sábado, 23 de agosto de 2014

FECHE AS PORTAS E ABRA AS JANELAS PARA O AMOR

Abriu a porta para que todos saíssem um a um, e assim se foram
A raiva, esta coitada, insistia em permanecer ali parada, mas depois do susto no vácuo, despediu-sem recado de seu antigo autor.,caiu em um bote , tem novo tutor
O medo ainda o quera aterrorizar, mas vendo que o espírito crescia na vontade e perdia o medo de amar, saiu correndo, fez cooper de revés, o medo não apavora mais os pés;
O cansaço vivia a dar desculpas estapafúrdias, o cansaço lhe cansava o dia, o cansaço cansado o queria
Mas vendo que seu antigo dono agora ria, o cansaço cansado deu-se linha, saiu pela porta da cozinha
A mentira vestiu-se de bela rainha, imensos abraços que  vespertina tinha, foi vista pela última vez a catar latinha na latrina da vizinha
A inveja perseverou enquanto pôde, fez-lhe de ódio o que podia ter-lhe feito de amores
a inveja, essa imensa cabra cega voou pela aberta janela, foi vista embriagada em um posto na madrugada
A paranoia já não inventava histórias, já não via o que não existia, está agora deitada em uma praça fazendo pirraça em uma mente repleta de cachaça, de injúrias gratuitas, de inexistentes piadas
A desconfiança que a tudo presidia  foi-se rápido, mas jurou vingança de onde agora havia
esta ficou parada na calçada, boba queria, sem entender nada
A ignorância à tv assitia, ao computador vivia, esta pulou pela janela ao primeiro grito de liberdade vindo do coração do cara que agora sabe, a bobeira dançou quando a vida invade com suas cruéis verdades
queria esta dançar e gritar como que corrente e natural, a bobeira é só coisa de gente, vivia não nele agora sorria na boca de outros dentes, na esquina, no quintal
O tédio tentou se esconder, mas para ser tédio deveria aparecer de qualquer maneira, foi então defenestrado em uma segunda-feira revistada na sessão da tarde, o tédio foi aprender a tocar guitarra, ter outra namorada
A ironia, quem diria, se esquivou, fico tonta no canto da sala e nunca mais ironizou, acabada a festa, saiu de fininho e hoje vive nós lábios de quem é frustrado e vive de risinhos
a baixa estima se escondeu debaixo do cobertor, por mais que a procurasse não a a entendia só a sentia, então em ponto de fuga a pegou e a trouxe novamente até a porta da casa e de lá despediu-se dela, essa está agora nos lábios de quem tem dó de si, de quem nunca trocou seu chassi
Libertou-se de tudo o que incomodava e chorou dias seguidos, agora já pleno de si, abriu  ainda a pouco a janela para o outro, um amor novo, um amor rouco, um amor que não é pouco, um amor que não é flor roxa, que não é discípulo de trouxa, uma amor que o quer para sempre seguir.


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