uma planta nasceu, inda era madrugada quando enfrentou a lua cheia e formou-se, destacou-se, esse seu outro lado também procura o céu, como nós todos todos os dias em vão procuramos e de nós saem novos ramos, novas constelações de fel.se abrem como folhas e flores
a planta é a casca da raiz, sendo então seu outro lado, fica toda aparência e experiência do vento
a planta sente vergonha da raiz e faz confidências com borboletas
pode-se dizer que a raiz é a roupa suja que encanta,
os dias passam e a raiz não chegou  à China, mas como não pensa e não sofre, lentamente se desenvolve
até que um estúpido que pensa que pensa dá-lhe uma enxadada, raiz e planta agora já não mais vivem
raiz e planta secam e virarão fogo e subirão aos céus, se tornarão uma e outra nuvem de papel
E nova mente descerão ao solo sob forma de intensa chuva, para criar novas raízes, menos falsas, mais profundas.


domingo, 3 de agosto de 2014

RAP PARA BEATRIZ

Eu vou cantar um novo rap., um rap feliz
eu vou contar para você, o rap da Dona Beatriz
vive hoje sozinha etérea porque desde menininha cuidava dos irmãos
a mãe bebia, o pai traficava, a irmã então já se prostituía
E ela cansada de sua vida amarga olhava a madrugada cinza e sorria feliz
Beatriz à beira do barranco inda menina olha a estrada infinda e volta a casa
sua casa agora chovia e ela e os quatro irmãos desafiavam a vida e seguiam
Já com 15 anos, muita covardia no colégio, os colegas riam de sua cor,
de sua pobreza, lá no fundo Beatriz, diz com certeza que quem ri por último ri  para sempre
e seguia em sua falta de tudo em sua posse de nada , catando  comida aqui, lavando louça via sua família com dor
Um dia, Beatriz, dizia consigo sozinha no corredor do presídio escola, hei de ser madame e hei de acabar com o vexame do preconceito e da falta de sorte
mal sabia a menina que, quando convidada para um festa virou alvo de chacota e chorou um rio em duas madrugada sem pote
Beatriz só ficava em casa, calada, dona de um imenso mundo interior que abraçaria o mundo de verdades
Cresceram os irmãos e Beatriz já não mais lhes servia como guia, desprezaram-lhe então
A mãe já morrera de tanto beber,  pai assassinado no tráfico
Beatriz a viver de favor onde sempre colocou dinheiro, preferiu então ganhar o mundo inteiro para aliviar sua dor
O mundo, esse , abraçou Beatriz com um forte abraço farpado e a ali moça feia que era  via no mundo grande embaraçado  suas veias gritarem de dor, quando de Beatriz via  tão somente ela seu valor
virou-se, fez faxina, cozinhou para um loira sapecada, não caiu na vida porque sabia que a vida a abarcaria
Beatriz virou mendiga, um grupo de rapazes brancos, certa noite, a estuprou,bateram em seu corpo, sua dignidade pensaram que levavam e ainda disseram que ela teve sorte de não ser ali mesmo apagada deixaram Beatriz agora embarrigada
Quando tudo ao redor virou porrada, seus olhos, mais que nada já desistiam de viver
Foi quando viu no lixão uma apostila, e começou então a ler
nove meses se passaram  e a criança de Beatriz veio ao mundo, o grupo de mendigos esfarrapados fez festa, num só lance Beatriz viu todas as suas festas
e disse, , vai se chamar também Beatriz, mas será outra não a que eu fui
Um concurso do TJ abriu-lhe então as portas, foi toda humilhada, ni último banco da escada ficou a escutar o resultado
Beatriz agora era primeiro lugar e não mais via os rios brancos de si a caçoar
Beatriz agora é madame, a nova Beatriz menina frequenta boas escolas, anda em carro do ano
Não tem companheiro a velha Beatriz, quer sossego, felicidade e poder ser gente  sem as correntes do passado a lhe ferir a cicatriz
Quando dá festa, grita em gargalhada em meio aos mendigos de sobretudo,  muta alegria ´é tudo e
que finalmente o mundo conheceu a  verdadeira Beatriz
leva a filha ao altar, vendo-a casar  advogada que já era
Agora, Beatriz está velha, olha para a vela artificial de seu luxuoso quarto
e desata a rir e diz: eu venci quando era para estar morta
A Beatriz vida dos outros pouco importa
vai até o jardim, pega, uma flor , coloca no cabelo e despede-se  do mundo
não como um ser tratado como menos , mas como Beatriz que venceu a maldade e é dona dos próprios venenos
Beatriz cai no jardim, Beatriz agora é anjo e vai lutar combates novos em novas searas
sua passagem por aqui foi de ouro, não de lata.
Este e´só um rap para Beatriz, que todos diziam que seria infeliz, hoje vive nas nuvens, nos sorrisos dos netos, e lá do nada diz confiante, em golpe de ar num instante que hoje, finalmente é feliz.







sábado, 2 de agosto de 2014

SOL

No dia em que o sol invadiu o frio eu me vi de novo vivo
pois este movimento do mundo revela o que de vida existe em toda arte
o que de humano se desfruta em toda parte
e o movimento do mundo se instala tal qual rio nilo

