correr e nada falar, observar o que de natural preside o mundo
saber-se suado e novo a cada pingo do movimento montanhês
A cada passo que falho, não falo
a cada passo que acerto sou de novo descoberto
Minhas mãos traçam a alegria do tempo e do espaço
minha mãe é uma pessoa que habita o coração, o presente e o sonho
minha irmã e minha família são o imã da minha dignidade
Eu canto e minha trêmula voz corre e abafa a maldade das vivas pedras
minha oração pretende novas eras e esperanças de coturno
minha ação pretende nossas serras e terras de fogo e ares soturnos
a nos oxigenar, a nos orientar na busca por dias maiores de alegria e de suspensão da queda
eu vivo o presente como uma descoberta de mim mesmo no espaço da memória
calo que me dói quando me calo
sapo que de tanto falar explode
rua que de tanto deserta vira oásis
vida que de tanta descoberta vira vida-quase
oriente minha paz, faz de mim nota absurda de jazz
vida perene em rio que seca, meu riso me refresca
minha paz me encobre de suas falsas ofertas
meus passos me colocam em mim, mais que em ti
meus passos são tão falsos como a dor do existir
vida nova, vida de folha de árvore a decidir o melhor caminho para meus cansados passos
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