quarta-feira, 12 de novembro de 2014

OBRIGADO POR SERES NADA


Obrigado por jogar-me aos leões, por ferir-me as abertas cicatrizes
agradeço-te por me tirar o rumo na  estrada sem diretrizes
felicito-te por amargares minhas dores em cafés sem sabores
por rir da palma da face e não dar a outra frente ao bom combate

Os leões ensinaram-me a rugir de raiva na estrada
o caminho me mostrou  a luz do brilho ermo
as dores colocadas no veneno  puseram-me de pé
a palma da face ensinou-me a dignidade do termo

Vamos dar vivas a toda a maldade disfarçada de bondade
a todos os gritos não ouvidos nas verdades cruas
do sossego de um dia sem sono em uma manha catártica
das pedras postas e tiradas a golpes de metáforas  machadadas

Felicito-te por  seres nada
por haver no mundo e o mundo nunca em ti  estado
por rires de xícaras quando teus braços não atingem a liberdade do que fazes
por duplar palavras que sozinhas de nada valem
por tratar piqueniques que ninguém riria
por seres dor e fazeres do lodo toda a tua fantasia

Dou-te a miséria de tua inexistência quando gargalho em tua presença
faço do segredo um diário dos teus fracos sortilégios
poucos porque construíste sobre ti um castelo sem muros
todos os gritos que vivem  haverão de explodir sobre um inaudito urro
todas as manhãs apenas existidas se tornarão dores desvalidas

Agradeço-te por seres miseravelmente
por apenas estares quando  quereres e  nem mesmo o dia teres
dou-te bom dia e e felicito-me por jamais ter em mim tua infame companhia.


Nenhum comentário: