terça-feira, 3 de junho de 2014

CONJUNÇÕES 1

Para confirmar sua dor não basta apenas se olhar nos espelhos
Para desatar o laço da vida não basta apenas um dia, ou vários dias
Para caminhar no escuro é preciso que haja a ausência do claro disfarçado
Para ser herói não basta apenas uma grande ingenuidade ou uma certeza canina
Para ser destratado basta apenas dizer a verdade ou acusar alguma iniquidade

Por que se é gente é como foi como  chegou aqui?
Por que  saber das estrelas  ou ver a a morte delas gravada no céu, porque então não se importa, e se porta tal qual porta de fechado concreto salão.
Por que anoitecer quando a manhã te exige solares sorrisos?
Por que não esquecer de tudo o que é de farpado arame e lembra-se de tudo o que de conforto certame
dourada visão do enxame de todas as coisas novas, não mais infames

Se sorri tanto porque seu coração chora?
Se caminha pouco porque ama a velocidade?
Se espezinha no fragor do orvalho porque então esperava a manhã para adocicá-lo?
por que ser o que não sé é, é ser apenas por ser e mais nada,
números catalogados na receita federal de seus frustrados amores armazenados
catalogados em olhos imenso de um fantasma funcionário

Quando se levará a respirar o profundo ar?
Quando conhecer a verdade e a verdade o libertará?
Mas de que libertar?
Quando sorrir na esquina com  medo do mundo estudar
Quando correr e correr  e correr para não mais se ver nos ladrilhos do esgar
quando deixará essa sua falta de ar? Quando parará e depois, imediatamente, recomeçar.
Quando ser eterno no silêncio do inconstante nas frases feitas
quando se tornar poeta de maleita
quando ser o que se é sem pedir por favor
quando não ter mais medo do próprio pavor?
quando ter não é suficientemente estar, é preciso estar em cada coisa, no mel da abelha
 no sorriso da moça, no voo da mosca, na imensidão de uma colher quente de sopa.




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