Eu que queria subir o Everest agora subo  a montanha da palma de minha mão celeste
grutas subterrâneas, caminhos que se cruzam em mãos ininterruptas
pernas que correm e zombam umas das outras como ostras em  movimento
o jardim de Alá é aqui e cá fazemos de nossas vidas uma leitura de mãos vazias
de nosso olhos, pura covardia quando então não vemos nos outros valor e dia
nosso furor é resultado de nossa pífia leitura das cores e dos ouros que não são nossos
colocamos nos outros a culpa de nossa própria amargura
não há amor que traz cura, não há desejo que perdura em meio ao caminho da pedra dura
desde a palma da mão lida até os pés que descobrem a melhor pisada
seu riso irônico desaparece diante da absurda realidade que se instaura
no mercado verde alguém há de ver-te a correr por sobre a aliança do imperador
alguém que não conhece por inteiro insiste em te pedir dinheiro
e o vácuo das banalidades reacionárias é o caminho prefeito de quem não nos diz nada
E o sol insiste e perfura o vácuo trazendo alento neste dia de sábado
mais que uma canção esperta que fugiu do vinho
menos que a pessoa certa em seu escuro caminho
estes versos de ressurreição hão de abalar os raios de inexistente solar
da porta da casa se vê o absurdo da vida em cachaça e misoginia etílica
da porta do trem não se avista ninguém porque de escondido se encontra em cada olhar de inferno
No passado do inverno, na colher se sopa quente a nos desviar da cilada
em cada palma de mão há a história de todos nós como que em leitura vista
esse medo enorme de um Bela Vista, essa realidade que nos insta
as ramificações do sol em sol me faz menos animal
as falas ditas no silêncio agora encontram eco na primeira cigarra
o inverno deixou de ser para se tornar madrugada
e na palma de sua mão há de flores de papel mascadas
falsas também tanto quanto suas namoradas
imenso dia que inaugura o sentimento dos dias a nos dizer que vale a pena viver
pois o corredor de tudo é a possibilidade real de futuro
salve o sol de ontem, hoje e do futuro.






sexta-feira, 1 de agosto de 2014

RECEITA DE COMO DESTRUIR UMA NAÇÃO

Fabrique um deus de mentira, castrador, moralista e dono das vontades dos ricos
Deseje o bem a seu próximo, desde que seja de sua turma
não se esqueça de uma boa pitada de intolerância.
Diga a seus filhos que eles foram eleitos por este deus e que é inevitável a guerra-santa
coloque nas mentes juvenis uma colherada de idiotice feste-food
Diga às gerações que elas nasceram com mais direito à felicidade que outros jovens de outro povos.
Não se esqueça de lançar filmes B com cara de A em que barbudos mal vestidos atacam crianças estadunidenses.
 Leve uma pitada de ódio diretamente aos movimentos contestatórios e despeje sem dó
vá a uma igreja e grite em nome de quem veio aqui e pregou a paz, mas não se esqueça de pregar o ódio.
Compre quilômetros de jogos de video-game em que um idiota mata , simplesmente porque é bom matar
Mostre a capacidade de civilidade que você e sua família tem,por exemplo, dando sopa a pobres e cuidando de inválidos, desde que sejam os seus estes inválidos.
Incite o natural ódio contra as minorias dizendo que é vontade divina
Diga que a guerra é justa e que em briga de marido e milhares pode se matar a vontade
Desfaça os deuses de outras religiões, ridicularize todas as religiões, desde que não seja a sua
banalize o amor como se fosse uma droga que se compra na esquina, banalize a dor, dizendo que é necessário matar em nome deste deus construído.
Compre muito, compre a loja toda e mate dentro de você essa vontade de chorar porque vazio
compre um alma ou a venda nas imediações, mas não se esqueça de comprar e vender e de colocar a venda nos olhos.
também não se esqueça de criar uma pequena faixa de terra miserável, mate covardemente mulheres e crianças, mas diga na globo que a culpa é delas porque renegaram seu deus de inverdade
brinque de golfe com corpos de idosos, crianças e mulheres, diga ao mundo que é inevitável fazer justiça com as próprias armas, desde que sejam as suas, é claro.
jogue ódio sob forma de bombas e foguetes e aja como se fosse com um bom café da manhã oferecido ao outro lado do globo.
ah nunca se esqueça do Globo e da Globo que faz seus filhos lobos dos próprios irmãos considerados tolos
Vá a um terreiro ou igreja e destrua imagens , não deixe de revelar que só existe um deus, o deus de quem tem carro, mulheres,ódios e apartamentos,
 e que esse mesmo deus diz todos os dias que quem nada disso tem é um fracasso de pessoa e que não deveria existir, portanto
Diga que arte é coisa de gente vagabunda e faça sua contabancária imensa, profunda, e, não se esqueça de matar em si sua vontade de morrer e morra com com tarjas-pretas de hora em hora
Seja a própria infelicidade do planeta, mas ria e sorria porque filmado, a todo instante, todo dia
coloque um rock in roll-on debaixo do braço e mate que não te mataria
seja eternamente infeliz, mas viva em nosso século como se fosse a Idade Media do dia
seja noite para todos e sol para seu egoísmo, e grite na sala,quando a burrice gritar gollllllllllllllllllllllllll:
Desde de que nasci esse povo briga ,  ademais, nada temos com isso
nunca perca o juízo antes da meia-noite, nunca grite, nunca seja nada, seja sempre o nunca
e diga no dia seguinte que esse seu deus escreve certo por linas tortas
mas não se  de que o tempo passa e , no futuro, serás objeto de execração e de riso
porque ignorou o sentimento de nossos dias
Por fim  , jogue a última pá de terra e desligue a televisão e vá gastar no shopping de quinta
seja então eternamente infeliz e nunca se esqueça de fazer a infelicidade alheia
Parabéns: acabas de matar um povo em nome do seu