quarta-feira, 9 de julho de 2014

HOMOFOBIA TEM GRAÇA?



  • DO RISO DA HOMOFOBIA
    Todo mundo gosta de sorrir e não raro o fazemos, seja por uma grande alegria, uma situação inusitada, um comercial, uma foto,uma comédia, uma história, uma pessoa que nos diverte, um comportamento inusitado. Desatamos a rir e nos satisfazemos catarticamente na gargalhada, e assim seguimos nossa vida apontando isto e aquilo que julgamos engraçado e sorrindo, sorrindo... Vendo assim possibilidades onde de fato existe motivo de riso , e quando não encontramos possibilidade alguma, simplesmente as criamos.Aí agora temos um problema, porque não refletimos acerca do que costumamos ridicularizar, porque não queremos a reflexão, ou tão somente dói refletir, mudar de opinião, e dizer que não há graça alguma naquilo que foi dito, como, por exemplo, contestar um comportamento excludente, machista, racista, misógino, ou entrar em confronto com uma piada estúpida, uma raiva não justificada. Mas mediocridade à parte ,apenas sorrimos bobamente daquela proposital maldade porca, injustificada , o que a torna assim pior assi comumente vira riso, sucesso e caçoada geral, para deleite de quase todos.

    Há um riso que exclui propositadamente,e que é resultado de uma raiva anterior, uma raiva aprendida no seio da tradicional família cristã, que é por seu turno, castradora e impositora de modos e modelos desgastados e não condizente com a realidade das pessoas.Este riso é o de quem não tem graça quando o provoca, porque ri das condições de vida dos outros, da identidade alheia, da cor da pele que não é sua,debocha da condição de estar no mundo e estrangeiro dele, Não tem graça, mas todo mundo ri e acha estranho se alguém não se dispõe a participar da risaria
    O riso homofóbico diz de uma suposta superioridade do homem heterossexual, branco, temente ao seu deus, e logo, dono das verdades fabricadas e impostas. Ele diz: você vale menos e pronto, e se perguntarmos a ele mesmo por que aquele sujeito vale menos, ele diz: olha o jeito dele, a maneira como conversa, como gesticula, isso é coisa de viado, e viado não tem vez, baitola bom é baitola morto, e outros tantos apelidos convertidos em piadas que desqualificam o ser humano, colocando-o em uma condição animal, anterior ao advento da razão.
    É bom esclarecer que o riso irresponsável está intimamente ligado a nossa falta de educação familiar e formal, falamos agora , em 2014, em um determinismo sexual, ou então uma falta de educação sexual e secular de nosso povo
    Definitivamente não tem graça alguma chamar as pessoas de bicha, viado, sapatão, baitola....já teve muita graça, hoje não tem mais, e não se trata de uma ditadura das minorias, mas a preservação da autoestima das pessoas, Gente, que, provavelmente, acorda no mesmo horário que o alvo hetero, trabalha, paga impostos, quer ser feliz, mas não tem direito ao afeto, constituir família, e que,quase sempre, é uma vergonha para a família.
    ENTÃO NÃO CHAME MAIS,mude este hábito, corrija-o, já é um bom começo, e veja no seu semelhante a expressão do deus vivo que existe em você. Não ouça somente as palavras de ouro atribuídas a Cristo, mas escute e perceba que estas palavras estão vivas para virarem ação, e que sua felicidade termina quando começa a dos outros, e rir com violência é rir irresponsavelmente. Difícil é encontrar alguém ou um grupo cômico que faça a alegria de todos sem pisar em alguém que já é tradicionalmente marginalizado pela sociedade. Gostamos de rir de pobres, pretos, bichas e todo mundo que a priori não gostaríamos de ser, ou de estar perto. Chamamos agora estas pessoas e podemos dizer :vamos rir todos porque estamos vivos e amamos viver na dignidade e no respeito ao próximo como a nós mesmos. Esta não é somente frase efeito, mas é preciso incluir sem julgar e conhecer de fato - formar um conceito de realidade sem amarguras e moldes pré-estabelecidos.
    Posso ser inocente, mas desejo que o riso ria do do opressor, que o denuncie na comicidade absurda, que mostre como somos programados a aceitar tudo quando é besteira inculcado por quem definitivamente nunca fez o dever de casa,que mal sabe ler mas sabe rir em total ignorância.
    Não há nada de errado em ser gay, bi ou hetero. Mas exite sim muito erro em rir pejorativamente de gays, porque gente respeita gente. Se você não sabe provocar o riso libertador, então pode se calar, e dormir tranquilo, sabedor de que ninguém foi assassinado por sua estupidez, Pense nisto!
  • segunda-feira, 23 de junho de 2014

    SEGUNDA

    Este vazio de segunda é de todas as dores a mais profunda
    A certeza de todas as finitudes abandonadas no escuro do dia mais quente
    Seus olhos de sol são um presente para minha íris decadente

    Decantar da natureza seus lugares, salas de chuva, torredeiras de altares
    de repente, o mundo se torna um imenso programa fútil de apresentador grita-dor e desconhecemos, mas tarja preta seguimos o que ainda não diferimos
    o dia é um aquário todo em câmera lenta
    odiamos segunda-feira porque nos lembra de nossa oportuna escravidão
    somos escravos de um máquina que desconhecemos e fazemos de nós equivocada leitura
    dia de jogo de nações, dia de noções reinventadas de música e yoga
    dia da consciência do ser e estar imperfeita e desejante
    ser um mar em uma pessoa delimitada por ossos, pensamentos e carnes
    ser a tarde que promete arde, ser o dia que menos desejado, passa como que tortura
    ou tontura em novos teatros feitos no escuro do medo guardado nas gavetas do quarto
    menos que montanha, mais que dia de normal existir e ferir com dentes caninos a transitoriedade do mundo e das formas de uma civilização em cinzas e que renasce nas econômicas e precisas carícias capitalistas
    olhar segunda como mais uma pessoa que se se saúda na praça
    olhar a pessoa que passa e reconhecer-se ou não em um discurso jogado no ar e que ainda por lá está
    novas inquietudes como a lua que parada  no observa crua e desinteressada de nossa burrice de marcar dias
    para sermos mais números que pessoas, ser marcado no supermercado da ilusão de nossas falsas felicidades
    aquosas libertardes e imensas saudades de ternas tardes, o barulho é quem manda nessa segunda que não nos encanta, mas de frio nos acalenta, em sonhos novos novas mentas de sal e de sabor animal
    até parece segunda de carnaval ou uma lesma que devagar se move no infindo mundo de seu infinito quintal
    é a prova das horas, é a nova bota rara, é a constituição de uma nova etapa, é a correria do trânsito
    muito pouco no meio a certeza do ponto zero, a certeza de uma segunda de inverno
    Segunda é dia como outro, segunda come a noção de dia
    segunda é segunda assim será até que tome por terça esta tarefa de nos agradar nos maltratando.
    segunda é um dia a mais no ano.




    domingo, 22 de junho de 2014

    VOO DE CEGO

    O amor que te tenho é maior do que levo  e tenho outros no meu bolso 
    traz a vida para mim em nova primavera, a serra que seu amor carrega
    corta a minha imensidão, de novo amor em invernos reluzentes

    A tristeza que carrega em si, nos seus azares por estares formoso e primeiro
    raio de luz me machuca a tez
    eu tenho por você um mundo novo de bazar e  de um herói precário

    Raso amar e ser inundado de amor e amado, raro ser pouco, profundo ser muito
    desilusão não me alcança em seus  riso de festa e graça na velha e aberta praça
    Quando haver amor e de amor ser inundado em uma nova festa temporária

