sábado, 6 de agosto de 2016

pois é

E renascerei nas velhas pedras do caminho...
como mel na firme e seca árvore , como navalha de sal que corta a carne
Eu levarei o tal despejo de mim mesmo, qualquer coisa imensa e repleta de medo
E deixarei de ser la petit noir dos desejosos dias
A vontade virará pedra qual Górgona que em mim os olhos de seta doce em forma sublime de um tresloucado plano de guerra.
Se a primavera me der a chance de vida hei depois disso de queimar-me todo no âmbar do verão desafiador da ardente mente que pulsará a vida que sente.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

ar

Eu sou você, ar que da vaporosa manhã é o
doce estar sem ir , ser sem se notar
o peso do espectro das sombras esféricas
aprendiz do nada, corredor do vento
me abre e fecha nas artérias asas internas
passa em mim sem me notar!

quarta-feira, 6 de julho de 2016

vento

Redemoinhos ao vento
Para teres, para melhor enlaçar-te em teus saberes
nas luzes a no girar da roda humana
da fortuna o melhor dos objetos signatários do tempo
Que há no vale do vaso vazado não me kalo como em caracóis de palavras gritadas no fonema, telas novas de cinema,
o corpo a girar a montanha da vida
numa inversão divina das carapuças das sedas
a volta dos que se fossem iriam, a retrogradar o tempo
desde o primeiro instante
do primeiro brilho em círculo do primeiro ser vivo que brotou na terra do primeiro espirro em forma de luz giroflex a dançar e que nos criou a melhor das eras.

terça-feira, 17 de maio de 2016

Não pense, trabalhe!

Não pense em crise, trabalhe!
não pense, trabalhe!
não pense!
A crise sumiu como por encanto por debaixo do assoalho
Não Pense sem crise, só trabalho
O trabalho deu as mãos com a crise e foi para a casa do caralho
Não trabalhe, abaixe a cabeça e chore no asfalto
Não pense em crise, trabalhe
não pense no amor, otáre
não seja você mesmo, seja um réplica que trabalha
Um número que fura buracos, um assistente do assistente que só pensa em nádegas
Uma coisificação exposta ao ridículo, um grito no congelador escondido
Um substituto do substituto quando não mais há substitutos
Não pense em crise, trabalhe
Não seja gente, seja um boneco nas mãos dos que não trabalham
Não vire a casaca, viagem em seu quarto escuro, use óculos escuros, veja sua manhã nublada, feita toda de nada!
Não pense em crise, Trabalhe!

domingo, 15 de maio de 2016

O PARECER

Eu preciso mandar um parecer
Eu preciso mandar um parecer
ser não pode, apenas mandar um parecer
Ser dói na alma, causa revoada de pombas 
ser é ficar calado com mil toneladas de bombas
Eu prefiro o parecer
pois me deixa livre para julgar quem desnudo é.
Posso tomar café a apontar o dedo:
Olha lá , ela é... olha este aqui , ele não é!
enquanto eu só pareço
Eu preciso mandar uma imagem ao japão
rindo dos porcos e comendo um leitão
para inventar minha digna falsa vida, inventariar essa acolhida
Eu preciso mandar um parecer, mesmo que não ser
um faz-de-conta longínquo, tão perto dos dedos
que risca o céu e o infinito por mim findo..
Melhor parecer do que sofrer
Coloco no correio e recebo a etiqueta
código de barras na minha careta
eu preciso mandar um parecer para resistir ao vento
e desafiar a verdade da vida
Eu preciso mandar um parecer.

terça-feira, 3 de maio de 2016

VIRE HOMEM!

Todos os dias, recebia ameaças de surra
O pequeno fazia por onde e já sabia que a chinela cantaria
Então fez o que não podia: quebrou todos os vidros da vidraçaria da esquina.
A hora do golpe inevitável do pai, a hora do golpe
Preparou-se o pupilo para o pior, afinal merecia
O golpe não veio, seu herói abaixou a cabeça e chorou copiosamente, largou o prato na mesa e pranteou sem segredos
lágrimas de vidro caíram no chão, as do pai e as do menino.
Ali nascia a esperança, o senhor fez homem de verdade aquele que antes só era criança.

domingo, 1 de maio de 2016

RECEITA PARA ABREVIAR SUA ESTADA NA TERRA NO DIA DO TRABALHADOR

RECEITA PARA ABREVIAR TUA ESTADA NA TERRA NO DIA DO TRABALHADOR
Primeiro, elogie o indivíduo e faça-o acreditar que é imenso, de tamanho grande.
Depois, misture ironia com bastante risadas em gotas de vinagre e sangue
Tire, devagar, suas férias com jeito, seus direitos, metade do seu salário e diga que isso é normal, que por aqui isso é perfeito, natural.
faça-o crer que hora extra é coisa de terceiro mundo
que por aqui trabalhar junto é tarefa de amigo, que ele deve vestir a camisa da empresa, esmerar-se profundo.
Pague a ele um vencimento de merda e coloque bastante medo junto a sua mesa, transforme seus sonhos em cratera.
Diga que passará fome e risco se não seguir à risca toda a tua orientação.
Mostre a ele toda a tua certeza, de como você chegou a ser o dono da empresa.
Identifique sempre paisagens que você nunca foi e diga que se ele ascender na vida poderá viajar e apreciar isso tudo com a sua triste famélica família
Prenda-o em em quarto escuro e faça-o ouvir vozes e gritos
irradie medo a seu redor e depois de semanas que o cara não conseguir fechar as suadas pestanas:
abra com força a porta e diga-lhe que enfim chegou o abençoado final de semana
Dê-lhe um abraço e um maço de cigarro
se você continuar vivo, poemas eu nunca mais faço!