domingo, 24 de agosto de 2014

O SORRISO DO DOUTORZINHO, PAI DOS POBRES, ÀS VÉSPERAS DA ELEIÇÃO

Passou álcool nas mãos e abriu um cínico sorriso de falsidade e autodeclarou-se amigo do povão daquela cidade
Uma pena de pavão lhe cobria a cauda de velha raposa, sua doença por dinheiro, sua postiça esposa
Olhou em redor mais uma vez, o vômito principiava, o suor à testa encharcava, um assessor cheirara a peido veio em seu encalço, limpou-lhe a cara, a deslavada cara dele, ensaiou mais uma vez seu teatro amador, olhou firme para seu anel de doutor, profissão que nunca exerceu, o pai, tanto quanto o avô nunca trabalhou
Mas o doutorzinho infame que montava a cavalo, dava vexame no bar, que estuprava a empregada, que odiava por odiar, que namorava moças burras que nunca levaria ao altar, que não sabia nada de saúde, educação, disse mais uma vez com sua máscara indecente, vamos lá pessoa penitente,vamos mostrar o quanto gosto de caviar, o quanto gosto dessa gente.
Um rapaz adolescente com a boca banguela ,do outro lado da linha à espera, quando avistou a comitiva empavonada, gritou a toda a criançada que soltasse foguete poque o pai dos pobres  chegava, a felicidade era aquela ilusão de uma insuportável certeza  que aquele sujeito levaria água, escola e segurança para um lugar descrente de esperança, de delicadeza, esquecido por Deus, mas lembrado pela família do famigerado desgraçado, dono da ignorância alheia, alheio ao sofrimento que campeia nas cobertas ruas de miséria
O carro oficial trazendo o vagabundo oficial subiu o morro sem asfalto, puro buraco adentro e os gritos de louvor começavam, foguetes no céu brilhavam e todos queriam pegar na mão do doutorzinho pai dos pobres, naquele momento então sentia-se um santo, porque era alvo de adoração, as pessoas adoravam seu carro, sua imagem de vencedor, sua cor limpinha , sua vida vazia como se melhor vida fosse a vida de doutor
E riu um riso que nunca riria, beijou criança feia, fez foto com a lavadeira, distribuiu santinho a todos
subiu no palanque e gritou  que o progresso ali finalmente chegou, o riso então era geral o cara tornou-se dono do quintal, e disse ao povo esfomeado que naquele momento precisava fazer bondade, e um caminhão  com cara de gigante presente se aproximou todo enfeitado com sacos de cimento, alimento, promessas de exames feito às pressas, um novo mundo era aquela festa
e gritou mais uma vez que a amargura acabava ali, quando atrás de si seu espumante assessor recolhia assinatura e títulos de eleitor
Abriu um saco de batata e a correira foi geral, ergueu uma santa de que nada entendia e diz-se penitente, fiel ao deus dos inocentes e era a figura de uma caricatura divina, indecente, e assim fez por outras vilas onde escola jamais chegava, onde posto de saúde nunca se via, e conseguiu o que queria
Elegeu-se e garantiu o seu bistrô, seu parapente, dua droga de rico,sua maldita semente
Mas os dias se passaram e o povo faminto foi a sua porta bater, seu assessor disse que ele trabalhava muito, não tinha mais tempo, não mais podia mais atender, era da jogatina o dono e o jogador, era o que queria ser
Do outro lado as pessoas esfarrapadas pediam, mas ele nunca mais suas imediatas suas vontades atendia, trabalhava demais, muito, era um fantasma enxuto, um fantasma que dava duro no campo de golfe da família
, que roubava sonhos,esperanças, queria apenas viver em Miame com amantes caras, joias raras, Rio de janeiro... e a vila pobre então dela se esqueceu
E assim aconteceu e acontecerá por muito tempo, aqui , ali e em qualquer lugar onde o povo deixar
para que assim daqui a quatro anos volte a caravana dos enganos, com seus doutorezinhos novos a distribuir caridade entre os pobres, a sorrir um riso de máscara de cinema, a prometer o que não se promete
a investir somente nos seus, pai do pobres era um grande riso, um grande problema que  em toda eleição acontece, um safardana que nos entristece



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