sexta-feira, 2 de outubro de 2015

A JOANINHA

A joaninha
Sempre que se sentava no banco do ônibus, humanos se levantavam.
Às vezes, veículo lotado ,a seu lado totalmente nada .
O sol inclemente sambava na tela de ar ,Infinita bola sem ventos, estranhamente bela. Governava o dia e 
a terra. Sozinho o ditador batia o martelo em sua mágica estratosfera de cor.
o rapaz sonhava em seu banco, amor tecedores
Sonhava mundos novos impossíveis para ele
Sonhar. Ser aviador e voar sobre telhados.
Foi quando viu o pequenino ser. Ela mesma que o olhava e lhe dizia bom dia.
No primeiro dia a joaninha sorria e ele a pegou por entre os dedos.
Primavera castiga gente. O indivíduo e o bichinho fugiam por instantes do mundo dos seres inexistentes.
Pequenina todos os dias lutava mais que ele. Do vidro cá pessoas amarguradas pelo cansaço
Lá , turbulenta floresta a reclamar espaço.
Ele que pensava ser um lutador sentiu-se nada perto da fragilidade em coragem de sua pequena amiga em flores fechada..
Hoje o banco está vazio. Nem ele está nem ela desafiando o ar.
No dia anterior resoluto abriu a boca e bocejou. Na glote a joaninha entrou
E o que apenas namoro era agora tornou-se Amor.

mimimi

Eu sou o sol e você a lua
Eu sou um surdo a soar no meio da rua
Eu sou o lobo e você minha chapeuzinho 
Eu sou a boca e você, meu vinho.

domingo, 13 de setembro de 2015

Esquecimento nos versos



Meus versos sobrevivem e ditam novo tempo
mesmo que não exista quem os leia
meus versos são cores de uma lancinante alma
repleta de dores e longe de amarguras calmas
minha pena cibernética
minha gargalhada no teatro
meu fato novo de festa
minha palavra feito nuvem descoberta
minha gratidão à vida
meu surdo grito em mar revolto
meus olhos, meus ouvidos lexicalmente expostos
Escrevo para esquecer essa fome de vida
redondilho para subir no mastro e não descer ao tombadilho.
escrevo para saber menos de mim
escrevo para fugir da falsa paz que nos rodeia
as palavras antes feitas de ar, grassam no poema
na escritura, na pena, na carta e no papel
meu coração é tinta antiga em escriturra de cordel.

angústia numero 1



Essa angústia quando ouço o futebol no rádio
isso me faz lembrar de um país que esqueceu o seu próprio nome
e vive nas chuteiras o que poderia ter vivido em dignidade.
Bom final de domingo a todas as pessoas que lutam por um Brasil com B maiúsculo.

domingo, 26 de julho de 2015

O QUARTO

Teu quarto tal qual tua vida
Desarrumado perdes tudo o que fores capaz e desenha-te à sombra das peças esquecidas nos retratos de família
Arrumado encontras no coração a paz larga do dia lindo que sobre ti jazz. Tua tez, tua paz.
Abre tuas janelas e verá  primaverar
Sente o frio do chão nadar contra cordas de um desafinado violão
Encontre o novelo de linha de sua seta-canção
não caia debaixo das tuas velhas cobertas
Abre a porta  e cuide do teu sol
para que o amanhã estelar venha colorir-te em raios de caracol
Não se isole do desejo da convivência
nasce assim da experiência do gostar-se
e do espelho de gente, você no meio de todas as pessoas que são carentes incompletas, todas são e também
 cantam, olham, choram, debocham, agradam e principalmente limpam  todas seus respectivos quartos.
inventariaste todos os defeitos para melhor corrigi-los
listaste os melhores e os mais frívolos  fantasmas
subiste caíste e no limbo aconchegante  explodiste em  um novo mundo, inda que retangulado.
Abrir a porta  gsnhar o mundo voltando e dormiundo em um quanto iberiado do sefredo gruardado.

sábado, 18 de julho de 2015

COMPANHIA DO GRITO



COMPANHIA DO GRITO
QUANDO ABRIRES A PORTA VERÁS ENTÃO QUE O DIA PASSOU E DEIXOU AMONTOADOS SONS NAS ANTIQUADAS JANELAS
QUANDO ROMPERES A NOITE, PERCEBERÁS O QUÃO SÓ ESTAVAS SENDO SÉRIO, O QUÃO TRISTE ÉS DO PÓ E DO TEMPO CARCOMIDO
DOS DIAS RISONHOS E TÃO POUCO VIVIDOS
QUANDO CHEGARES, O MUNDO JÁ SE DESPEDIU, QUANDO GRITARES, O GRITO, ESSE, JÁ NÃO TE OUVIU.

ILUMINURA

LUMINURA
Durante séculos eu guardei para mim todos os orvalhados mistérios da escuridão
Eu, espectro que dança na noite fria, destituído de mim e de minha antiga fisionomia.
O grito rompe a canção do tempo e faz da monotonia um correr de praças, sons e abraços, as horas que compõem a imensidão do dia
eu sou o verbo colhido sem asco e que pousou na janela das piruetas toscas do teu divino telhado
eu sou pingo do sereno, o homem moreno pequeno diante do degredo da vida.
Diante de uma página amareladamente esquecida
eu sou a letra torta que ninguém repara
eu sou asas novas para essa vida rara, que tenho de engolir como rum... amargamente entristecida, ,aqui ali e em lugar algum...,
eu sou sozinho mesmo de mim a melhor das enfibraturas
as piores verdades contidas nos versos pospostos da melhor das iluminuras.