    Na meia-luz do dia a vida acontece e se refaz, reinventa-se, descobre-se, não mais despetala-se
    escorre nas raízes, descolora narizes, matizes mil  de toda sua forma em minha fôrma
    na luz maior ela se realiza na expressão da vida e  de nossa vontade

    carrega em flores este meu novo amor e mande o mundo para outro lugares
    somente a semente da vida em tua boca, eu  teu eu, em teu coração de ateu

    A pequena morte nos faz vivo,  agrande batalha de coxas e cochilos
    a desenha  no céu do  quarto um outro lugar do inexistente, mas que existe no instante desse riso imenso
    ainda bem provocado, encarnado em suas mágoas de noite, em seus olhar de acoite
    o dia do mundo novo e deste nosso outro não é chegado
    mas de amor inundado e colorido como o sol de meu país
    imenso sol que nos rebrilha, nos convida á festa notória da vida, nos incentiva

    A grande morte inaudita das pequenas coisas nos surpreende porque entendemos que somos os únicos a amar e morrer
    mas somos os que deixaram levar pela horda do raciocícnio
    e esquecemos nosso amor no gruadanapo,m amor de papel e prato
    agora estou contigo para todos os instantes, em amor novo, novo voo cegante







     

    domingo, 8 de junho de 2014

    DANDARA ODE

    ó lembranças orvalhadas de meus tempos de antes de Dandara
    ó densa neblina
    ajaponesados africanos meus olhos desafiam o clima e constitui nova natureza
    primavera de meus olhos férteis
    maravilha de minhas impressões vis.
    Aqui e ali não há  o ar sem o haver o tal de estar
    neste amálgama dia, nesta vaporosa hora fria de alegria e desejos misturados
    ó brechas imensas, carbonizadas na civilização e na cultura ocidentais
    e dentes maviosos nos caninos novos na sombra dos medos novos do arvoredos velhos
    é dentes profusos de cemitérios etéreos qual mármore de carrara ou de prata
    na minha , sua cara e faça de si a sua maior casa, morada nova em si  em tudo em nada

    ó borboletas de aço a juntar o sol em pedaços








    sábado, 7 de junho de 2014

    VIDA 1

    A abelha descobriu a vida na palma da flor
    a vida abandonou-se na cortina de quarto sórdido de aluguer
    mesmo assim lá fora a vida das pequenas  coisas insistem te ver, em viver
    passarinhos no seu caminho, no seu caminhar ao longe
     
    Um sapo chegou-se para perto da lua
    e desfez um desenho escuro no farol do carro e subiu com sua viola para o céu no papel
    daquela árvore da vida
    os seres ínfimos dizem da vida muito mais que uma boca porca a contar mentiras
    basta observar o cotidiano, a vida e sua manifestação, para saber-se nada em meio às coisas demais

    Recortes da natureza em folha azul escuro de papel da paisagem do dia
    ninguém vê porque não se visse não teria valor, e pacientemente as pequenas coisas trabalham e sepultam a covardia porque nada sabem dela, e nada sabem de nada a não ser de si mesmas

    A túnica da noite encerra o dia em fantástico fusco-fusco e as pinturas naturais mudam e o homem pensa que não passa  como tudo o mais
    mas o tempo lhe mostra que as pequenas expressões também nos fazem querer viver porque sabem de sua transitoriedade.
    A vida é uma grande árvore bobá a nos ensinar a amar, um grande susto de existir, uma consciência nova
    um trabalho árduo como o das formigas que espalham-se e desparecem como surgiram
    uma dada borboleta nasce pela manhã e deixa o mundo à tarde
    um dado homem acha-se eterno porque almeja ser deus em seu pequeno círculo, no seu pequeno degredo capitalista
    pobre ser que não sabe viver como as coisas materiaisanimais e vegetais
    essas sim, vivem e sabem o valor de um átimo, , de um átrio, de um assombro, mesmo que não se perceba nelas
    temos a capacidade de nos assombrar diante do belo e do feio, mas não reconhecemos  nossa vulnerabilidade, por isso não vivemos, existimos tão somente, 
    semente de ilusão, presente mal dado de presente.







