Aquele famoso jogador de futebol que nunca teve a probidade de reconhecer a própria filha e os netos disse décadas atrás que o brasileiro não sabia votar. Não sabia e não sabe. O movimentos sociais assistiram estarrecidos mais uma vez à subida no poder de gente que odeia pobre, negro, homossexual, mulher e índios. Gente que daria tudo para que esses grupos sociais desaparecem instantaneamente da face do globo.O brasileiro é um boi manso que nunca teve coragem de correr valente e destruir a cerca do apartheid construído historicamente por si mesmo e por aqueles que ditam o que correto ou não nesse estábulo chamado sociedade. Sim, o povo brasileiro gosta de ser mandado, gosta de ser humilhado em praça pública, venera a dor do machismo, da homofobia e da misoginia,.do sexismo, do classismo. Quer ficar atrelado a esta cerca colocada por alguém sei lá quando na era colonial e se sente então confortável dentro dela , falando mal dos políticos da longínqua Brasília e se esquecendo da real participação em sua rua, em seu bairro, sua comunidade. Reclama, grita que os políticos profissionais nãos prestam ,mas deposita o voto em que o detesta. vai entender povo assim, vai!
Fazer política definitivamente não é ir de dois em dois anos votar em alguém e esperar o baú da felicidade. Fazer política você faz em conversas de bar, na esquina de sua casa, nos grupos de caminhada, de oração, nas oficinas literárias, em sua família, nos movimentos contestatórios. Fazer política cansa. Então, faz-se política de xingamento à toa e a todo momento e permanece somente na reclamologia. Fala-se mal de todos e tudo e novamente é dada a cara para mais um vez baterem. Que país masoquista, triste, com Síndrome de Estocolmo, que pensa que seu agressor é seu melhor amigo?
A eleição presidencial mostra claramente esta baixa autoestima. Candidatos comprometidos de fato com a transformação das estruturas tradicionais de dominação não chegaram juntos a dois por cento dos votos computados. É assombroso. Mas o que mais assusta é a Assembleia legislativa e o Congresso Nacional agora como sempre estiveram: eleitos tradicionalmente corruptos, racistas, machistas, homofóbicos e fundamentalistas entre os mais votados e outros que receberam a herança moral e sobrenome da covardia de suas tradicionais corruptas famílias . O boi manso, o povo brasileiro, espera calmo a hora do matadouro. Espera e confia naqueles que o detestam, já dizia o grande Cazuza. Triste sina de uma população que adquiriu poder de compra mas é comprado por meia dúzia de palavras prontas e mais uma vez vota nos inúteis parasitários do poder, que sugam impiedosamente a verdade e a manipulam para quase todos dentro do tubo de imagem.
Junho, As manifestações de 2013 nada mais foram que um passeio dentro do próprio curral, dentro da cerca e uma ameaça de sair dela, mas só ameaça, como se todos pedissem para eternamente lá ficar e aceitarem assim toda sorte de maus tratos. O povo aprendeu a sofrer e não quer saber desta tal liberdade.e protagonismo social.Isso é coisa de gente de esquerda,como dizem os que odeiam as cotas, o bolsa-família, mas querem que seus filhos estudem nos Ciência sem Fronteiras.
Que povo é este que fala mal de seus políticos como diversão diária, mas vota na mesma canalhada que deixou de cuidar de sua praça, que deixou de fazer o bem a todos, à coletividade. Abaixa então a bovina cabeça para seu dominador tradicional. A tristeza agora toma conta de quem acreditou por momentos que haveria em curso uma mudança. Nada há que fazer a não ser sorrir e aplaudir a festa deles e esperar o que jamais virá. Você ri de sua própria tragédia. de sua própria falta de escola, de sua moral, sua imensa miséria.
logo, não há o que fazer, a não ser continuar o trabalho de formiguinha na construção da consciência coletiva, para que daqui a décadas, não aquelas do racista negro jogador negador de sua descendência, mas décadas futuras em que haja consciência real dos impostos que se paga e que não voltam em forma de serviços de qualidade. Consciência de que não somente se deve garantir a sobrevivência da própria prole. O ser humano deixará então de ser rebanho, manada. Isso irá demorar muito, mas não há motivos para desistir,mesmo porque nossa realidade já foi bem pior .
A educação política é a solução para nossas mazelas sociais. A educação para o exercício do direito do jovem, da dona de casa, do senhor aposentado. Aprender a discutir nossos problemas e ir para as urnas conscientes de que aquele indivíduo escolhido não é nenhum deus, mas um servidor que deve cumprir a Constituição e legislar para todos ou governar para todos. Aos movimentos sociais eterna gratidão porque são persistentes, mas o povo gado manso está de novo quietinho em seu cercado, sem participação, porque elegeu alguém que não conhece ou que irá que irá fazer o dever de casa somente para o seus.
Há que se odiar hoje a frase do tal jogador, até que seja rompida esta cerca-problema e este povo seja dono se seu próprio destino e terreno, não mais prazeirosamente manipulado, mas sabedor de seu caminho na projeção de novos tempos, sem este hábito de gostar e legitimar a mesma escravidão escrota perpetuada por esta imensa covardia moral..
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