terça-feira, 19 de agosto de 2014

NOSSA SENHORA DOS CAMINHONEIROS

O dia virá, demorará, mas virá como uma avalanche de perdão para toda nossa humanidade
A história que conto pede para ser contada, pede para existir como uma nova mensagem, uma nova enseada onde anda a ode de meus passos, meus sofridos passos hão de encontrar a felicidade eterna
Nossa senhora, Rogai por nós simples mortais!
Naquela manhã, o rapaz esperava por carona, acenava e todos os carros passavam e ninguém o atendia
o rapaz iria desistir, precisava chegar à capital, precisava participar de um concurso que lhe mudaria a vida
Um caminhão passava e o rapaz mais um a vez acenava, dedos em riste procuravam fática resposta
mais uma vez o caminhão por ele passou e nada, somente mais uma vez a poeira da estrada, os olhos imensos do rapaz a contemplar a vazia estrada,
Lá, bem a frente, na estrada, o caminhão então parou, o rapaz nem acreditou que ganharia a chance da viagem e correu..em sua velocidade,
Meus passos, como doem à luz desta história, desta estrada,como preciso contar o que é necessário ser contado, como preciso livra-me desta narrativa que me pede ansiosa que dela diga, que reconte-a , até o ultimo dia de minha vida
O caminhão parou e o rapaz para lá se dirigiu, um senhor se uns sessenta e poucos anos lhe acenou que entrasse, então os dois se cumprimentaram e a viagem seguiu
quase em silêncio podia-se ver o movimento do vento, a canção das pedras, a vida que em tudo se encerra, a vida enfim gritava,o diálogo começava
--O senhor, então como se chama?- Disse o jovem
-- Luiz, venho de vitória e preciso chegar ainda hoje a este destino aqui no papel, já fiz esta vigem muitas vezes, agora me deu, o chefe, este papel, pode? E riu, pela primeira vez sorria. O rapaz, então pega o papel e estupefacto vê que nada nele estava escrito, engole seco e mais uma vez repara naquele senhor,, então percebe o que a maioria não perceberia, o senhor, olha fixamente a estrada e quase nada via na via. Mais uma vez, diz o rapaz:
-- Seu Luiz, o senhor me desculpe, mas não existe nada escrito aqui, o papel está em branco
Os olhos do senhor marejam, os olhos de Luiz da vitória são agora os olhos que choram, o senhor vira-se para o mancebo e diz:
-- Foi o que pensei, meu Filho quem não me escreveu este bilhete, é  meu chefe, foi ele quem me deu este papel. Ele desconfia de que não enxergo mais, e tem razão, não mais vejo quase nada, por isso te dei a carona, para que você fosse meus olhos e para que me guiasse na estrada
Como em meu coração dói  dizer da velocidade do caminhão,. como em minhas veias pulsa esta verdade ou ilusão de estrada. O rapaz então , chocado que estava, não sabe o que fazer, seria melhor então descer ali mesmo:
-- Seu Luiz, o senhor está quase cego , é isto?
-- Meu filho, cego é aquele que vê e não enxerga a própria enxerga, a verdade que o cerca
O rapaz está com medo da situação, ônibus vem, caminhão vai de raspão, o que seria então desgovernado vai deslizando tranquilo, rapidamente pela terrível estrada.Mas como poderia, um senhor quase cego guiar com tanta maestria, como pode ele, o futuro concursado, estar aqui neste mundo e quase em outro plano por segundos. Apenas os olhos olhavam atônitos,e Luiz diz;
-- Vamos rapaz, agora o que passa por nós é um posto com uma santa de concreto à porta?
--- Sim, seu Luiz, mas como sabe se ... os olhos agora já´secos olham para o nada e o rapaz entende como Luiz agora é a própria luz da estrada
-- Rapaz, eu , por quarenta anos fiz este caminho, sei de cada palmo desta estrada, cada curva, mesmo se nada enxergasse, eu conseguiria sozinho fazer boa parte do via porque vejo o que me acontece, mas me  diga, mudando de assunto, passamos pela santa  que se se encontra na frente do tal posto?
