sábado, 2 de agosto de 2014

SOL

No dia em que o sol invadiu o frio eu me vi de novo vivo
pois este movimento do mundo revela o que de vida existe em toda arte
o que de humano se desfruta em toda parte
e o movimento do mundo se instala tal qual rio nilo

Eu que queria subir o Everest agora subo  a montanha da palma de minha mão celeste
grutas subterrâneas, caminhos que se cruzam em mãos ininterruptas
pernas que correm e zombam umas das outras como ostras em  movimento
o jardim de Alá é aqui e cá fazemos de nossas vidas uma leitura de mãos vazias
de nosso olhos, pura covardia quando então não vemos nos outros valor e dia
nosso furor é resultado de nossa pífia leitura das cores e dos ouros que não são nossos
colocamos nos outros a culpa de nossa própria amargura
não há amor que traz cura, não há desejo que perdura em meio ao caminho da pedra dura
desde a palma da mão lida até os pés que descobrem a melhor pisada
seu riso irônico desaparece diante da absurda realidade que se instaura
no mercado verde alguém há de ver-te a correr por sobre a aliança do imperador
alguém que não conhece por inteiro insiste em te pedir dinheiro
e o vácuo das banalidades reacionárias é o caminho prefeito de quem não nos diz nada
E o sol insiste e perfura o vácuo trazendo alento neste dia de sábado
mais que uma canção esperta que fugiu do vinho
menos que a pessoa certa em seu escuro caminho
estes versos de ressurreição hão de abalar os raios de inexistente solar
da porta da casa se vê o absurdo da vida em cachaça e misoginia etílica
da porta do trem não se avista ninguém porque de escondido se encontra em cada olhar de inferno
No passado do inverno, na colher se sopa quente a nos desviar da cilada
em cada palma de mão há a história de todos nós como que em leitura vista
esse medo enorme de um Bela Vista, essa realidade que nos insta
as ramificações do sol em sol me faz menos animal
as falas ditas no silêncio agora encontram eco na primeira cigarra
o inverno deixou de ser para se tornar madrugada
e na palma de sua mão há de flores de papel mascadas
falsas também tanto quanto suas namoradas
imenso dia que inaugura o sentimento dos dias a nos dizer que vale a pena viver
pois o corredor de tudo é a possibilidade real de futuro
salve o sol de ontem, hoje e do futuro.






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