O meu sonho constrói navios oceanos de escuridão
perdido o rumo, tateio no porto do farol
encontrar-se é perder-se como uma nau sem destino
meu coração bate, fina linha do desalinho
faço da palavra contada meu primeiro medo
minha ficção, a invenção do meu degredo.
Eu quero pular nas pálpebras e dançar sem pejo
Eu cego melhor me vejo.
O futuro me alcança, o verbo é a minha lança
eu corro , eu beijo a água da desesperança
e torturo minhas lembranças na
caverna do dia, na escuridão do sol
o desejo como uma imensa nódoa de lençol
eu sempre aqui a tecer a linha do tempo
a rasgar lágrimas no assoalho do veneno
a soar o rito dos torturantes cascalhos
eu perdido mais me encontro, eu falho, eu me calho
eu sendo assim me dispo de ser o que de mim esperam
eu sou o futuro que não conhecerei
eu vivo nesse tempo um presente de grego
Eu quero de mim o mais berro grito a coser as feridas do que se fez do infindo rito na gravidade do mais sublime pensamento..
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