No alto daquela serra há um pé de jabuticaba que sabe mais daquele lugar e do nosso do que qualquer anel falador na mão de qualquer especialista em felicidade
as árvores nos contam histórias, mas não as ouvimos porque perdemos essa sensibilidade
o pássaro nos confidencia, a abelha nos pergunta sobre a existência que na guerra se finda, tocar o outro é despedir-se da vida
E reinventá-la no instante seguinte ao desejar da água da liberdade do ser, do corpo que dança ao vento e
que sabe-se levante de um só tempo. de um homem só.
que sabe ser confusão, amor, praia, vida nova,invenção de nossas sensações... mas não sabe ser memória
as coisas todas guardam de nós nosso tempo e nossa memória
aquilo que esquecemos para lembrar outras ilusões e fatos
uma revoada de pombos anuncia o dia, me veem, eu os vejo, voam sobre mim como o milagre do dia que nasce novo, dia de encontro, despedida, dia de saber que as coisas todas se vingam porque por si permanecem
a vingança dos vegetais está em ficar no mundo quando a morte nos rouba a intransigência de sermos mortais
um cacaueiro me lembra que eu passo e que ele pode ficar
A memória como atributo de quem se lembrou deixa de existir em nome desta outra que nos é contada todos os dias por estes seres naturais
que são desconsiderados em nome de uma ordem estabelecida, imposta, que nos diz que um dia bom é um dia de humores maus
sofrer, viver, dançar, é principalmente sorrir dos erros, não levar-se tanto,. mas deizar-se levar, ser então como os seres naturais, sem adestramentos sociais
sem pensar o já pensado, sem fraquejar quando já fraquejado
consciência da imensa vulnerabilidade faz o homem memória de sua vontade
ser fraco é ser como os vegetais, imenso grande solto no ar e poder deixar de existir a qualquer momento, em um suspiro , uma tempestade, ou apenas um ai.que despetala o mundo e de novo o traz.
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