Sabe, eu queria não me importar tanto
não me me emocionar tanto
não sorrir tanto
eu queria nem ser tanto
eu queria apenas e aproveitar a simples existência.
mas dói em mim essa vontade de não me calar
dói em mim aquilo que eu nunca vi e vivo sedento para olhar
dói em mim o que não posso resolver
não há como somente ser
Invejo as árvores, as calhas, a chuva que cai nas veredas calmas
invejo o que é reto e razão feito pedra
Eu não queria ser esse vulcão dos pés de Phedra
eu não me dispo e me corto nos espinhos
eu sozinho, eu coletivo choro por ansiar
por querer o que não há
por não existir no meu coração a saciedade
por ver que os olhos viram o mundo passar
por querer ser eu e descobrir apenas o que não sou
por ser mais inquieto que a batida do martelo
eu, sei, que a duras penas me acalmo
e hei de cantar então no momento final do existir
o hino tosco dos que sofreram e passaram sedentos por aqui.
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