segunda-feira, 7 de abril de 2014

elisaudades

Ouço Elis e sonhos novos mundos não por alguém experimentados e que
 aparecem em meus desnortes que teimo constante em colecionar, canção nova a limpar todo o fonema dilema
Penoso na vida, sensibilidade que arde com a canção e que lembra de quem não tem no mundo marcado sua inscrição.
Penso em Maria das Dores que ninguém conhece,  ou se viu não notou, que sorriu quando todos lhe viraram a cara, penso nos milhões que não são sequer página de jornal, penso nesse lamaçal chamado desconhecimento
passou de sa percebida na vida, gostava do curintia, radinho de pilha, afazeres, a televisão a falar-lhe de outras línguas, para que gastar de entender o mundo sabia, é isso e pronto
maria de todas as dores cotidianas, que é emblema de uma modernidade morta, pobre operária
só para refrescar o rosto à tarde em um sórdido e sujo bar,
eu mando um abraço imenso para todos aqueles que não foram convidados para o jantar celestial e lhes digo que a redenção dos que não vistos, mas que são todos os precisos quando para trabalhar são chamados,
em uma rua não notada maria e maria em tamancos  a correr quando já o dia raia e o sol ensaia seus
primeiro beijos na amada terra
Em carros que passos metálicos cortam  da manhã o vento  vejo minhas irmãs trabalhadoras aladas, insisto no tom de poesia local da vida de uma pessoa vista por ninguém, então espectro sem ser pois ali está e é
aquela mesma que quando o pano caiu, descobriu sem querer todos os segredos de uma família, guardados por gerações de hipocrisia empoeirados, traiçoeiros emblemas agora por ninguém desvendados
o dia acaba e nós todos  milhões de ausentes da vida recolhemo-nos e procuramos no outro uma evidência de dor para que tenhamos dó, Maria da Glória já se cala
E em um teatro novo , a voz potente da cantora maior como voz eterna do povo
das marias e josés que desconhecidos embarcam em estações, condutores dos frios da alma
Eu reclamo esse anonimato que apara a vida de fardo e nos dá a dimensão de nós mesmos naquilo que observamos ao longe, distanciamos quando não temos valor social, mas ganhamos porque registramos da espécie a evolução,
guardamos sim, ela e eu,  o segredo da família e nem contamos nada para aquela única enfermeira que ficará no quarto e assistitrá á noosa morte, nem essa saberá
esse orgulho de ser alguém prreenche as viedas vazias de afeto
mesmo que em um círuculo pequeno todos nós a todo momento fazemos história
seja na explosão em forma de música qeu chega a todo mundo, seja num mísero laço de fita vagabundo
em minha não existência sou mais que aquele que viveu o sol em todas as vinte e quatro horas da terra
essa lembrança deserta, esse fantasma espectra e eu me calo no sono.

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