domingo, 3 de agosto de 2014

RAP PARA BEATRIZ

Eu vou cantar um novo rap., um rap feliz
eu vou contar para você, o rap da Dona Beatriz
vive hoje sozinha etérea porque desde menininha cuidava dos irmãos
a mãe bebia, o pai traficava, a irmã então já se prostituía
E ela cansada de sua vida amarga olhava a madrugada cinza e sorria feliz
Beatriz à beira do barranco inda menina olha a estrada infinda e volta a casa
sua casa agora chovia e ela e os quatro irmãos desafiavam a vida e seguiam
Já com 15 anos, muita covardia no colégio, os colegas riam de sua cor,
de sua pobreza, lá no fundo Beatriz, diz com certeza que quem ri por último ri  para sempre
e seguia em sua falta de tudo em sua posse de nada , catando  comida aqui, lavando louça via sua família com dor
Um dia, Beatriz, dizia consigo sozinha no corredor do presídio escola, hei de ser madame e hei de acabar com o vexame do preconceito e da falta de sorte
mal sabia a menina que, quando convidada para um festa virou alvo de chacota e chorou um rio em duas madrugada sem pote
Beatriz só ficava em casa, calada, dona de um imenso mundo interior que abraçaria o mundo de verdades
Cresceram os irmãos e Beatriz já não mais lhes servia como guia, desprezaram-lhe então
A mãe já morrera de tanto beber,  pai assassinado no tráfico
Beatriz a viver de favor onde sempre colocou dinheiro, preferiu então ganhar o mundo inteiro para aliviar sua dor
O mundo, esse , abraçou Beatriz com um forte abraço farpado e a ali moça feia que era  via no mundo grande embaraçado  suas veias gritarem de dor, quando de Beatriz via  tão somente ela seu valor
virou-se, fez faxina, cozinhou para um loira sapecada, não caiu na vida porque sabia que a vida a abarcaria
Beatriz virou mendiga, um grupo de rapazes brancos, certa noite, a estuprou,bateram em seu corpo, sua dignidade pensaram que levavam e ainda disseram que ela teve sorte de não ser ali mesmo apagada deixaram Beatriz agora embarrigada
Quando tudo ao redor virou porrada, seus olhos, mais que nada já desistiam de viver
Foi quando viu no lixão uma apostila, e começou então a ler
nove meses se passaram  e a criança de Beatriz veio ao mundo, o grupo de mendigos esfarrapados fez festa, num só lance Beatriz viu todas as suas festas
e disse, , vai se chamar também Beatriz, mas será outra não a que eu fui
Um concurso do TJ abriu-lhe então as portas, foi toda humilhada, ni último banco da escada ficou a escutar o resultado
Beatriz agora era primeiro lugar e não mais via os rios brancos de si a caçoar
Beatriz agora é madame, a nova Beatriz menina frequenta boas escolas, anda em carro do ano
Não tem companheiro a velha Beatriz, quer sossego, felicidade e poder ser gente  sem as correntes do passado a lhe ferir a cicatriz
Quando dá festa, grita em gargalhada em meio aos mendigos de sobretudo,  muta alegria ´é tudo e
que finalmente o mundo conheceu a  verdadeira Beatriz
leva a filha ao altar, vendo-a casar  advogada que já era
Agora, Beatriz está velha, olha para a vela artificial de seu luxuoso quarto
e desata a rir e diz: eu venci quando era para estar morta
A Beatriz vida dos outros pouco importa
vai até o jardim, pega, uma flor , coloca no cabelo e despede-se  do mundo
não como um ser tratado como menos , mas como Beatriz que venceu a maldade e é dona dos próprios venenos
Beatriz cai no jardim, Beatriz agora é anjo e vai lutar combates novos em novas searas
sua passagem por aqui foi de ouro, não de lata.
Este e´só um rap para Beatriz, que todos diziam que seria infeliz, hoje vive nas nuvens, nos sorrisos dos netos, e lá do nada diz confiante, em golpe de ar num instante que hoje, finalmente é feliz.







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