Vivia com Flores na mão e a cantar o que ninguém entendia sua alegria sem motivos
Era uma senhora que passava por nós todos os dias, oferecia-nos flores e depois que seguia
despedaçávamos as pétalas e dela sorríamos
Dizíamos louca, porque não era igual a ninguém que conhecíamos
Dizíamos coitada pelas flores que oferecia e pela gentileza que nós não tínhamos
Amanhecia o dia ela dormia a porta de um roseiral
Era então a roseira maior de nosso medíocre quintal
Quando a víamos mofávamos e sorríamos sempre daquela celeste
incrível criatura, eu pensava que algo errado estava, mas como todos só ríamos, um rio de piada encurtava sua estrada
eu via a figura em forma de idosa mulher a oferecer flores a crianças maltrapilhas, a mim entre as tais crianças
mal sabia que eu era um escolhido, um privilegiado, não um idiota que recebia de um alouca flores durante o dia
e assim seguia em sua solidão, cantando a beleza da lua e a força do sol
e nós a seguíamos, nem nos dava atenção, a maldade de uma cidade pequena queria fazê-la pequena também
mas em sua loucura resistia, e não sabia que suas flores eram amor em forma de poesia, ação que irradia
o dia, reinventa a vida a cada instante, a cada movimento despercebido
Eu sabia dela, mas não queria, eu queria ser respeitado, ter uma turma
hoje sou muito mais ela em sua simples loucura, em seu sorriso desdentado de quem não tem nada
mas tem tudo o que todos não têm. ela tinha o segredo do dia, o formigas das formas, o que não se exprime porque de se si só fala
E ela falava em uma sintaxe nova, que quem só pensa em ter não acreditava ou não queria saber
dizima que era minha mãe por sua voz fina e eu chorava ´pore ver-me a ela comparado
Um dia, seu ramalhete maior subiu ao céu, e esperamos mais uma risada, mas não veio
E um moleque gritou do moleque gritava que a louca mais surrada por esgares já não exixitia
uma bicicleta a atropelara, um povo ruim sempre a atropelou
chegamos perto ao corpo e só um sorriso em seus lábios, um sorriso de quem cantava
mesma na penúria e solidão ainda achava alegria
eu me sinto agora como Lázaro da tumba saído, rejuvenescido po contar de alguém que viveu em um mundo paralelo, mas que era gentil, e minha educação burra insistia que dela deveria caçoar
onde estiveres espírito celeste, guardes uma flor para mim, e aqui te peço desculpas por ser um garoto mal
sem educação, sem nada, mas hoje restituo esta vontade
somos loucos em rosas imensas e de braços dados, abraços abertos espero que no céu das flores me receba
e vamos rir do que não entende, vamos ser crianças de verdade, sem bicicletas da maldade
me perdoe, minha mada louca decente.
Nenhum comentário:
Postar um comentário