-- Sim, Seu Luiz, estamos agora por ela passando.
Nossa senhora de todos os caminhoneiros, nossa mãe dos aflitos, de minha  cegueira e dos cegos que enxergam e que seguem o seu caminho de luz
Olhava o rapaz a santa de pedra e pedia, somente pedia que a viagem seguisse tranquila e que ele então fosse de Seu Luiz o guia, e assim aconteceu depois que pediu à santa de pedra que os olhos a tudo e todos enxerga, a viagem, última de um dos dois, finalmente aconteceu.
A viagem continuava e minha cabeça agora quase explode de emoção, parecia algo simples, trivial, quem os visse veria pai e filho reinventados pela necessidade da existência. Luiz o pai que precisava de luz, o rapaz, o cão que lhe conduz. Então o senhor perguntava ao jovem:-- Aquela barreira, já passamos, a igrejinha já chegamos, e assim, o senhor Luiz adivinhando o que já de décadas conhecia. quando então chegam à capital. o rapaz lhe e pergunta sobre o filho chefe.
-- Seu Luiz, seu filho está a  esperar?
--  Rapaz, filho a gente tem  e não há como adivinhar, ele já tem sua família, não possui tempo pra mim, e eu o entendo.
Silêncio fez todas as aves do mundo quando o caminhão a estrada invadiu e desceu em seu destino. O rapaz então se sentiu privilegiado por ter um pai que ama, por ser amado de verdade. mas ali, aquele senhor era seu  novo pai, nem que voltasse a pé a seu destino não deixaria o caminhoneiro sozinho.
--  Seu Luiz-- diz o rapaz. chegou minha parada ,ali depois daquele novo shopping, O caminhoneiro entende e diz:
-- Vou ali estacionar,
-- Mas Seu Luiz onde fica o destino da carga?
-- Fica em um bairro, meu filho, do outro lado da cidade, vai demorar... eu me viro com o que restou de minhas retinas e sorri.
-- Seu Luiz,-diz o moço, eu me enganei de lugar, irei para onde o senhor vai, irei , se o senhor me permitir
-- mas como sabe onde vou? Diz o  homem ao volante, seu lugar já chegou.
-- o lugar que vou, seu Luiz, o senhor me ajuda a chegar, pois assim que descarregar sua carga, o senhor  me empresta um vale-transporte e eu me viro e chego onde devo então estar
 E assim fizeram, fizeram acordo novo que não mais se vê em família  quase alguma , acordo de estrada, acordo de quem os olhos acordam, veem tudo e veem o nada
Agora estou cansado de tanto digitar, me sinto  com pecado por escrever tanto de quem nunca existiu mas pede para estar.Nossa Senhora guiava os dois e  passaram pela nova cidade , transpuseram em silêncio o grande muro urbano. Mais uma vez o rapaz do filho iria perguntar, mas que como adivinhasse , o senhor caminhoneiro, fez-lhe um aceno e pediu-lhe silêncio.
Chegaram ao tal bairro afastado, um sorriso de Seu Luiz  menino tomou conta de rosto antigo, novo por fazer sua viagem, por cumprir com do filho falsa caligrafia de nada.Ele venceu o filho por fazer sua provável última viagem:
-- Muito obrigado, seu moço, que Nossa Senhora o proteja em seu caminho...
E feliz entrou para descarregar. o rapaz foi a um ponto de ônibus e , inda chocado do que presenciara parecia estar então na Idade Média, ou noutras eras, mas aqui estava e seguiu em sua também escura caminhada.
nunca mais ouviu falar do homem que vê sem enxergar,e toda vez que vê a santa de pedra, quado agora é também senhor formado, toda vez, roga à santa que o proteja, que o cubra de sua infinita esperança.
Eu peço a Nossa Senhora, mãe de todos nós, eu peço perdão por contar esta história, a linda e triste história deste senhor Luiz, Luiz de todas as memórias, luz de todas as vitórias.




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