quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

CÃES

Vinte minutos para partir e enlouquecer uma rodoviária
seus olhos tristes fitavam o nada debaixo dos olhos pretos que escorriam lágrimas.
gritaria, pessoas, flores, pasteis, zumbidos e toda sorte de tudo criavam uma alegria artificial
somente os cães e ele sentiam o peso da espera, matilha em novo quintal.
Uma bolha de lágrimas podia muito bem ser uma piscina
os olhos marejados do moço e os cães a chorar no poço
os olhos marejados do moço e os cães a chorar no imenso poço
Os minutos passavam, lembrava-se da pele de sua amada
ninguém ali o conhecia e ele só sabia do cheio que se perdeu
os olhos verdes que se foram e o deixaram ali
dez minutos para a partida e nada
os cães se enroscaram no chão e a algazarra tomou conta da cidade
Ele parado, escravo de uma sensação , do que mais não existia nele, na epiderme,, no coração.
chorava e suas lágrimas tomaram conta do terminal
os amimais caninos choravam também por ele e pelos minutos que definitivamente os separariam de sua querida
Então entrou no ônibus e estava desconsolado
Um estrondo logo se ouviu
e todos os falsos alegres viventes iludidos sem acreditar, então viram
um ônibus a sair de um lugar ermo
e cães a uivar barbaramente em coro
fazendo valer o amor novo que nascia no desterro
sua amada, mesmo não estando ali era o melhor cheiro que o amor produziu em um dia tarde de Abril.

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