sábado, 1 de março de 2014

CANTO PARA FERIADO NACIONAL

Um grito invade o sol da manhã e me lembra do movimento do humano na terra
há no começo do dia a fantasia da representação das coisas
há um canto e violão para saudar ao senhor ou qualquer deus de todos os dias mortais

Eu penso na liberdade como limite do corpo e morada da utopia da alma
todos os sábados matutinos seriam então divinos se recheados de canto
para todos, em todos os  cantos que invadam meu canto e os de todo mais
meu canto, minha voz que não se cala possui agora a que se equipar
que busco, tal qual o moço menestrel, um alento fonético de golpe de ar
e dizer ao mundo que aqui ainda se vive com voz para furar a camada da injustiça
chore por quem chore, se há um deus a quem se implore há vida que canta e essa vida soberana das horas
na hora da existência das coisas no crepúsculo da aurora
no calor que invade e a vida que nas árvores implora
rasteira, essa vida vegetal recebe o canto em seu quintal e o desfaz em pura seiva que se deixa
primeira ao sabor do destino natural
o canto matéria de sal e purificação da alma, dono e condutor da calma
desafinado ou não seu poder de persuasão convida os passarinhos a reconhecerem-se no próprio ninho.
esse canto é saudação da estrela matutina ou esperança que ainda nos ilumina
a vida que insiste em ser em  meio à  impessoalidade da tecnologia
e do desenfreado barulhento consumo exagerado, todo suado, que de vazio se fez
o canto revela minha tez morena
o canto de longe, de perto o canto Siriema
o quanto chora as éguas de pena
o quanto rí da noite a pessoa ingênua.

Esse grito deve então invadir todas as manhã como canto novo
e representativo dos desejos de renovação do mundo
este cantar imenso, astuto, agudo.

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