    MORTE 1

    olha que um sopro um pouco maior de te leva daqui de vez
    enquanto ri alto demais as células inventam em ti a revolução
    pensas que és novo e que a morte não há de te pegar
    pois pega o novo, o médio e o velho no mesmo cajafo e foice

    Evão-se todos os planos para o futuro
    e com as expectativas vão=se também as hipocrisias da idade
    um tombo da escada dá jeito em ti, e quando caires não haverá como pedir perdão
    o contato brisco com o chão te ensinará o maior dos medos
    assim  como estará em breve todos estaremos um dia
    canta e aproveita a vida porque  o instante certo acontece na hora incerta
    e te levarará, mesmo que seus parentes de dor gritem
    sua namorada esqueça sua falta de interesse e sua gritarria
    vais descer aos infernos  sem mais reclamar do sal ou do resultado do jogo
    sua barriga de tanque será estádio de micróbios e sua estampa fina será carcaça que ninguém se atreve
    o melhor da morte que  nos iguala, nos faz os mesmos na decomposição da carne e no desligamento do espírito.
    todos os brindes, gritos de salvação,. toques de champanhe já não farão diferença em tua vida
    ainda te  demoras em virar pó, terás que passar por fazes do pós mortem
    a morte para ti é o maior de todos as respostas porque te fará humilde, te fará menos que nada
    e nada na tumba e no escuro das coisas e nada no nada e sabe de mais nada
    mas muito mais qque quando vivo estavas
    cuidado, meu amigo, um carro olha diferente em seu faróis enormes, há de jogarte na esquina tal qual embrulho, gigante, agora final, igual todos os demais que assim deixaram de ser viventes
    cuidado que um sopro de junho te pega e te leva...

    terça-feira, 3 de junho de 2014

    CONJUNÇÕES 1

    Para confirmar sua dor não basta apenas se olhar nos espelhos
    Para desatar o laço da vida não basta apenas um dia, ou vários dias
    Para caminhar no escuro é preciso que haja a ausência do claro disfarçado
    Para ser herói não basta apenas uma grande ingenuidade ou uma certeza canina
    Para ser destratado basta apenas dizer a verdade ou acusar alguma iniquidade

    Por que se é gente é como foi como  chegou aqui?
    Por que  saber das estrelas  ou ver a a morte delas gravada no céu, porque então não se importa, e se porta tal qual porta de fechado concreto salão.
    Por que anoitecer quando a manhã te exige solares sorrisos?
    Por que não esquecer de tudo o que é de farpado arame e lembra-se de tudo o que de conforto certame
    dourada visão do enxame de todas as coisas novas, não mais infames

    Se sorri tanto porque seu coração chora?
    Se caminha pouco porque ama a velocidade?
    Se espezinha no fragor do orvalho porque então esperava a manhã para adocicá-lo?
    por que ser o que não sé é, é ser apenas por ser e mais nada,
    números catalogados na receita federal de seus frustrados amores armazenados
    catalogados em olhos imenso de um fantasma funcionário

    Quando se levará a respirar o profundo ar?
    Quando conhecer a verdade e a verdade o libertará?
    Mas de que libertar?
    Quando sorrir na esquina com  medo do mundo estudar
    Quando correr e correr  e correr para não mais se ver nos ladrilhos do esgar
    quando deixará essa sua falta de ar? Quando parará e depois, imediatamente, recomeçar.
    Quando ser eterno no silêncio do inconstante nas frases feitas
    quando se tornar poeta de maleita
    quando ser o que se é sem pedir por favor
    quando não ter mais medo do próprio pavor?
    quando ter não é suficientemente estar, é preciso estar em cada coisa, no mel da abelha
     no sorriso da moça, no voo da mosca, na imensidão de uma colher quente de sopa.