Chovadeiramente as chuvas chuvavam
quando a primeira e mais velha aguarada diz a suas chuvas filiadas
chovam por prazer em todas as partes sem água
uma das chuvas gritou solene que chuvar já não podia
a chuva-mor quis saber o chuvisco de tanta choveria
a chuva lacrimou que por aqui não mais teria chuva ou tempestade
porque das chuvas não chuvavam do humano sem caridade
todas então em alvoroço queriam saber o porquê de não mais chuvar
a questão não resolvida em poças dagua a soluçar
a chuva do olho do lavrador era o céu que não dizia
a chuva ácida das cidades das grades regalias
a chuva chosca no chorvalho desentendia
o garoto sem chuva água para a mãe pedia
chuva nova, chuva velha chuva que a nós não não mais desabasse
chover assim queriam todas as horas, vales lares sobre telhas cantares
chover em prédios feitos de concretos de dor não merecia
a dona de casa abre a torneira e vê a falta do líquido que do amor não tinha
o gado sofre por não chover em seu pasto serventia
o povo todo a dançar a dança da chuva e mesmo assim não chovia
Todas as chuvas em chuvableia resolveram chuversar sobre o porque de não chorar
quando um chuvisco, menos notado que sereno
grita pequeno que a chuva não chovia por conta da secura dos seres
por causa da pedra nos corações,
por desejados pingos da ingratidão
por anos chovendo sem ter água escoamento
por ricas casas e barracos que choviam gritos corredores sem lenço
por todas as maldades disfarçadas sobre o vento
e todas gritaram não vamos mais chover
nunca mais uma gota de água há de se ter
quando imenso do arrebol gritou a nuvem maior
aquela que cria todas os tipos de chuva
todos os dias
chovam mais uma vez sobre a terra!
e que o ser humano, este ingrato, aprenda a nos valorizar, basta de secar e comecem a chorar
desceram todas e chuvaram meses a fio
e o mundo agradeceu e chorou com as chuvas a imensa lágrima de Deus.
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