O vento que me trouxe é o mesmo que me levará
em suas barbas me resfolego.
Eu estou partido mais do que ao meio
Essa falta de ar, de bons amigos, de namoro, de com quem casar
Viver num mundo onde matam golfinhos
para sustentar uma aparência que não lhes cabe
viver em um mundo que o tenho a oferecer é objeto de piada.
Olorum, pai maior, me leve para as bandas do arco-íris
e me tire desse lugar...
me faça virar éter, para nunca mais sofrer com risos de cateter
Eu quero voar nos melhores redemoinhos
nada ser, muito mais que esse chão de lodo
engano dos que se acham todos
eu sou o papel velho que voa para as bandas de lá
eu vou sair daqui, fielmente eu vou voar...
e quando não mais ser nada
eu vou rir da falta de piada
da falta de gente
da falta que gera o amor sem cobranças
da falta que faz o abrir da flor
eu vou voar, eu vou sair do lodo para finalmente me encontrar..
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016
NAVEGADOR DOS ALECRINS
Nauta de outras plagas
vejo tudo e não te vejo em nada
não te vejo no azulejos, no piso e no coentro do desejo
Então nas montanhas dos rios secos, nas pernas de moça que viajo com graça
Navegador, não te encontro na praça!
no arco-íris das Medeias , das vilas sem pastores,
dos cânticos, dos mosaicos das flores
pastor do bravio mar, não te encontro em algum lugar
por mais que tente, minha lente não é toda sapiente.
Sou moreno desde o berço e não te vejo
Jasão reinventado a pular das cordas dos telhados
nesse violão que flameja o chão
O bravo mar que desafia teu coração
tuas peles de carneiro em alecrim doirado
seu semblante pelos Portugais calados
daqui das terras tupiniquins, mando um abraço cor de lácio
do traço da escrita que faço
ó navegador, leve para o alto do mar tanta dor
e faça do dia a felicidade que em mim arde à procura de ti
Ó navegador, Escafandro preso , melhor apareceres por aqui
e fazermos deste rio brasileiro imenso, a morada dos Deuses sobre as peles deste nosso novo Tejo.
vejo tudo e não te vejo em nada
não te vejo no azulejos, no piso e no coentro do desejo
Então nas montanhas dos rios secos, nas pernas de moça que viajo com graça
Navegador, não te encontro na praça!
no arco-íris das Medeias , das vilas sem pastores,
dos cânticos, dos mosaicos das flores
pastor do bravio mar, não te encontro em algum lugar
por mais que tente, minha lente não é toda sapiente.
Sou moreno desde o berço e não te vejo
Jasão reinventado a pular das cordas dos telhados
nesse violão que flameja o chão
O bravo mar que desafia teu coração
tuas peles de carneiro em alecrim doirado
seu semblante pelos Portugais calados
daqui das terras tupiniquins, mando um abraço cor de lácio
do traço da escrita que faço
ó navegador, leve para o alto do mar tanta dor
e faça do dia a felicidade que em mim arde à procura de ti
Ó navegador, Escafandro preso , melhor apareceres por aqui
e fazermos deste rio brasileiro imenso, a morada dos Deuses sobre as peles deste nosso novo Tejo.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2016
SUBSAARIANO
Eu tenho uma vontade em mim de
um tempo que não vivi, um tempo que não é este
Eu tenho uma saudade do futuro
Como um carro sem sair do lugar, taciturno
Eu subi no alto da montanha eu corri contra o vento
o lenço sobre mim, Tuareg moderno, a mim mesmo assim mesmo venço
o deserto que separa o silêncio e o dia férreo.
Eu tenho uma esperança como leve brinquedo de criança crescida e esquecida pelo vão da vida
Um futuro nas hortas, nas maçãs criadas das passadas tortas
Eu procuro o oásis, eu me vejo como eu mesmo quase
eu sou a lembrança de um tempo que não mais arde
Um pequeno abandono, de mim mesmo agora dono.
Grita em mim todos os silêncios, verdadeiros venenos do tempo
do ser em mim e outras eras, recorte das vencidas feras do relógio .
O subsaariano que não aceita mais somente o óbvio
o sobresaariano de si para sempre dono daquilo tudo que nunca foi seu
das batidas do pêndulo, seus olhos, pestanas de cimento do adeus.
