quinta-feira, 28 de agosto de 2014

MEU PAI, MEU HERÓI

O filho era a graça da família, todos riam, debochavam do garoto e este se sentia feliz, achava-se  por isso importante
mas não riam com ele, mas dele e de suas respostas rápidas, de seu jeito que incomodava, incomodava?
diziam, assim, ele filho do Alceu, sei não, desatavam a caçoar, mas debochar de quê?... e o garoto não entendia  e continuava a sorrir, a declamar poesia
O menino gostava de ajudar a mãe nos afazeres do lar, diferente dos outros garotos de rua
que berravam com o pais e reclamavam uma sorte que não tinham, uma sorte sem sorte de meninos que agrediam, e assim eram premiados, por serem agressivos, por serem covardes como o pais
Ao longe, podia-se ver o garoto triste e com poucos amigos a cantar
a  mãe estava do seu lado, era o seu pilar
Se as pedras dissessem da covardia do mundo, elas nos contariam um segredo de amor
tanto foi que bêbado, naquela noite, o pai chegou
a mãe no quarto rezou, porque o garoto estava limpando as vasilhas do jantar
os olhos do menino se iluminaram..., seu pai, seu herói enfim chegava, iria um poema novo declamar
iria contar mais uma história para o pai , aquela que os filhos limitados dos idiotas vizinhos não ousariam , nem criatividade tinham para falar, sequer chilrear
Meu Pai, meu herói,meu  pai, minha coragem, meu pai, minha sorte neste mundo,meu pai, minha amizade, meu pai, eu te amo ,e assim correu ao abraço  que seria terno do progenitor, este então o repeliu com nojo , com ardor
o garoto mais uma vez não entendeu porque tudo o que fazia causava  raiva geral
o pai dizia  que preferiria ter criado filho animal a semelhante criatura
a mãe sobressaltada sai do quarto e tentar aplacar a exclusão
não encoste a mão no garoto, ela conhecia do ódio a razão
o menino, tenta abraçar mais uma vez o pai, recebe  então um tapa, um murro na cara
e cai...
as flores se vingariam se pudessem , mas não puderam e fugiram caladas da dor que ali vivia
o pai pisa na cabeça do garoto, e seu corpinho somente o chão agora vai agora querer
a mãe corre, tenta aplacar, leva também um safanão, entram em luta
mas o destino quis assim, param  a briga e no chão somente um corpinho sem vida
a vida do menino pelo pai tirada, a vida que para todos não valia nada
Correram ao hospital, tarde demais, o canto não havia, a vida não havia, o sorriso não mais teria
o pai matara o filho e este agora cantava em outros muros, outros reinos sem quintal
a televisão fez alvoroço do pai que matara o  filho ainda moço
chegam , perguntam e questionam
o pai agora sóbrio e atrás das grades, diz por fim e com seriedade, que não se arrependia pois matava no berço sua pior cria
filho bom é filho que berra, bate,bebe , grita, chuta cachorro,desespera..., mas aquele menino do Alceu, somente existia,,, era um garoto que tinha no no pai a alegria do dia
tantos pai heróis de mentira, tanta covardia em tantas casas, tanta tristeza com cara de verdade
tantos alceus,
tantas lições mal dadas com tapas na cara de filho que eu mato porque  é meu.



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