Como morrer para renascer em qualquer lugar
e ser a planta que medra sem ser notada
ser o vento que berra imensa janelada
ser de todas as coisas menos que nada
despetalar na estrada sem ninguém ver
viver no húmus do que deixou de ser
partes do corpo voltadas para o chão
ser a terra que lavra a vida e come as carnes do cão
Ser a mão que decepa o tempo
passos caídos na escada
desde que acariciam os degraus do nada
desde que são olhos imensos a segredar a noite
a contar fábulas dos umbrais da corte
a vida carece da morte de outrem
a vida magnifica conta de ninguém
a morte ávida no terreno da inexistência
antes do nascer era a vida em desistência.
subir esse barrancos multicores
descer desses tamancos calores
falar desse silêncio horrores
conhecer a fundo todas as flores
paixões em braços amores
e maior que o mais infindo inseto
a desejar a vida e aceitar da morte o cetro.
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