Eu sou o passado que olha para si e segue
Eu grito por entre as flores e o futuro tece aranha do passar das patas entranhas
eu sou este novo antigo , destro.incerto sem nada, sem data
Eu me amo mesmo quando me detesto na calada.
Um olhar sob o lenço, um camelo.
Um dia inteiro como um substantivo de um deserto verdadeiro.
um tempo que não vivi, um tempo que não é este
Eu tenho uma saudade do futuro
Como um carro sem sair do lugar, taciturno
Eu subi no alto da montanha eu corri contra o vento
o lenço sobre mim, Tuareg moderno, a mim mesmo assim mesmo venço
o deserto que separa o silêncio e o dia férreo.
Eu tenho uma esperança como leve brinquedo de criança crescida e esquecida pelo vão da vida
Um futuro nas hortas, nas maçãs criadas das passadas tortas
Eu procuro o oásis, eu me vejo como eu mesmo quase
eu sou a lembrança de um tempo que não mais arde
Um pequeno abandono, de mim mesmo agora dono.
Grita em mim todos os silêncios, verdadeiros venenos do tempo
do ser em mim e outras eras, recorte das vencidas feras do relógio .
O subsaariano que não aceita mais somente o óbvio
o sobresaariano de si para sempre dono daquilo tudo que nunca foi seu
das batidas do pêndulo, seus olhos, pestanas de cimento do adeus.
Eu sou o passado que olha para si e segue
Eu grito por entre as flores e o futuro tece aranha do passar das patas entranhas
eu sou este novo antigo , destro.incerto sem nada, sem data
Eu me amo mesmo quando me detesto na calada.
Um olhar sob o lenço, um camelo.
Um dia inteiro como um substantivo de um deserto verdadeiro.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
A PRINCESA AFRICANA
Eu vi uma princesa africana agonizar no corredor de um hospital público.
Meus olhos se encheram de lágrimas diante da tristeza em percebê-la agonizar diante da indiferença de um maligno véu social que a torturava.
Lindos Olhos,corpo imenso de deusa, ali nada era, como se não existisse, nunca tivesse sua imensa realeza desta e de outras eras..
Cheguei perto e uma enfermeira mensurava sua pressão,
do lado de fora gritos de uma multidão aflita e eu nada podia fazer diante da humana covardia
A mulher me disse que a infanta africana dali a minutos morreria e eu poderia por um momento ver o passado em seus lindos olhos de negra pérola
Nos olhamos e a luz se abriu diante de mim:
Risos,festas,alegrias, uma dinastia era mais bela que a nossa própria noção de vida e de terra.
Adultos e crianças brincavam em eterno baile e os dias não eram fardos, eram fatos de uma existência,de deuses que também riam e dançavam.
A festa imensa tomou conta de meus olhos nos seus então cravados e vi o verdadeiro que por séculos se perdeu no tempo.
Humanos livres então foram escravizados e trazidos em imundos navios
Aqui desumanizados e agora então transformados em bala de canhão de uma sociedade que há muito perdeu a noção do que é o seu próprio chão.
De dor em dor seu corpo machucado e seu olhos então devagar se fecharam
Bombas e o povo tomou para si o lugar e não se sabia de onde vinha a multidão faminta que já não mais aceitava simplesmente esmola por covardia e fétido pão.Agora queriam eternamente o não que lhes deram por sina.
O hospital começava a declinar, todos corriam e então acordei suado de um irado sonho malvado e cruel.
E então vi: quem dormia era o país que bocejava sem dó em seus filhos que assim padeceram em um miserável hospital que não lhes merecia desde a raiz.
Meus olhos se encheram de lágrimas diante da tristeza em percebê-la agonizar diante da indiferença de um maligno véu social que a torturava.
Lindos Olhos,corpo imenso de deusa, ali nada era, como se não existisse, nunca tivesse sua imensa realeza desta e de outras eras..
Cheguei perto e uma enfermeira mensurava sua pressão,
do lado de fora gritos de uma multidão aflita e eu nada podia fazer diante da humana covardia
A mulher me disse que a infanta africana dali a minutos morreria e eu poderia por um momento ver o passado em seus lindos olhos de negra pérola
Nos olhamos e a luz se abriu diante de mim:
Risos,festas,alegrias, uma dinastia era mais bela que a nossa própria noção de vida e de terra.
