eu sou um poço de alegria
eu vejo o sol e o saúdo todo dia
meu irmão de ouro nunca me deixou
amo a rua e suas marcas deixadas nos dias passados
pretéritos imperfeitos recentes,marcados
cores casas e pessoas todas dançam em meus lábios imensos sorridentes
eu quero sorrir mas nunca artificial
sorriso de quem não venceu na vida, de fracasso mesmo
mas que venceu as pequenas mortes de todos as horas e da alma
as pequenas despedidas de si mesmo
as pequenas ilusões agora enterradas
agora somente a derradeira gargalhada que enche meu dia e revolta quem está aprisionado nas etiquetas
nas convenções, nas normatizações sugeridas
ou impostas pela manada
Paga-se para viver deste ou daquele modo
a janela do metal tartarugeante me mostra o dia, que é meu amigo
o sol, meu camarada, a lua, nova imensa namorada
eu sinto-me dono de meus passos
meus gritos, angústias, ais
o ego quer finalmente dissolve-se nos dias
e essa profunda imensa danada alegria
toma conta de mim, me faz caminhar
sorrir, sem nada pedir em troca, sem precisar de sua toga
sem ser o outro que me olha, mas eu mesmo reinventado em mim de mim mesmo em outrora retirado
agora dono do discurso
sigo meu intenso curso de alegria
a sorrir com ou sem sua companhia
a brilhar mesmo que sem querer, imitar, meu irmão dono do céu do dia
não ser, quando o principal é somente ser o ser
somente um riso,um risco de rosto, uma Metonímia
a aquecer a indiferença dos meus dias.
sorria, você está na alegria predestinado
que vem e que enlaça
doce , imensa alegria bárbara
que sacode a poeira de todos os lamentos
e discussões
que revolve o baú das inocentes ilusões
que faz do susto a imensa descoberta
envolve-me em sua aura pouco deserta
coberta de dignidade na flor da mocidade
o riso, meu filho, esse não tem idade.
Nenhum comentário:
Postar um comentário