A noite escura perseverou entre os galhos da loucura do medo e das raízes da decepção
as trevas com suas daninhas ervas encontraram nas sombras sua morada sua gratidão
a cabeça doía, não era mais possível parar de pensar ou parar para estar na cama,
A lua requereria cuidados e quando nãos os viu quando cobrou de mim esta posição vil
Infinda noite que bate em mim seu acoite e faz de toda eternidade um minuto de pálpebras que se cerram e que dormem, a insônia eterna não dura, mas perdura na mente
O vale maior que está para além de nós também treme quando do meu rosto uma lágrima de sono espreme, cai feito bomba na face morena, imensa bomba feita de transparência pouco serena
E fica a rodear a cama insana a perturbar os sentidos, faz de nós todos sonâmbulos sentidos
A moça da tarde anterior diz que fazia arte quando só filho faz, nisso uma profissional, faz burros filhos para não só ter com quem falar porque é a insuportável que há.
é uma especialista em fazer maldades para o mundo sob forma de ímpios descentes,descrentes do que é ser brasileiro, descrentes da ideia maior de respeito, faz brancos ocos em seu ventre roto, mas cheio de adoração porque possui a covardia de quem está sob o conforto precário de fazer um filho por dia
Para ela, a noite também cai e não perdoa, neste momento sua vontade de fazer ignotos também acontece
é uma cabrita que faz filhos quando deveria fazer arte, tipo de cabrita que se vê em toda parte
Mas a noite perturbadora questiona a todos, vai do coxa até o pescoço em todos os nãos , incluso nela
e dói no estômago cabritóide, dói na goela, queima a paz, faz de nosso instantes pesadelos irmãos
A noite nos ensina a viver para além de fazer filhos feios e ver o tempo correr, para além de ser mais um no meio da manada, a noite com seu pérfido manto e´tudo e é toda madrugada
pois não exite quando quero vê-la, somente sua sombra na janela impera e nos dizer sua obviedade, sua vontade de cobrir tudo e todos para todo o sempre, a noite já não é semente e avança como cavalos sem aliança, como festa ruim, como casaco de mandarim , como sobretudo que há, a noite imensa a nos ensinar a sofrer, cada qual sofre a seu modo, eu de pesadelos enormes, a artista a fazer mais um imbecil, e o vale a revelar sua claridade, sua flor infeliz
lá a noite é imperatriz, e sobe em altares, e canta e não se cala, e recebe o dia como a um irmão
para além de um ego caipira a noite é toda menina, e se entrega ao dia, sua paixão, entrega-lhe o bastão das horas
e a insônia nos deixa, o filho limitado agora já é e o vale recebe o sol que o cobrirá de sentimentos aéreos
a noite é a melhor amiga mas muito inimiga quando se é pequeno, quando só se destila veneno, quando o vale diz de sua irracional razão, a noite é também da cabrita que agora grita que mais um cabritinho tonto nasceu, que agora que dançar, quando nem sabe conversar,
idiota criatura, filha do dia e das mesmices repetidas há séculos
a noite há de ensinar-lhe que viver é melhor que parir filhos, que viver é uma ato de abraço
entre a dança da noite e o riso franco do dia que nasce
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