todas as gloriosas mortes ora de punho ora de punhais
o cair do dia reeduca o corpo cansado das dores fatais
o maior espaço da terra é um átimo perto do bocejo das nuvens feitas de calor
e hinos e cânticos celebram as pequenas mortes do cotidiano em surdos tons naturais
hienas a pisar formigas do que se quis dizer e do que se fez da imagem dos aniquilados florais
a formiga que corre em busca do alimento mudo
a coorte dos vegetais a ensinar as pedras a cantar com os que voam
o passar das horas escrito no verso das verdes folhas que redesenham o mundo, Assim...
as cascatas de poemas velhos criam derradeira enxurrada
a interrupção de todas as coisas nos diz da vida e nos diz do nada
a menina dos cabelos e flores que caíram no poço das pequenas dores da solidão
a ciranda que de tão antiga nunca mais existiu e partiu seu coração
o circo , os volumes todos lidos e relidos à luz da madrugada pungente
o dia que se glorifica de tão quente
olhar para o céu é ver a morte das estrelas
o que vemos é o cemitério das luzes de outrora e aqui em nosso chão de urros
o cão a gritar de veneno
o sopro a solapar o tempo e as ilusões fechadas em muros sedentos
o medo do escuro, o medo do medo
e depois de todos os medos a das vidas sem segredo
degredo dos que não se fizeram amar
o mar canta e evapora sua morte em chuva nova que cairá
no continente imenso ou no mínimo espaço do beijar
a flor que marcou a ferida do tempo
agora marca a passagem dos minutos que também sabem morrer
matei aula, matei o dia, matei em mim a sua triste companhia
matei a vontade de estar, matei o voo daquele pássaro de ar
matei a covardia do silêncio aquilo que não fala porque não quer falar
matei a cal tostada em sua sala cara de estar
matei em mim um ano de alegrias,matei em minha vida a passagem da ervas daninhas
escondi a esperança porque esta ninguém queria
se você tentar matar esta vem uma irmã e não quebra pois adivinha
a esperança tal qual a menina, grita da janela para anunciar a vida
a morte de tudo o que existe é a preparação do devir
e o devir é este movimento repetido da pedra, do grito, de você, do suspirosos
lamentos impulsos do que tenho em mim., em ti e no que for
morrer todo dia e nascer pura fênix das cinzas, erguida do fogo
nascer de tudo provisoriamente novo entre as pedras do caminho, dos sabores dos velhos vinhos
renascer e fazer de sua vida notada um imenso e confortável ninho.
para não não mais por instantes morrer sozinho....
para não não mais por instantes morrer sozinho....
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