domingo, 9 de fevereiro de 2014

poça que possa

A poça d'água treme à vista do olhar
sua composição incolor fala de outros mundos
outono chão de puros fundos
e esse calor abrasador
 o vento tenta dançar com a poça
mas esta por ser  moça
não arreda de sua condição de pequeno lago
mini algo , mini alguma coisa de fato
a evaporar por isso treme
a esbravejar no cortume do silêncio.

a poça é pura dignidade por ser  formada
em uma borrifada de balde
a poça possa ser enquanto não evapora ter
a poça dorme em lago imenso aos olhos das formigas amigas que de tudo entendem
a poça é poça porque não,pode  mover-se, se  não seria poça nômade
escorreria pelo ralo
entenderia o caminho do gargalo
se juntaria, agora não mais evaporada
a outras poças também libertadas
e se transformariam em de riso aquático enchente
que leve em si e para o mar as dores dementes que dormem contentes nesse fingir do que é gente
que traga de si, nova terra, poças novas, novas sementes
a poça que trem sob o  evaporar
essa há se subir como anjo
e voltar como chuva de março que nos redima, que nos faça mais gente.

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