O Alpendre imenso alegria da garotada
o telhado quebradiço parque do beija-for
imensa arquitetura desafiava o vento
sua cozinha pequena era o segredo dos que ali viviam
a correria das crianças, aquele sobrinho a gritar na sala de jantar
a vida acontecia em sua paredes iluminadas retratos do sonho
pintados em um teatro de sombras dos momentos vividos
dos dragões em chamas em mãos divertidos
a casa é a arquitetura do sonho e das imensas alegrias e dos nós passados em seus corredores
o quarto reclamava o gozo dos noivos perdidos de amores
No escuro podia-se observar o silêncio que tomava conta das sombras e do feixe de luz deste bendito lugar que entrava na fresta da porta a cantar, nossos olhares incomodados, precisos pouco sonhados
o banheiro menestrel cantava desafinados rouxinóis loucos
o canto no canto saía de casa e voltava rouco
a copa das copas ficava torta de tanta gente que ao mesmo tempo sorria
a dispensa com roedores enfileirados criava o clima que o sábado queria
o barulho das sacolas que abrem e se fecham no ardor do sol de sua passagem sobre a a terra
a casa é a imagem em ouro de outro museu outro mausoléu do passo surdo cordéis
pela manhã, o primo chato, pela tarde esvaziado por todo o tempo calado
a casa com seus velhos retratos pendurados onde não mais se lia a face do não mais existia
a garagem era a saudade dos finais de festa dos que eliticamente se suportavam,
nos muros de uma casa torta de novas mentes, velhas senhoras,fechaduras descrentes que fecham o mundo e guardavam a usura que recriam o quarto em velhas rachaduras
o choro do bebê, o soluçar dos olhos velhos que não se cansaram
o brilho de outros passos nas escadas, a mente do que nos aguardava
dentro da casa havia o ser casa que formado por microbiológicos soldados de esperança e destruição
vivia tal qual caixa chinesa, suas dores, suas certezas de que casa que a casa fica e casa vai
dos tempo em todas mãos e nas paredes de cal.
em seu imenso corpo
em seu devoto triangular rosto pintado de sal.
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