Eu tenho uma vontade em mim de
um tempo que não vivi, um tempo que não é este
Eu tenho uma saudade do futuro
Como um carro sem sair do lugar, taciturno
Eu subi no alto da montanha eu corri contra o vento
o lenço sobre mim, Tuareg moderno, a mim mesmo assim mesmo venço
o deserto que separa o silêncio e o dia férreo.
Eu tenho uma esperança como leve brinquedo de criança crescida e esquecida pelo vão da vida
Um futuro nas hortas, nas maçãs criadas das passadas tortas
Eu procuro o oásis, eu me vejo como eu mesmo quase
eu sou a lembrança de um tempo que não mais arde
Um pequeno abandono, de mim mesmo agora dono.
Grita em mim todos os silêncios, verdadeiros venenos do tempo
do ser em mim e outras eras, recorte das vencidas feras do relógio .
O subsaariano que não aceita mais somente o óbvio
o sobresaariano de si para sempre dono daquilo tudo que nunca foi seu
das batidas do pêndulo, seus olhos, pestanas de cimento do adeus.
Eu sou o passado que olha para si e segue
Eu grito por entre as flores e o futuro tece aranha do passar das patas entranhas
eu sou este novo antigo , destro.incerto sem nada, sem data
Eu me amo mesmo quando me detesto na calada.
Um olhar sob o lenço, um camelo.
Um dia inteiro como um substantivo de um deserto verdadeiro.
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