sexta-feira, 5 de setembro de 2014

O BAILE DA CIGARRA

Segurava as bolsas na madrugada
de  amigas que namoravam
era a tal moça feia calada
os moços não lhe davam três, dois  nenhum beijinho
pegavam na mão dela sem carinho
a suportavam é verdade
e ela seguia em sociais migalhas
sorria, cantava e todas cortejadas, exceto ela,
feiura não beijava
os rapazes corriam de sua figura seu nome
era a inexistência que tinha
nas baladas nada,
 sozinha
em sala de aula  rainha, ajudava as colegas daninhas
porque conhecimento tinha
depois que da professora  todas as notas lançava
voltava a ser de todas  fiel empregada
quando, à noite, chegava a casa
se calava e no escuro do quarto
sonhava impossíveis companheiros
sapos em príncipes ligeiros
também solteiros
para lhe beijar, lhe entregar a maçã do amor, lhe chamar de meu bem como for
 seu  Romeu em espelho
então chorava e queria ter respeito por segundos admirada, antes também amada
assim seguia.
Qual não foi então o espanto
quando um dia apareceu na discoteca
de mãos dadas com o mais bonito da festa
desmaios por todas parte, caretas feito lambretas
como podia, ele, o mais bacana da escola
beijar na boca o canhão
na frente de todas  e de seu  incrédulo irmão
Aquela noite foi dela
namorou o mais bonito que ali estivera
o mesmo que antes nem a via
as colegas quase sem acreditar
o rapaz a sorrir, a lhe beijar
e dançaram a valsa dos amores
em tortas, cambotas flores
grande estilo final de festa
saíram ligeiro do lugar
ela se vingara era de todas a maior cigarra
na rua de baixo,para  a motocicleta
o rapaz diz logo, me passa o dinheiro,
ligeiro
ela abre sua bolsa
e lhe entrega as notas
ele limpa o rosto
acelera e vai embora
ela agora tinha um segredo
terminava ali seu degredo
comprara por horas um falso amor como se compra um brinquedo.







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