As flores de maio requerem uma nova vida e novas pétalas jogadas ao rio
e esse suspiro feito da mais fina consciência nasce em nós como o broto da revolução
Essas mesmas diáfanas inundam o céu em nuvens de formas diferentes
traduz sentimentos os mais diversos
coloca novos desenhos na lousa de Deus.
As flores de maio são ilusão de uma moça triste no ponto de ônibus
E essas pétalas imensas solteiras que jamais serão visitada pelo beija-flor
olham o dia nascer do dia e se conformam com uma vida sem voo
uma vida sem asas, uma vida de espinhos e caules secos
As flores de maio costumizam meu bairro
as recargas d água em que se vê boiarem murchas as utopias de outrora
as pessoas cansadas de tanto sofrimento e oprimem-se assim mesmo e seguem na vida apenas para o sustento
Suas almas tão carneiramente calmas, sujas e abandonadas são a expressão de uma vida não vivida nem sentida, muito menos tida, apenas número de carteira, e no futuro, número de sepultura
ser número a vida inteira, então para que ser, se é apenas para existir?
As flores de maio são viciadas em trabalho e em cansaço ,e sobem no jardim imenso da vida pensando em prestações , em comprar seus novos carros, mas andam em charretes antigas de aço e não percebem a violência que existe na falta de senso, neste imenso, estapafúrdio deslocar-se, e recomeçam a cada manhã
pensando na vitória de depois de amanhã, e assim, covardemente, sonham com o que jamais virá.
Não desconfiam, as flores de maio, que a vitória pode vir como não pode
que o que se espera de uma nova flor, de um novo fato, é este imenso laço de aurora a cobrir-lhe todas as seivas, a buscar no seu íntimo sua raiz primeira
As flores de maio não se percebem gente, não se veem como semente de um futuro real
apenas desfrutam, quando podem, música barata de carnaval
e comem batata como caviar e sangram tanto de não mais poder sangrar
As flores de maio somos nós todos quando menos corajoso, imensamente covardes.
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