Adultos e crianças brincavam em eterno baile e os dias não eram fardos, eram fatos de uma existência,de deuses que também riam e dançavam.
A festa imensa tomou conta de meus olhos nos seus então cravados e vi o verdadeiro que por séculos se perdeu no tempo.
Humanos livres então foram escravizados e trazidos em imundos navios
Aqui desumanizados e agora então transformados em bala de canhão de uma sociedade que há muito perdeu a noção do que é o seu próprio chão.
De dor em dor seu corpo machucado e seu olhos então devagar se fecharam
Bombas e o povo tomou para si o lugar e não se sabia de onde vinha a multidão faminta que já não mais aceitava simplesmente esmola por covardia e fétido pão.Agora queriam eternamente o não que lhes deram por sina.
O hospital começava a declinar, todos corriam e então acordei suado de um irado sonho malvado e cruel.
E então vi: quem dormia era o país que bocejava sem dó em seus filhos que assim padeceram em um miserável hospital que não lhes merecia desde a raiz.
sábado, 23 de janeiro de 2016
PATRIARCA TUPINIQUIM
A sociedade brasileira quando cria nas falas,gestos, nos brinquedos ,nas brincadeiras, cores e atitudes infantis ( enfim, nos signos e símbolos da infância) a ideia de que existem "coisas de meninas" e " coisas de meninos" pretende reproduzir a tradição secular do machismo tupiniquim e fazer assim das garotas futuras esposas quase escravas , frustradas e verdadeiras serviçais sexuais e ideológicas do covarde macho brasileiro, aquele que pode tudo, que manda , desmanda e usufrui tão somente ele das benesses da liberdade seletiva.
Por isso que o machismo não acaba ou não diminui: as mulheres e homens são coisificados por uma tradição que jamais questionaram, reproduzem-na tão somente, e ainda batem no peito dizendo-se felizes. ( que horror , isso). Será que são felizes mesmo?
Os brasileiros têm horror à liberdade, porque sentem-se seguros quando controlados no seio do patriarcado castrador e limitador da verdadeira ideia de autonomia e autodeterminação do sujeito..
As pessoas deveriam ser livres e não marionetes de uma estúpida ideia de são donas de si mesmas.
Por isso que o machismo não acaba ou não diminui: as mulheres e homens são coisificados por uma tradição que jamais questionaram, reproduzem-na tão somente, e ainda batem no peito dizendo-se felizes. ( que horror , isso). Será que são felizes mesmo?
Os brasileiros têm horror à liberdade, porque sentem-se seguros quando controlados no seio do patriarcado castrador e limitador da verdadeira ideia de autonomia e autodeterminação do sujeito..
As pessoas deveriam ser livres e não marionetes de uma estúpida ideia de são donas de si mesmas.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
AMIZADE DE FACEBOOK
Me torno eu mesmo quando percebo que a amizade eletrônica só acontece do meu teclado
Tão bonita é nas frases da rede social que não resistiu à primeira foto impressa do jornal da tarde.
Melhor poucos amigos que inexistentes virtuais!
melhor essa quase esperança do que não haver verdadeiramente qualquer boa palpável lembrança.
Amizade de facebook é puro papel no ar em um teatro desconhecido com amigos que se conhece sem com eles verdadeiramente nunca ter tido.
Tão bonita é nas frases da rede social que não resistiu à primeira foto impressa do jornal da tarde.
Melhor poucos amigos que inexistentes virtuais!
melhor essa quase esperança do que não haver verdadeiramente qualquer boa palpável lembrança.
Amizade de facebook é puro papel no ar em um teatro desconhecido com amigos que se conhece sem com eles verdadeiramente nunca ter tido.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
POEMA SEM NOME
O imenso livro das páginas amareladas da vida nos torna mais humanos que terrestres
Nesse livro, cópias antigas, das páginas vividas si prestes emaranhados em nós.
hei de fazer a volta e virar a primeira para entendê-lo como luta,
rio caudaloso do que pequeno estava a sós e não mais se escuta.
Nesse livro, cópias antigas, das páginas vividas si prestes emaranhados em nós.
hei de fazer a volta e virar a primeira para entendê-lo como luta,
rio caudaloso do que pequeno estava a sós e não mais se escuta.
Assinar:
Postagens (Atom)