quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

A PRINCESA AFRICANA

Eu vi uma princesa africana agonizar no corredor de um hospital público.
Meus olhos se encheram de lágrimas diante da tristeza em percebê-la agonizar diante da indiferença de um maligno véu social que a torturava.
Lindos Olhos,corpo imenso de deusa, ali nada era, como se não existisse, nunca tivesse sua imensa realeza desta e de outras eras..
Cheguei perto e uma enfermeira mensurava sua pressão,
do lado de fora gritos de uma multidão aflita e eu nada podia fazer diante da humana covardia
A mulher me disse que a infanta africana dali a minutos morreria e eu poderia por um momento ver o passado em seus lindos olhos de negra pérola
Nos olhamos e a luz se abriu diante de mim:
Risos,festas,alegrias, uma dinastia era mais bela que a nossa própria noção de vida e de terra.
Adultos e crianças brincavam em eterno baile e os dias não eram fardos, eram fatos de uma existência,de deuses que também riam e dançavam.
A festa imensa tomou conta de meus olhos nos seus então cravados e vi o verdadeiro que por séculos se perdeu no tempo.
Humanos livres então foram escravizados e trazidos em imundos navios
Aqui desumanizados e agora então transformados em bala de canhão de uma sociedade que há muito perdeu a noção do que é o seu próprio chão.
De dor em dor seu corpo machucado e seu olhos então devagar se fecharam
Bombas e o povo tomou para si o lugar e não se sabia de onde vinha a multidão faminta que já não mais aceitava simplesmente esmola por covardia e fétido pão.Agora queriam eternamente o não que lhes deram por sina.
O hospital começava a declinar, todos corriam e então acordei suado de um irado sonho malvado e cruel.
E então vi: quem dormia era o país que bocejava sem dó em seus filhos que assim padeceram em um miserável hospital que não lhes merecia desde a raiz.

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